terça-feira, 25 de janeiro de 2022
3.ª fase de participação pública do ciclo de planeamento 2022-2027 - Apreciação da versão provisória do Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo e Ribeiras do Oeste (RH5A) 2022/2027
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
Caravana Global pela Justiça Climática vai percorrer 400 km em Portugal
COMUNICADO DE IMPRENSA
vai percorrer 400 km em Portugal
A crise climática e da biodiversidade é o tempo das nossas vidas. Enquanto empresas e governos repetem fórmulas esgotadas para políticas insuficientes, a degradação do clima destrói o nosso futuro coletivo. As cheias, secas, tempestades fora de época, subida do nível médio dos oceanos, incêndios florestais, perda irreversível da biodiversidade e degradação do ar, dos solos e das massas de água são a consequência direta de escolhas deliberadas tomadas nas últimas décadas pelo aparelho produtivo e pelo poder político a nível global.
Perante este estado das coisas, com o nosso futuro nas nossas mãos, a Caravana pela Justiça Climática, em abril, vai percorrer 400km em Portugal, marchando lado a lado com populações locais desde Figueira da Foz para o interior, através de Pedrogão Grande, Oleiros, Vila Velha de Ródão e muitos outros lugares, para depois descer ao lado do Tejo até Lisboa. Neste momento, mais de uma dezena de organizações nacionais e locais já se juntaram à preparação da caravana, que também ocorrerá nível mundial em pelo menos mais cinco países - Uganda, Honduras, Turquia, Nigéria e Bolívia.
A Caravana passará pelas comunidades que já estão mais expostas às consequências da crise climática, assim como por alguns dos principais focos de emissões de gases com efeito de estufa e de poluição do ar, da água e dos solos do país. Os incêndios florestais e a desertificação do país serão também evidentes no percurso, cruzando zonas devastadas pelo fogo em 2017 e em outros anos, assim como as linhas de água da bacia do Tejo afetadas por caudais irregulares e pela poluição, nas quais já existem e se prevê a construção de mais açudes e barragens.
O arranque da Caravana terá lugar no Complexo Industrial da Figueira da Foz, um dos pólos da principal empresa emissora do país, The Navigator Company. De lá até ao fim do percurso, a Caravana passará por vários pontos ligados à crise climática, nomeadamente Pedrógão Grande e Oleiros, epicentros dos mais graves incêndios florestais em território nacional, pela Celtejo, uma das vinte infraestruturas mais emissoras do país, a Central Termoeléctrica do Pego, encerrada em Novembro de 2021 sem garantir condições necessárias para uma transição justa para os trabalhadores, e a fábrica de produção de cimento mais emissora do país, o Centro de Produção de Alhandra, da CIMPOR. A transição energética também não pode passar pelo nuclear e pelo urânio, que alguns pretendem explorar em Nisa.
Iremos descer ao longo do rio Tejo até Lisboa, acompanhando um rio profundamente afectado no seu estado ecológico e biodiversidade. Exporemos, no local, a ausência de uma política capaz de impor a descarga de caudais ecológicos à IBERDROLA na barragem de Cedillo e à EDP nas barragens de Fratel e Belver. Caminharemos ao lado das barreiras à conectividade fluvial já existentes que fragmentam habitats, como o travessão no rio Tejo da Central Termoelétrica do Pego, e os locais onde querem construir novos açudes e barragens como a do Pisão, do Ocreza ou do projeto Tejo da Associação + Tejo e da Quinta da Lagoalva de Cima, em Alpiarça. Testemunharemos as más práticas agrícolas que conduzem à destruição da biodiversidade e à forte emissão de gases, assim como à poluição que entra no Tejo vinda de Espanha, que se agrava com as águas poluídas de afluentes e acaba numa acentuada contaminação do estuário envolvido pela Área Metropolitana de Lisboa.
Para conseguirmos travar a crise climática e a crise ecológica globais, precisamos de um movimento maior do que o mundo alguma vez já viu. Apelamos por isso a todos os movimentos e organizações que se revejam na luta por um futuro digno a que se juntem a nós, transformando a Caravana pela Justiça Climática num momento histórico que, através da força das populações, se insurja contra a irresponsabilidade, a impunidade, a manipulação e a ganância de um sistema capitalista, responsável pela degradação dos ciclos ecológicos que sustentam a vida e que são sustentados por ela.
Mais informações:
João Camargo (Climáximo) 963367363
Ana Silva (proTEJO) 922273439
As organizações:
Acréscimo; APAEPG - Associação de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos do AE de Pedrógão Grande; AVIPG - Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande; Basta! - de crimes ambientais; Casa de Pedrógão Grande; Climáximo; Colinas do Tejo; EcoCartaxo; Greve Climática Estudantil Lisboa; MIA - Movimento Ibérico Antinuclear; Movimento Ambientalista Vale de Santarém; Movimento Cívico Ar Puro; MUNN - Urânio em Nisa Não; proTEJO - Movimento pelo Tejo
sexta-feira, 14 de janeiro de 2022
ASSOCIAÇÕES AMBIENTALISTAS ALERTAM PARA A PREOCUPANTE EXPANSÃO DO REGADIO EM PORTUGAL
Associações ambientalistas alertam
para a preocupante expansão
do regadio em Portugal
GEOTA, ANP|WWF, SPEA, LPN e proTEJO dão parecer negativo ao estudo em Consulta Pública - “Regadio 20/30 - Levantamento do Potencial de Desenvolvimento do Regadio de Iniciativa Pública no Horizonte de uma Década”
Lisboa,
14 de janeiro de 2022:
Termina hoje a Consulta Pública do Estudo “Levantamento do Potencial de
Desenvolvimento do Regadio de Iniciativa Pública no Horizonte de uma Década”. O
GEOTA, a ANP|WWF, a SPEA, a LPN e o proTEJO apresentam o seu parecer negativo,
deixando cinco considerações que afirmam ser críticas no que toca ao
desenvolvimento do regadio em Portugal:
1. O estudo é setorial, com objetivos
estritamente económicos, não integrando as componentes ecológicas e sociais
enfatizadas pela nova Política Agrícola Comum Europeia, onde é referido que “a
agricultura e as zonas rurais são fundamentais para o Pacto Ecológico Europeu”.
2. O estudo não considera o trade-off
entre a produtividade agrícola e a preservação dos recursos hídricos, edáficos
e da biodiversidade, todos essenciais, uma vez que a sobre-exploração destes
recursos naturais ameaça a própria agricultura e o meio ambiente.
3. A consideração do património
natural e cultural é meramente descritiva, não sendo integrada como critério de
avaliação para definição dos projetos de regadio, que abrangem mais de 127.000
ha, o que corresponde a um acréscimo de 22% da superfície agrícola regada a
nível nacional, que se junta ao acréscimo de 21% observado entre 2009 e 2019,
conforme dados do Recenseamento Agrícola de 2019.
4. Não está fundamentada a substituição
de águas subterrâneas por superficiais, o que coloca a atividade agrícola na
dependência exclusiva de águas superficiais. A diversificação das origens da
água é uma das chaves para o aumento da resiliência e da capacidade de
adaptação à seca e às alterações climáticas.
5. O “Projeto Tejo” continua a ser
equacionado como forma de assegurar a expansão do regadio, apesar dos grandes
impactos ecológicos, sociais e económicos associados. Da mesma forma, o
empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva, apesar dos graves impactos
ambientais, culturais e sociais, é considerado uma referência e um caso de
sucesso, sendo usado como argumento para justificar o investimento na
construção de novas barragens, sem considerar outras práticas sustentáveis e
regenerativas alternativas ao regadio.
As cinco Associações Ambientalistas afirmam, no entanto, que o estudo em consulta pública apresenta elementos positivos, nomeadamente a defesa do regadio eficiente com a promoção nos investimentos previstos para reabilitação de regadios existentes e as intervenções previstas no âmbito do reforço da segurança das barragens atualmente em funcionamento.
Ainda assim, estes pontos não se apresentam como suficientes, pelo que as Associações apelam para a necessidade de que o estudo considere também os impactos negativos da expansão do regadio, e que equacione práticas agrícolas alternativas que sejam benéficas ou menos prejudiciais para a economia, o ambiente e a sociedade.
terça-feira, 14 de dezembro de 2021
CONVITE - REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO - 17 DE DEZEMBRO DE 2021
CONVITE
REUNIÃO
DO CONSELHO DELIBERATIVO
17 de dezembro de 2021
Exmos. Senhores,
O proTEJO – Movimento
Pelo Tejo vem convidá-los a estarem presentes na sua Reunião do Conselho
Deliberativo que se realizará no dia 17 de dezembro de 2021 (sexta-feira)
pelas 21h, por videoconferência acessível na ligação https:/meet.jit.si/proTEJO20211217, com a seguinte Ordem de Trabalhos:
1º Balanço da atividade realizada
nos anos de 2020 - Doc. nº 1 – e 2021 - Doc. nº 2;
2º Projeto de plano de
atividades a desenvolver em 2022 – Doc. nº 3;
3º Marcação de eleições das
unidades orgânicas para o período de 2022/2024;
4º Missão, Visão e das
Estratégia do proTEJO – Doc. nº 4;
5º Diversos.
Remetemos ainda a
apresentação do proTEJO atualizada a final de 2021 - Descarregar.
Esta iniciativa
encontra-se aberta às organizações e aos cidadãos que referenciem como
partilhando este objetivo, pelo que agradecemos que as convidem a estarem
presentes.
PARTICIPEM!
SÓ COM A VOSSA PRESENÇA PODEMOS SEGUIR EM FRENTE NA DEFESA
DO TEJO!
A PARTICIPAÇÃO DOS ADERENTES E O ENVOLVIMENTO DOS
CONVIDADOS É UM IMPORTANTE INCENTIVO MORAL!
CONTAMOS CONVOSCO!
segunda-feira, 22 de novembro de 2021
proTEJO ACUSA ESPANHA DE QUERER LUDIBRIAR O ESTADO PORTUGUÊS COM “FALSOS” CAUDAIS ECOLÓGICOS EM CEDILLO NO PLANO HIDROLÓGICO DO TEJO DE ESPANHA PARA 2022/2027
22 de novembro de 2021
O proTEJO – Movimento
pelo Tejo apresentou
hoje a sua discordância com a “Avaliação
Ambiental Estratégica dos Impactos do Plano Hidrológico e do Plano de Gestão
dos Riscos de Inundação (2022-2027) da parte Espanhola da Região Hidrográfica
do Tejo sobre o Meio Ambiente em Portugal”, no portal Participa do Ministério do Ambiente e da
Ação Climática, pelos seguintes motivos:
a) a submissão a uma
Convenção de Albufeira obsoleta e para a qual não se vislumbra a oportunidade
de uma revisão com um verdadeiro espírito de salvaguarda das condições que
sustentem a vitalidade e o bom funcionamento dos ciclos ecológicos que garantem
a Sustentabilidade da Vida e que não dispensam a preservação ecológica dos
ecossistemas em geral, com prioridade obrigatória para os ecossistemas das
bacias hidrográficas;
b) o não
estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos determinados cientificamente
nos Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo com a coordenação das
administrações de ambos os países nos mesmos pontos de controlo que atualmente
estão presentes na Convenção de Albufeira, Ponte de Muge e Cedilho, a serem
transpostos para a Convenção de Albufeira;
c) a falta de
uniformização dos métodos científicos de cálculo dos caudais ecológicos do
plano hidrológico de Espanha visto que os caudais ecológicos propostos para a
barragem de Cedillo são uma réplica dos caudais mínimos previstos na Convenção
de Albufeira que reproduzirão as pressões e impactos que ao longo dos anos têm
permitido o agravamento da deterioração do estado ecológico das massas de água
no rio Tejo em Portugal;
d) o não assumir do
incumprimento da Diretiva Quadro da Água que resulta da proposta de caudais
ecológicos trimestrais na barragem de Cedillo no plano hidrológico de Espanha
de 2022/2027, iguais aos caudais mínimos trimestrais estabelecidos na Convenção
de Albufeira, visto que permitem uma gestão privada da água das barragens para
a produção hidroelétrica com critérios meramente economicistas de maximização
do lucro que causa uma deterioração adicional do estado ecológico das massas de
água do rio Tejo e impede que se alcancem os objetivos ambientais do seu nº 1
do Artigo 4º da DQA ao não assegurar um “regime hidrológico consistente com o
alcance dos objetivos ambientais da DQA em massas de águas superficiais
naturais”, como decorre do documento
de orientação nº 31 “Caudais ecológicos na implementação da Diretiva Quadro da
Água” da Comissão Europeia;
e) a ausência de
qualquer referência ao projeto de instalação de uma hidroelétrica reversível
(bombagem de água para montante) na barragem de Alcântara por parte da
Iberdrola, que esteve em consulta publica até 19 de junho de 2020 em Espanha;
f) a ausência de
medidas para limpeza do passivo ambiental existente no fundo das barragens da
Extremadura espanhola (Torrejon, Valdecañas, Alcântara, Cedillo, etc) com
origem em poluição orgânica e contaminação por nutrientes depositada ao longo
de várias décadas. Este passivo ambiental dá origem recorrente, em consecutivos
anos hidrológicos, a fenómenos de eutrofização e de blooms de algas com
cianobactérias nestas barragens da Extremadura espanhola que são descarregados
para jusante contaminando e deteriorando o estado ecológico das massas de água
do rio Tejo em Portugal;
g) o “esquecimento”
de medidas com vista à supressão da poluição por nutrientes e pesticidas com
origem na atividade agrícola, particularmente, em relação à albufeira de Monte
Fidalgo (Cedillo) na qual é identificada a existência de impactos ao nível da
poluição orgânica e contaminação por nutrientes;
h) a manutenção de
planos de gestão hidrológicos de Portugal e Espanha distintos, não integrados e
cuja elaboração se encontra dissociada no tempo, quando, para uma verdadeira
cooperação e trabalho partilhado de ambos os países tendo em vista alcançar um
bom estado ecológico das massas de água para a proteção e conservação dos rios
e dos seus ecossistemas ribeirinhos, dever-se-ia considerar o desenvolvimento e
implementação de um Plano Ibérico de Gestão de Bacias Hidrográficas e a criação
de um organismo ibérico de gestão das bacias.
A Vida que o Tejo
sustenta merece mais!
Bacia do Tejo, 22 de
novembro de 2021
Os Porta-Vozes do proTEJO,
Ana Silva, José Moura e Paulo Constantino
_______________________________________________
Mais informação: Paulo Constantino -
+351919061330
quinta-feira, 21 de outubro de 2021
Os benefícios da biodiversidade dos rios livres, a sua proteção jurídica e a remoção de barreiras à conectividade fluvial estiveram em foco do Seminário Tejo Vivo e Vivido 2021
21
de outubro de 2021
Os benefícios da biodiversidade dos rios livres, a sua proteção jurídica e
a remoção de barreiras à conectividade fluvial estiveram em foco do Seminário
Tejo Vivo e Vivido 2021 promovido no passado dia 16 de outubro pelo proTEJO – Movimento pelo Tejo, o Município de Vila Nova da Barquinha e a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo sob o tema “A biodiversidade, os ciclos
ecológicos e os rios livres”, cuja abertura foi
realizada pela Senhora Secretária de Estado do Ambiente Inês do Santos Costa.
Neste seminário foram apresentados os seguintes temas por um conjunto de especialistas:
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O seminário permitiu as seguintes aprendizagens:
- A biodiversidade como base dos
ecossistemas presta serviços de maior importância à sociedade, nomeadamente, a provisão, a regulação e a purificação da água, que devem ser integrados e valorizados na
avaliação ambiental e no bem-estar social.
“Devemos preservar cada pedaço da biodiversidade como
inestimável, enquanto aprendemos a usá-la e compreender o que ela significa
para a humanidade” - Edward O Wilson
- A importância da proteção dos “Rios
livres” como um novo bem jurídico justificada no facto dos Rios com o curso
interrompido por barragens não prestarem os mesmos serviços dos ecossistemas
que são prestados por rios livres. O reconhecimento da personalidade jurídica de um rio tem como vantagens
atribuir uma nova forma de proteção jurídica, legitimidade processual e
procedimental e facilitar a reintegração de danos causados e a prova dos mesmos.
Para este reconhecimento será importante
a sensibilização dos decisores políticos, nomeadamente, o parlamento, para que
seja produzida legislação que atribua personalidade jurídica ao rio, bem como a
mobilização da opinião pública dos cidadãos para apoio à sua adopção.
- O projeto de remoção de barreiras artificiais da Dam Removal Europe e da Associação Natureza Portugal/WWF foi apresentado tendo como objetivo a redução de impactos de barragens nos sistemas fluviais, a restauração ecológica e a melhoria do ciclo da água, contribuindo para objetivo de libertação de 25.000 km de rios com barreiras na Europa como previsto na Estratégia Europeia para a Biodiversidade 2030 e no Pacto Ecológico Europeu, e em linha com o objetivo ambiental de alcançar o bom estado ecológico águas estabelecido na Diretiva Quadro da Água.
Existem mais de 1 milhão e 200 mil barreiras nos rios
da Europa, sendo mais de 150.000 as que se encontram obsoletas e potencialmente
removíveis e pela primeira vez na história da Europa, foi lançado no
passado dia 8 de outubro um novo e dedicado Programa de
Rios Abertos de € 42,5 milhões para restaurar rios por meio da remoção de barragens financiado pelo Fundo ARCADIA sendo necessário deitar mãos à obra no processo de identificação de
barreiras removíveis e seu potencial de reconetividade dos rios e de
identificação de proprietários e trâmites legais.
Desde 1970 perdemos 76% das populações de peixes
migratórios de água doce sendo fundamental existirem mais rios livres pela
remoção de barreiras para permitir a recuperação das suas populações.
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Em resumo, demonstrou-se a importância do papel dos rios livres que contribuem para a salvaguarda e restauração da biodiversidade enquanto elemento fundamental da manutenção dos ciclos ecológicos e da sustentabilidade da Vida pelos serviços que os ecossistemas prestam à sociedade. As barragens
e os açudes adicionam pressões negativas sobre a biodiversidade pelo que se
impõe uma visão ecológica capaz de identificar alternativas de ação sobre a
oferta e procura de água procurando alcançar um equilíbrio entre a
satisfação das necessidades humanas e a conservação da biodiversidade para
assegurar a continuidade do bom funcionamento dos ciclos vitais que sustentam
a Vida. |
Adicionalmente, o proTEJO apresentou ainda a sua posição sobre
a importância de manter os últimos 120 km do rio Tejo livres de açudes e
barragens, apresentando as seguintes alternativas às novas propostas de obras
hidráulicas no rio Tejo:
a) sejam estabelecidos caudais ecológicos regulares no rio Tejo, contínuos e
instantâneos, medidos em metros cúbicos por segundo (m3/s), e respeitando a
sazonalidade das estações do ano, ou seja, maiores no inverno e outono e
menores no verão e primavera, por oposição aos caudais mínimos negociados
politicamente e administrativamente há 23 anos na Convenção de Albufeira sem se
concretizar o processo de transição para o regime caudais ecológicos que essa
mesma Convenção prevê;
b) seja realizado um investimento de apenas 10 M€[1] na construção de uma Estação de Captação de Água diretamente do rio Tejo
na zona da Lezíria do Tejo para uso agrícola à semelhança da Estação de
Captação de Água da EPAL em Valada no Cartaxo que tem em uma capacidade nominal
de captação de 240.000 m³/dia destinados ao consumo humano na área
metropolitana de Lisboa.
c) seja promovida uma agricultura sustentável que tenha eficiência hídrica e preserve
a biodiversidade e a sustentabilidade da Vida com apoios às explorações
agrícolas assentes nos meios financeiros que se pretendem destinar a obras
hidráulicas desnecessárias.
Informamos que ainda podem assistir ao Seminário nas seguintes redes sociais
da Câmara Municipal de Vila Nova da
Barquinha:
Bacia do Tejo, 21 de outubro de 2021
[1] Com o pressuposto de que a construção de raiz de uma Estação de Captação de Água envolveria um custo do dobro (2x) da empreitada de Remodelação e Reabilitação da Captação de Valada Tejo da EPAL que envolveu um investimento de 5 M€, concluída em abril de 2014.
quinta-feira, 14 de outubro de 2021
proTEJO denuncia que a poluição de bloom de algas (cianobactérias) com cheiro putrefacto tendo origem em Espanha já chegou à barragem do Fratel reforçando a necessidade de proceder a uma Queixa à Comissão Europeia
14 de outubro de 2021
O proTEJO constatou hoje que bloom de algas (de cianobactérias - ver Caixa) identificado pela APA na albufeira de Cedillo no dia 7 de outubro[1], que já provinha da barragem de Alcântara, ambas em Espanha, já chegou à barragem do Fratel e irá progredir contaminando todo o rio Tejo a montante da barragem do Fratel.
A proliferação de cianobactérias tóxicas pode provocar a mortandade de peixes e outros animais, incluindo o homem, que consomem a água ou organismos contaminados pelo que constitui um perigo para a saúde pública.
Este bloom de algas resulta de vários fatores que indicamos de seguida.
Primeiro, a concentração elevada de nutrientes,
nomeadamente
fósforo, depositados no fundo das albufeiras da Extremadura espanhola, Azutan,
Torrejon, Valdecañas, Alcantâra e Cedillo, em resultado décadas de descargas de
águas residuais sem adequado tratamento e das escorrências de fertilizantes
agrícolas.
Segundo, o esvaziamento das barragens
de Alcântara e Valdecañas de cerca de 80% da sua capacidade em 15 de março para
cerca de 40% e 21% no mês de junho, respetivamente, com a finalidade de
produzir energia hidroelétrica quando o preço da energia no mercado espanhol
estava em níveis bastante elevados.
Lembramos que o governo espanhol colocou um processo de investigação à empresa concessionária destas barragens, a Iberdrola, pela drástica redução de água para aproveitar o elevado preço para multiplicar a sua produção hidroelétrica.
Terceiro, as condições de temperatura
e luminosidade elevadas, que se observaram nos meses de Verão em que estas
barragens armazenavam pouca água em resultado do seu esvaziamento artificial
criaram as condições propícias à proliferação deste bloom de algas que também
dispunha dos nutrientes necessários.
Neste contexto, o proTEJO considera que o Senhor Ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, deve exigir explicações à sua congénere espanhola, a Senhora Ministra da Transição Ecológica, Teresa Ribera, visto que esta situação constitui um agravamento adicional do estado ecológico das massas de água do rio Tejo em Portugal em incumprimento da Convenção de Albufeira quanto à obrigatoriedade de garantir o bom estado das massas fronteiriças e transfronteiriças e em incumprimento da Diretiva Quadro da Água que impõe o objetivo de alcançar um bom estado ecológico das massas de água.
Além disso, o proTEJO considera que se encontram reforçados os fundamentos para apresentar uma Queixa à Comissão Europeia contra os governos de Portugal e Espanha assente no incumprimento da Diretiva Quadro da Água por permitirem uma gestão das barragens para a produção hidroelétrica com critérios meramente economicistas de maximização do lucro que causa uma deterioração adicional do estado ecológico das massas de água do rio Tejo e impede que se alcancem os objetivos ambientais do nº 1 do Artigo 4º da DQA ao não assegurar um “regime hidrológico consistente com o alcance dos objetivos ambientais da DQA em massas de águas superficiais naturais” como decorre do documento de orientação nº 31 “Caudais ecológicos na implementação da Diretiva Quadro da Água”.
Bacia do Tejo, 14 de outubro de 2021
Os Porta-Vozes do proTEJO,
Ana Silva, José Moura e
Paulo Constantino
Mais
informação: Paulo Constantino - +351919061330
[1] Nota à Comunicação Social n.º 73/2021 APA – 7-10-2021 - Aparecimento de bloom algal na barragem de Cedillo
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Caixa O filo Cyanobacteria (cianobactérias), ou
divisão Cyanophyta (cianófitas), é um grupo de bactérias que obtêm energia
por fotossíntese. O nome "cianobactéria" vem de sua cor (do grego:
κυανός (kyanós) = azul). São chamadas também de algas azuis ou algas
verde-azuladas, embora alguns autores considerem estes nomes inadequados,
uma vez que cianobactérias são procariontes, e algas deveriam ser apenas
eucariontes. Algumas cianobactérias produzem
cianotoxinas, entre as quais anatoxina-a, anatoxina-as, aplisiatoxina,
cilindrospermopsina, ácido domoico, microcistina LR, nodularina R e
saxitoxina, algumas destas sendo de ação hepatóxica e neurotóxica, podendo
ainda causar gastrointerites em mamíferos, inclusive na espécie humana.
Isso ocorre apenas quando estão em proliferação, e o ambiente se torna
favorável a ela. Em altas concentrações de cianotoxinas,
primeiramente as comunidades aquáticas são afetadas. As florações de
cianobactérias tóxicas podem provocar a mortandade de peixes e outros
animais, incluindo o homem, que consomem a água ou organismos contaminados.
Tais florações muitas vezes são causadas por ações dos homens (como
represamento e eutrofização dos corpos d’água). Diversas cianotoxinas têm
importância para a saúde pública. Estas toxinas quando presentes na água
utilizada para abastecimento doméstico, pesca ou lazer, podem atingir as
populações humanas e provocar efeitos adversos como gastrenterite,
hepato-enterite e outras doenças do fígado e rim, câncer, irritações na
pele, alergias, conjuntivite, problemas com a visão, fraqueza muscular,
problemas respiratórios, asfixia, convulsões e morte, dependendo do tipo da
toxina, da concentração e da via de contato. |










