Somos um movimento de cidadania em defesa do Tejo denominado "Movimento Pelo Tejo" (abreviadamente proTEJO) que congrega todos os cidadãos e organizações da bacia do TEJO em Portugal, trocando experiências e informação, para que se consolidem e amplifiquem as distintas actuações de organização e mobilização social.

domingo, 25 de outubro de 2020

CARTA CONTRA A INDIFERENÇA - POR UM TEJO LIVRE

CARTA CONTRA A INDIFERENÇA

POR UM TEJO LIVRE

CANEIRAS/SANTARÉM – 24 DE OUTUBRO DE 2020

O rio Tejo não é apenas água, é cultura viva, a espinha dorsal e o eixo, das terras e das aldeias por onde passa. 

É com grande felicidade que vemos juntarem-se em defesa do Tejo todos os cidadãos e organizações aqui presentes, representativos de toda a bacia ibérica do Tejo e de todos os sectores da sociedade e áreas de ação, constituindo-se como um exemplo independente de participação e cidadania.

Nas nossas diferenças, o elo que nos une é o Tejo!

O mesmo Tejo que une toda esta bacia de Espanha a Portugal, que une todas as populações ribeirinhas e as suas culturas, que o conhecemos e o vivemos da nascente até à foz, de Albarracín ao Grande Estuário. 

É também significativo que nos encontremos em Caneiras onde se pretende realçar a beleza do património natural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial e do património cultural do rio Tejo associado à pesca tradicional no Município do Cartaxo e no Município de Santarém, em especial, as aldeias Avieiras de Palhota e de Caneiras, aldeias típicas de pescadores avieiros, construída com casas de madeira, tipo palafitas, cuja origem se perde nos tempos. Na aldeia de Palhota chegou a viver Alves Redol, grande escritor português que muito escreveu acerca do Tejo e das suas gentes e Ricardo Costa realizou um documentário de longa-metragem com o título Avieiros, em 1975, sobre a vida dos seus pescadores.

O rio Tejo que ao longo do seu curso sustentou as atividades agrícolas e comerciais das suas gentes constituiu-se como o principal eixo de desenvolvimento das comunidades ribeirinhas: agricultores, moleiros, construtores de barcos, artes de pesca, barqueiros, pescadores. Destes teimam uns poucos em tirar do rio o sustento, cada dia mais magro em resultado da degradação dos ecossistemas e consequentes alterações na biodiversidade, causada pelos desmandos do ser humano.

As populações do Tejo sempre conseguiram sobreviver e prosperar em harmonia com o rio, que lhes foi generoso no passado e que será essencial no futuro.

Um futuro onde o laço de natureza e cultura perdure e se reforce com o regresso de modos de vida ligados à água e ao rio, assente num desenvolvimento sustentável de atividades agrícolas e industriais responsáveis, de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental, que apenas será possível se unirmos esforços para a preservação de um rio Tejo Livre de açudes e barragens para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas.

A preservação ecológica do rio Tejo é um tributo que os cidadãos devem oferecer para a sustentabilidade da Vida e para a conservação do seu património, sendo hoje urgente defender um rio Tejo Vivo e Livre com dinâmica fluvial pela rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens - Projeto Tejo e a Barragem do Ocreza - e pela exigência de uma regulamentação adequada para as barreiras que já existem de modo a garantir: o estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; um regime fluvial adequado à migração e reprodução das espécies piscícolas; a qualidade das massas de água superficiais e subterrâneas do rio Tejo; a conservação dos ecossistemas, dos habitats e da biodiversidade; e uma conectividade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações.

Continuaremos a combater a sobre exploração da água do Tejo que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear.

Conhecemos os males de que o Tejo padece e o maltrato que a mão dos humanos tem vindo a infligir à sua água e aos seus ecossistemas.

Para conter essa mão que o maltrata temos que abrir a outra mão para que o proteja, e essa mão somos nós!

Por isso temos o dever de estender essa mão aberta para criar uma corrente de vontade e de intencionalidade, que seja capaz de esclarecer quem decide e que exija um tratamento ecologicamente sustentável para o rio Tejo.

Devemo-lo a nós próprios, que com o Tejo partilhámos a nossa vida e aceitámos a generosidade das suas águas.

Devemo-lo às gerações futuras para que conheçam um Tejo Vivo e Livre, como nós o conhecemos, e não um escravo e prisioneiro do egoísmo, da especulação, da ganância e da irresponsabilidade dos humanos.

Se continuarmos neste rumo, as próximas gerações já não conhecerão rios Vivos e Livres, mas apenas imagens na internet... que serão sombras do que um dia nos foi oferecido com generosidade, e não terão incentivo a reconhecer o valor destes rios de que nunca tiveram a possibilidade de desfrutar.

Por tudo isto, devemos unir-nos e reclamar a defesa da qualidade e da quantidade da água do rio Tejo e seus afluentes, bem como a rejeição ou remoção das barreiras à sua conectividade, para que sejam saudáveis e forneçam os serviços ecológicos necessários à Vida no seu conjunto biodiverso e se mantenham como referência do Património ribeirinho.

Devemos ainda unir-nos e reclamar a unidade e integridade do Tejo e da sua bacia, já que o amor e o respeito que por ele sentimos não se esgotam em nenhuma das fronteiras administrativas e artificiais que os homens impõem à natureza.

Para que as nossas mãos o protejam temos que as unir e coordenar, mostrando a união dos cidadãos e cidadãs portugueses e espanhóis na defesa do Tejo, enquanto bacia ibérica internacional, e afirmar a nossa determinação para combater a indiferença ao maltrato que tem vindo a sofrer.

Assim, com vista a defender o Tejo e seus afluentes, e como cidadãos do rio Tejo, em Portugal e em Espanha, unimo-nos para reivindicar a todas as autoridades competentes, internacionais, nacionais, regionais e locais:

1º. A necessidade de uma gestão sustentável da bacia hidrográfica do Tejo com base no princípio da unidade da sua gestão;

2º. O cumprimento da Diretiva Quadro da Água, nomeadamente a garantia de um bom estado das águas do Tejo;

3º. O estabelecimento e quantificação de um regime de caudais ecológicos, diários, semanais e mensais, refletidos nos Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo, em Espanha e em Portugal, e na atualização da Convenção de Albufeira, que permitam o bom funcionamento dos ecossistemas ligados ao rio e, consequentemente, dos serviços que prestam à comunidade;

4º. A monitorização do cumprimento permanente do regime de caudais ecológicos aí definidos;

5º. A informação pública do cumprimento do convénio luso-espanhol relativamente aos rios ibéricos;

6º. A recusa dos transvases do Tejo e o apoio à investigação de alternativas sustentáveis, baseadas no uso eficiente da água;

7º. Garantir caudais no rio Tejo e seus afluentes em qualidade e quantidade suficientes para garantir o bom estado das massas de água e a viabilidade dos diversos usos lúdicos e recreativos;

8º. Acompanhar a monitorização e verificar o cumprimento das licenças de descargas de efluentes das indústrias, exigindo a tomada de medidas de proteção ambiental com base no princípio da precaução;

9º. A realização de ações para ajudar a restaurar o sistema fluvial natural e o seu ambiente;

10º. A valorização e promoção da identidade cultural e social das populações ribeirinhas do Tejo.

É isto que defendemos, 

Que as nossas mãos unidas protejam o TEJO. 

E digamos com Miguel Torga, porque os poetas sabem ver o futuro

Recomeça

Se puderes,

Sem angústia e sem pressa.

E os passos que deres

Nesse caminho duro

Do futuro

Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances

Não descanses.

O Tejo merece!

sábado, 24 de outubro de 2020

proTEJO DEFENDEU HOJE UM RIO TEJO VIVO E LIVRE COM A PARTICIPAÇÃO NO EVENTO INTERNACIONAL DO DIA MUNDIAL DA MIGRAÇÃO DOS PEIXES EM DESCIDA DE CANOA DE CANEIRAS EM SANTARÉM ATÉ VALADA NO CARTAXO

NOTA DE IMPRENSA
proTEJO DEFENDEU HOJE UM RIO TEJO VIVO E LIVRE COM A PARTICIPAÇÃO NO EVENTO INTERNACIONAL DO DIA MUNDIAL DA MIGRAÇÃO DOS PEIXES EM DESCIDA DE CANOA DE CANEIRAS EM SANTARÉM ATÉ VALADA NO CARTAXO
24 de outubro de 2020

O proTEJO celebrou hoje o Dia Mundial da Migração dos Peixes com a descida de canoa "Por Um Tejo Livre - 8º Vogar contra a indiferença" com 36 participantes em 18 kayaks que coloriram o rio numa demonstração contra a construção de açudes e barragens com a finalidade de reter água para consumo na agricultura intensiva, defendendo um rio livre e com dinâmica fluvial para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas.

O "8º Vogar contra a indiferença" iniciou-se pela manhã na aldeia avieira de Caneiras e continuou com um percurso fluvial em canoa que facultou uma experiência de fluviofelicidade proporcionada pela comunhão com a beleza do património natural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial e do património cultural do rio Tejo associado à pesca tradicional no Município do Cartaxo e no Município de Santarém, em especial, as aldeias avieiras de Palhota e de Caneiras.

A “Carta Contra a Indiferença” que hoje publicamos pretende ser o testemunho da necessidade de preservação ecológica do rio Tejo como um tributo que os cidadãos devem oferecer para a sustentabilidade da Vida e para a conservação do seu património natural e cultural.

Este património natural e cultural do Tejo deve ser defendido pela rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens - Projeto Tejo e Projeto de Barragem no rio Ocreza - e pela exigência de uma regulamentação daqueles que já existem de modo a garantir: o estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; um regime fluvial adequado à migração e reprodução das espécies piscícolas; a qualidade das massas de água superficiais e subterrâneas do rio Tejo; a conservação dos ecossistemas, dos habitats e da biodiversidade; e uma conectividade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações.

Entre estes cidadãos contou-se com a participação de amigos do Tejo de Espanha pertencentes à Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, provando-se que a defesa dos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade.

Pretendeu-se ainda consciencializar as populações ribeirinhas para a sobre exploração da água do Tejo que se avizinha com a construção de novos açudes e barragens e a que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da Estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear, realçando ainda a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as atividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar.

Esta atividade foi organizada pelo proTEJO – Movimento Pelo Tejo e contou com o apoio do Município de Cartaxo, do Município de Santarém, da União de Freguesias da Cidade de Santarém, da EcoCartaxo, dos Bombeiros Sapadores de Santarém, da Associação dos Amigos das Caneiras, da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, e da Fundação World Fish Migration Day, tendo sido responsável pela descida o Clube de Canoagem Scalabitano.





VÍDEO DE DRONE - YOUTUBE E FACEBOOK

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

ASSOCIAÇÕES AMBIENTALISTAS E MOVIMENTOS DE CIDADANIA APELAM AOS DECISORES POLÍTICOS QUE TOMEM UMA INICIATIVA LEGISLATIVA PARA A PROTEÇÃO E DEFESA DOS ATIVISTAS AMBIENTAIS

Nota de Imprensa

ASSOCIAÇÕES AMBIENTALISTAS E MOVIMENTOS DE CIDADANIA APELAM AOS DECISORES POLÍTICOS QUE TOMEM UMA INICIATIVA LEGISLATIVA PARA A PROTEÇÃO E DEFESA DOS ATIVISTAS AMBIENTAIS

1 de outubro de 2020

As principais associações e movimentos cívicos de defesa do ambiente apelam aos decisores políticos que tomem uma iniciativa legislativa para a proteção e defesa dos ativistas ambientais, perfazendo já um total de 28 organizações subscritoras do “Manifesto Em Defesa dos Ativistas Ambientais”.

A produção de legislação que defenda os ativistas ambientais de processos sem fundamento que visam apenas a sua intimidação, instaurados por agentes que foram denunciados por más práticas ambientais, é fundamental para que a justiça realize uma apreciação preliminar da malquerença desses processos evitando o seu arrastamento por longos períodos com graves danos morais e materiais para os ativistas ambientais envolvidos.

Apresentamos aqui o “Manifesto Em Defesa dos Ativistas Ambientais” que será divulgado aos decisores políticos com os quais serão agendadas reuniões de sensibilização.


Manifesto Em Defesa dos Ativistas Ambientais

No nosso país e por mais de uma vez, ambientalistas foram processados por empresas apontadas como responsáveis por atentados ao ambiente. Num ou noutro caso, mesmo quando era gritantemente evidente a justeza das denúncias, esses ambientalistas foram a tribunal acusados de “difamação”, exigindo-se-lhes pesadas indemnizações ou penas de prisão, em processos morosos e dispendiosos.

Estes processos são iníquos, pois opõem empresas poderosas a cidadãos ou organizações ambientalistas muito frágeis. Boa parte das vezes, não passam de meros expedientes intimidatórios e uma forma de assédio. Mais do que o ressarcimento de uma eventual acusação injusta, apenas visam silenciar, punir, destruir pessoal, financeira e institucionalmente quem, por imperativo cívico, denuncia atentados ao ambiente. São o que em vários países é conhecido como “SLAPP” (strategic lawsuit against public participation), ação judicial estratégica contra a participação pública, e aí já foi tornada ilegal por ameaçar a liberdade de expressão.

A próxima transposição para o nosso ordenamento jurídico da Diretiva (UE) 2019/1937 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de outubro de 2019, relativa à proteção das pessoas que denunciam violações do direito da União, deve contribuir para alterar este quadro.

Essa Diretiva aplica-se a denúncias em vários domínios, entre os quais o domínio ambiental. Assenta no pressuposto de que “As denúncias e a divulgação pública alimentam os sistemas de aplicação dos direitos nacionais e da União com informações conducentes à deteção, à investigação e à ação penal eficazes por violações do direito da União, aumentando deste modo a transparência e a responsabilização.”

O objetivo da Diretiva Europeia é o da proteção de denunciantes “que trabalham numa organização pública ou privada ou que com ela estão em contacto no contexto de atividades profissionais”. Mas a própria Diretiva admite que Os Estados-Membros possam “decidir alargar a aplicação das disposições nacionais a outros domínios a fim de assegurar a existência de um regime de proteção dos denunciantes abrangente e coerente a nível nacional.”

Nessa transposição deve, portanto, ser introduzida a proteção de denunciantes de crimes ambientais, ainda que a denúncia provenha de entidades ou pessoas sem relação profissional com as entidades denunciadas.

É, precisamente, o caso de ativistas, de associações ambientalistas ou de simples cidadãos. Sem prejuízo dos direitos das entidades denunciadas, previstos aliás na própria Diretiva Europeia, também quem por imperativo de cidadania denuncia crimes ambientais deve ser protegido de retaliações, como as que “de facto” constituem ações judiciais iníquas.

Nesse sentido, as organizações ambientalistas e movimentos cívicos subscritores manifestam-se no sentido de que os denunciantes de crimes ambientais, sejam organizações, associações ou simples cidadãos, ainda que sem relação profissional com as entidades denunciadas, venham a ser protegidos pela legislação que transpuser para ordenamento jurídico nacional a Diretiva (UE) 2019/1937 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de outubro de 2019.

Portugal, 1 de outubro de 2020


Subscritores:

CPADA - Confederação Portuguesa das Associações de Defesa do Ambiente

ACRÉSCIMO - Associação de Promoção ao Investimento Florestal

APGVN - Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Natureza

Ar Puro Movimento Cívico

Associação Barreiro - Património, Memória e Futuro

Associação Cívica “As Romãs também Resistem” de Castelo Branco

Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA)

AZU - Ambiente em Zonas Uraníferas

BASTA! – Movimento em defesa da ribeira da Boa Água

Campo Aberto - Associação de Defesa do Ambiente

Climacção Centro

EcoCartaxo - Movimento Alternativo e Ecologista

FAPAS - Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade

GEOTA - Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente

LPN - Liga para a Protecção da Natureza

Movimento Ecologista do Vale de Santarém

Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não!

proTEJO - Movimento pelo Tejo

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

Real 21 - Associação de Defesa do Rio Real

Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água no Tejo/Tajo e seus afluentes

SPECO - Sociedade Portuguesa de Ecologia

URTICA – Defesa do Ambiente e Ação Climática

Vamos Salvar o Jamor

ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

MOVIMENTO IBÉRICO ANTINUCLEAR EM PORTUGAL ELEGE NOVA COMISSÃO COORDENADORA E REITERA PEDIDO DE REUNIÃO COM O MINISTRO DO AMBIENTE DE PORTUGAL


NOTA DE IMPRENSA
25 DE SETEMBRO DE 2020
MOVIMENTO IBÉRICO ANTINUCLEAR EM PORTUGAL ELEGE NOVA COMISSÃO COORDENADORA E REITERA PEDIDO DE REUNIÃO COM O MINISTRO DO AMBIENTE DE PORTUGAL
A Assembleia Geral do Movimento Ibérico Antinuclear em Portugal (MIA PT) reuniu esta quinta feira (via online) para eleger a sua Comissão Coordenadora e definir a agenda dos próximos meses.
As questões do nuclear continuam a ser um tema de enorme importância para Portugal, tendo em conta os recentes desenvolvimentos em Espanha que indiciam a continuação do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz por mais 8 anos. Reafirmamos que um acidente em qualquer dos dois reactores da central de Almaraz constitui um perigo sem precedentes, não só para o território espanhol, mas também para toda a bacia do Tejo, em Portugal, com incidência extrema nas regiões fronteiriças.
Com efeito, e contrariamente à decisão prévia de encerrar a Central em 2021, o Conselho de Segurança Nuclear de Espanha deu em um aval positivo à intenção da empresa em prolongar o seu funcionamento até 2028. Aguarda-se agora a decisão final do Governo Espanhol que, tudo indica, irá aceitar a proposta.
O MIA PT considera esta situação inaceitável e não compreende como o Governo Português permanece completamente passivo em relação a uma situação que tem implicações profundas numa parte significativa do território português.
Tendo sido solicitada uma reunião com o Ministro do Ambiente a propósito desta questão, à qual não foi dada qualquer resposta, o MIA PT irá insistir junto do Ministério do Ambiente e Ação Climática. São, ainda, previstas acções que continuarão até ao encerramento definitivo da central de Almaraz (e de todas as outras) e ao seu desmantelamento em segurança.
O MIA PT irá também acompanhar os procedimentos para a realização da Cimeira Ibérica que se deverá realizar nos próximos meses em Portugal (após o seu recente adiamento).
Também está a ser organizada uma Conferência Ibérica, em conjunto com o MIA em Espanha, a decorrer online e em data ainda a definir, que irá debater temas relacionados com o nuclear e os territórios e sustentabilidade. 
A Comissão Coordenadora agora eleita é composta por:
Ana Silva (Movimento ProTejo/Eco-Cartaxo)
António Minhoto (AZU)
Carla Graça (ZERO)
José Janela (Quercus)
José Louza (Ecocartaxo/ ProTejo)
José Moura (ProTejo/AZU)
Romão Ramos
Portugal, 25 de Setembro de 2020
A Comissão Coordenadora do MIA em Portugal
MIA - Movimento Ibérico Antinuclear 

Para mais informações, contactar:
966395014 - António Minhoto
960207080 - José Janela

O MIA é um movimento composto por coletivos ambientalistas e instituições de Portugal e de todo o Estado Espanhol. Em Portugal integra cerca de 30 coletivos.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

FANTÁSTICOS DOCUMENTÁRIOS E FILMES DO DIA MUNDIAL DA MIGRAÇÃO DOS PEIXES - 24 DE OUTUBRO DE 2020

Apresentamos uma lista de documentários e filmes do Dia Mundial da Migração dos Peixes - 24 de outubro de 2020, que serão de ver e divulgar pelos vossos contatos e redes sociais.
Chamamos a atenção para o documentário "Love Flows" que muito nos ensina sobre a necessidade e os benefícios dos rios vivos e livres.



Filmes que pode assistir em casa!

A sentir falta do ar livre?

Reunimos uma lista de excelentes filmes e documentários sobre rios e peixes migratórios que pode assistir no conforto da sua sala. 

Inspire-se nos fantásticos documentários e filmes, aprendendo mais sobre o estado dos nossos rios e como podemos ajudá-los!

Clique no título para assistir ao filme
























O proTEJO SUBSCREVE O MANIFESTO "PARAR AS NOVAS HIDROELÉTRICAS NA EUROPA" DA WWF EUROPA

PARAR AS NOVAS HIDROELÉTRICAS NA EUROPA: O MANIFESTO
Durante décadas, construímos na Europa centrais hidroelétricas ao longo de nossos rios, danificando um dos recursos mais preciosos para a vida na Terra: a água doce. Chegou a hora de acabar com a expansão da energia hidroelétrica antes que destruamos ecossistemas inteiros e todos os serviços que eles prestam às pessoas e à natureza. A nova energia hidroelétrica traz um benefício negligenciável na transição para a neutralidade climática na União Europeia e os seus impactos irreversíveis na biodiversidade, nas paisagens e no abastecimento de água já não podem ser justificados.
ENERGIA HIDROELÉTRICA VERDE É UM MITO
Não há energia hidroelétrica sem consequências graves para os ecossistemas de água doce e para o abastecimento de água, que já estão ameaçados. Apenas 40% das águas superficiais da UE (rios, lagos, zonas húmidas, águas de transição e costeiras) estão em boas condições ecológicas e as populações de espécies migratórias de peixes de água doce diminuíram 93% na Europa desde 1970. 
A construção de centrais hidroelétricas - seja qual for o tipo - tem consequências dramáticas e negativas nos caudais dos rios, migração de peixes, perda de habitat, transporte de sedimentos e erosão, para citar apenas os seus impactos mais diretos, e que está diretamente contra os compromissos expressos na Estratégia da Biodiversidade da UE quanto à proposta de restaurar 25.000 km de rios de curso livre. 
De acordo com Jörg Freyhof, Presidente Regional do Grupo de Especialistas em Peixes de Água Doce da IUCN / WI, “as represas mudam completamente o ecossistema, transformando um rio num lago artificial e abrindo a porta para a invasão de espécies exóticas. É comparável ao corte de uma floresta tropical em termos de forte impacto negativo sobre a biodiversidade”.
Um estudo recente sobre os efeitos das barragens na bacia do Mediterrâneo mostra que a energia hidroelétrica, incluindo pequenos projetos, é o motor mais importante da potencial extinção de espécies de peixes. O estudo afirma que "caso a expansão hidroelétrica na região prossiga conforme planeado, 74% (186) de todas (251) as espécies ameaçadas de peixes de água doce serão impactadas negativamente, com 65% (163) prestes a declinar apenas devido a pequenos projetos” . Construir uma central hidroelétrica num rio é como sufocá-lo, às vezes até à morte. Não há energia hidroelétrica sustentável, nem energia hidroelétrica verde.
OS BENEFÍCIOS DAS NOVAS HIDROELÉTRICAS
NA EUROPA SÃO NEGLIGENCIÁVEIS
A contribuição da energia hidroelétrica para a transição de energia é insignificante. Mesmo se todas as mais de 6.000 usinas hidrelétricas planejadas na UE (além das 19.000+ existentes) fossem construídas, a parcela da geração de eletricidade da UE atualmente fornecida por hidroelétricas passaria de 10% para 11,2-13,9% . E essa contribuição tornar-se-á ainda menos significativa à medida que avançarmos para a eletrificação quase total por meio da energia eólica e solar - direta ou indiretamente - de setores como o transporte, o aquecimento e a indústria.
A energia hidroelétrica também perdeu sua vantagem financeira comparativa, à medida que regulamentações mais rígidas, disponibilidade de terras e reconhecimento crescente dos seus graves impactes ambientais estão a aumentar os custos, enquanto os custos de alternativas como a solar, a eólica e várias formas de armazenamento de energia estão a descer rapidamente . O potencial da energia hidroelétrica de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas também é limitado. As emissões de carbono do ciclo de vida são geralmente subestimadas, visto que as emissões da construção das centrais e de metano são normalmente desconsideradas.  Além disso, a escassez de água pode reduzir a produção geral de energia hidroelétrica na Europa , enquanto a fragmentação do rio criada por centrais hidroelétricas reduz a capacidade dos rios lidarem com secas ou inundações, com impactes negativos na adaptação climática.


PEQUENO NÃO É BONITO
91% das usinas existentes e planeadas na Europa são de pequena dimensão, o que significa que produzem menos de 10 MW, e ainda assim produzem e terão impactes ambientais dramáticos. Conforme observado pela Estratégia Regional para Energia Hidroelétrica Sustentável nos Balcãs Ocidentais, encomendada pela Comissão Europeia (2018), “… a contribuição de pequenas centrais hidroelétricas com uma capacidade de 10 MW  ou menos para a produção global de energia é extremamente limitada, enquanto os seus impactos no ambiente são desproporcionalmente graves. ”
Apesar disso, as pequenas centrais continuam a beneficiar significativamente do financiamento público. Em 2016-2017, os Estados-Membros da UE concederam mais de 4,2 mil milhões de euros de apoio público a projetos hidroelétricos, principalmente na forma de tarifas renováveis avançadas (tarifas “feed-in”) e prémios, mas também através de certificados verdes e subsídios de investimento, com a bênção da Comissão Europeia. Em 2018, 70% do apoio às energias renováveis nos Balcãs Ocidentais foi para a hidroeletricidade de pequena escala, que gerou apenas 3,6% do fornecimento total de eletricidade. 
A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E A PROTEÇÃO DA NATUREZA
DEVEM ANDAR DE MÃO DADA
As crises do clima e da biodiversidade devem ser enfrentadas em conjunto. E, de muitas maneiras, exige a execução da mesma ação. Não podemos parar a mudança climática descontrolada - algo que por si só seria catastrófico para grande parte da vida na Terra - sem proteger e restaurar os ecossistemas naturais. Da mesma forma, não podemos ter uma transição energética sustentável alheia à natureza. A proteção do clima e da natureza devem ser tratadas em conjunto se quisermos fornecer um futuro sustentável para nosso planeta e para as sociedades humanas.
Portanto, não há sentido em construir uma central hidroelétrica para fornecer eletricidade a uma comunidade se a mesma central priva essa comunidade da sua fonte de subsistência e bem-estar: um rio saudável que fornece água potável, refresca as vilas ou cidades das suas margens, permite o crescimento das culturas, dá suporte a servidores de TI e a processos industriais e permite que as pessoas pesquem e nadem em suas águas ou percorram o seu curso.
O DESENVOLVIMENTO DE NOVAS HIDROELÉTRICAS DEVE PARAR
Exortamos as instituições da UE a deixarem de apoiar a construção de novas centrais hidroelétricas:
• O financiamento público para novas hidroelétricas precisa de parar. À luz dos compromissos no Acordo Verde Europeu (European Green Deal), os subsídios e empréstimos públicos que são prejudiciais à biodiversidade e à proteção da natureza são inaceitáveis. Em particular, a energia hidroelétrica - incluindo a pequena produção hidroelétrica - deve deixar de ser elegível para Auxílio Estatal, e as instituições financeiras da UE não devem continuar a financiar novos projetos hidroelétricos de forma nenhuma.
• O financiamento público da energia hidroelétrica deve ser redirecionado para a reabilitação das centrais existentes; para a remoção de barragens obsoletas; e para o investimento em alternativas de menor impacto, como a energia solar e eólica, combinadas com a eficiência energética, a resposta do lado da procura e as diversas formas de armazenamento de energia.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

proTEJO PARTICIPA NAS JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2020 "RIO TEJO - PATRIMÓNIO VIVO"

NOTA DE IMPRENSA
16 de setembro de 2020
proTEJO PARTICIPA NAS 
JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2020 
"RIO TEJO - PATRIMÓNIO VIVO"
O proTEJO - Movimento pelo Tejo participará nas Jornadas Europeias do Património 2020 "Rio Tejo - Património Vivo", a realizar-se no próximo dia 26 de setembro de 2020, pelas 10h30m, na Ribeira de Santarém, Padrão de Santa Iria, para realçar a importância de um rio Tejo Vivo e Livre enquanto referência cultural das populações ribeirinhas.
Desde a criação do proTEJO, há uma década atrás, que temos como princípio "Valorizar e promover a identidade cultural e social das populações ribeirinhas do Tejo".
Assim, apelamos a todos os cidadãos para participarem e fazerem sentir que um rio Tejo Vivo e Livre é um património insubstituível, que não está à venda e não tem preço.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

proTEJO DISCORDA DA ESTRATÉGIA DO DOCUMENTO DAS QUESTÕES SIGNIFICATIVAS DA ÁGUA PARA O 3º CICLO DE PLANEAMENTO PARA 2022/2027

NOTA DE IMPRENSA
15 de setembro de 2020
proTEJO DISCORDA DA ESTRATÉGIA DO DOCUMENTO DAS QUESTÕES SIGNIFICATIVAS DA ÁGUA PARA O 3º CICLO DE PLANEAMENTO PARA 2022/2027
O proTEJO – Movimento pelo Tejo irá hoje apresentar a sua discordância com a estratégia enunciada no documento das Questões Significativas da Água para o 3º ciclo de planeamento da gestão da região hidrográfica do Tejo e das ribeiras do Oeste de 2022/2027 pelos seguintes motivos:
1º Os planos de gestão das bacias hidrográficas não têm uma estratégia consistente de atuação objetiva sobre as causas a montante dos problemas - modos de produção e consumos insustentáveis. Tendo em conta que as alterações climáticas, a poluição, a erosão costeira, (a lista é longa) ... são muito mais as consequências do que as causas que conduzem à fragmentação, fragilização e destruição de habitats pondo em causa a Sustentabilidade da Vida no seu conjunto biodiverso (o qual inclui a espécie humana). Não basta propor medidas de adaptação e mitigação dos efeitos em planos que, a cada novo ciclo, vão sendo atualizados ao sabor do aumento acelerado do número, complexidade e gravidade dos problemas, com medidas primordiais adiadas e muitas em execução permanente, saindo preferencialmente do papel aquelas que interessam aos poderes económicos instalados – como é facilmente dedutível pela análise da execução e ponto da situação o das medidas preconizadas para o PGRH do 2º ciclo.
Assim é notória a necessidade de definição clara:
- de uma Estratégia nacional para todos os sectores, que aponte para o cerne das questões que põem em causa a Sustentabilidade da Vida; e
- de Planos que deitem mãos a todas as ferramentas possíveis para pôr em marcha a Transição Ecológica que a salvaguarde.
2º A Convenção de Albufeira está obsoleta e não se vislumbra a oportunidade de uma revisão com um verdadeiro espírito de preservação ecológica dos ecossistemas da bacia hidrográfica do Tejo, pelo que deverá ser realizada a integração de caudais ecológicos determinados cientificamente nos Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo com a coordenação das administrações de ambos os países nos mesmos pontos de controlo que atualmente estão presentes na Convenção de Albufeira, Ponte de Muge e Cedillo;
3º Não apresenta as barreiras à conectividade fluvial como uma área temática das QSiGA considerando duas perspetivas: a rejeição de novas pressões com origem na construção de barragens e açudes; e a implementação rápida de um projeto de remoção e adaptação de barragens e açudes obsoletos, inoperacionais ou para as quais existam soluções alternativas à sua utilização;
4º Não realça, na área temática da Biodiversidade e nas ameaças às alterações das comunidades da fauna e da flora, das pressões significativas que dizem respeito às espécies piscícolas autóctones de água doce, em especial, às espécies migratórias, sendo conhecido que as populações monitorizadas de peixes de água doce migratórios diminuíram na Europa em média 93%, em consonância com o declínio geral observado para as populações de vertebrados de água doce como um todo, de 83%;
5º A área temática de Gestão dos Riscos não considerou como questão significativa a Contaminação Radiológica, ignorando os riscos de acidente nuclear do prolongamento da vida útil da Central Nuclear de Almaraz até 2028 e o conteúdo dos relatórios do Laboratório de Proteção e Segurança Radiológica do Campus Tecnológico Nuclear do Instituto Superior Técnico que têm vindo a reconhecer que existem níveis de radioatividade artificial no rio Tejo superiores aos que naturalmente são observados noutros rios (Zêzere, Mondego e Douro) que não suportam centrais nucleares e que indicam poderem estar relacionados com o funcionamento da Central Nuclear.
A título conclusivo, o proTEJO decidiu apresentar os seus pontos de discordância quanto ao documento das Questões Significativas da Água apresentado pela Agência Portuguesa do Ambiente e apenas apresentará, perante esta entidade, as suas alegações por uma questão de responsabilidade cidadã.
A Vida que o Tejo sustenta merece mais!
Bacia do Tejo, 15 de setembro de 2020

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

proTEJO LAMENTA A POSIÇÃO DE APOIO AO PROJETO TEJO POR PARTE DE NUNO RUSSO, SECRETÁRIO DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO DESENVOLVIMENTO RURAL, SEM SUPORTE EM QUALQUER ESTUDO SOBRE USOS ECOLOGICAMENTE SUSTENTÁVEIS DO RIO TEJO QUE VEM CONTRADIZER A POSIÇÃO TRANSMITIDA AO proTEJO POR MARIA DO CÉU ANTUNES, MINISTRA DA AGRICULTURA

NOTA DE IMPRENSA
14 de setembro de 2020
proTEJO LAMENTA A POSIÇÃO DE APOIO AO PROJETO TEJO POR PARTE DE NUNO RUSSO, SECRETÁRIO DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO DESENVOLVIMENTO RURAL, SEM SUPORTE EM QUALQUER ESTUDO SOBRE USOS ECOLOGICAMENTE SUSTENTÁVEIS DO RIO TEJO QUE VEM CONTRADIZER A POSIÇÃO TRANSMITIDA AO proTEJO POR MARIA DO CÉU ANTUNES, MINISTRA DA AGRICULTURA
O proTEJO – Movimento pelo Tejo lamenta a posição de apoio ao “Projeto Tejo - Aproveitamento hidráulico de fins múltiplos do Tejo e Oeste” de Nuno Tiago Russo, Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, ao afirmar "Quero acreditar que o Projeto Tejo será uma realidade no futuro" e que vai ser realizada a "abertura de um Concurso Público, para a aquisição de serviços para a elaboração do estudo, que terá como objetivos aferir o potencial hidroagrícola do Vale do Tejo e Oeste através do regadio, avaliar as possíveis soluções a adotar para a captação, armazenamento, transporte e distribuição de água, de forma tecnicamente adequada, ambientalmente sustentável, economicamente viável e socialmente justa." na sequência da pergunta "Acha que o projeto do “Alqueva no Tejo” algum dia será realidade?".
Esta posição do Senhor Secretário de Estado não tem suporte em qualquer estudo sobre usos ecologicamente sustentáveis do rio Tejo já realizados e vem contradizer a posição transmitida ao proTEJO – Movimento em defesa do Tejo por Maria do Céu Antunes, atual Ministra da Agricultura, de que seria realizado um estudo holístico sobre o uso do rio Tejo e não sobre o Projeto Tejo.
Será de todo imprescindível que o Senhor Secretário de Estado, Nuno Russo, se venha retratar publicamente e reconsiderar este apoio incondicional ao “Projeto Tejo” visto que está a colocar em causa a veracidade das afirmações da Senhora Ministra da Agricultura Maria do Céu Antunes, pessoa que respeitamos e conhecemos pela credibilidade e honorabilidade da sua palavra.
Caso esta retratação pública e retirada do apoio incondicional do Senhor Secretário de Estado ao Projeto Tejo não venha a acontecer assumiremos a partir desse momento que a sua posição é extensível a toda a área governativa do Ministério da Agricultura, inclusive à Senhora Ministra da Agricultura.
O rio Tejo merece ser preservado ecologicamente e não apenas ser utilizado politicamente para satisfazer os lobbies do setor agrícola!
Bacia do Tejo, 14 de setembro de 2020
Nota:

terça-feira, 1 de setembro de 2020

O proTEJO CELEBRARÁ O DIA MUNDIAL DA MIGRAÇÃO DOS PEIXES COM A CONCENTRAÇÃO IBÉRICA DE CIDADÃOS “POR UM TEJO LIVRE” E A DESCIDA DE CANOA "8º VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA"

NOTA DE IMPRENSA
CONCENTRAÇÃO IBÉRICA DE CIDADÃOS
“POR UM TEJO LIVRE”
Dia Mundial da Migração dos Peixes
e
8º VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA
Descida de Caneiras / Santarém até Valada / Cartaxo
24 de outubro de 2020
O proTEJO celebrará o Dia Mundial da Migração dos Peixes no próximo dia 24 de outubro com a concentração ibérica de cidadãos “Por Um Tejo Livre” e a descida de canoa "8º Vogar contra a indiferença" numa demonstração contra a construção de açudes e barragens com a finalidade de reter água para consumo na agricultura intensiva e defendendo um rio livre e com dinâmica fluvial para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas.
A Concentração Ibérica “Por Um Tejo Livre” em celebração do Dia Mundial de Migração dos Peixes decorrerá pela manhã na praia fluvial da Valada com a apresentação do memorando “Por Um Tejo Livre”, sobre a importância de preservação de um rio Tejo livre de açudes e barragens para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas, que será enviado aos Grupos Parlamentares, à Comissão Parlamentar do Ambiente, ao Senhor Ministro do Ambiente e Ação Climática João Pedro Matos Fernandes e à Senhora Ministra da Agricultura Maria do Céu Albuquerque, e a partilha de testemunhos dos cidadãos, das associações e das comunidades presentes.
O "8º Vogar contra a indiferença" iniciar-se-á imediatamente a seguir ao almoço convívio em restaurante ou em picnic, à escolha dos participantes, procedendo-se à leitura da Carta Contra a Indiferença na qual se evidencia a necessidade de defender um rio Tejo livre com dinâmica fluvial pela rejeição dos novos projetos de construção de novos açudes e barragens - Projeto Tejo e a Barragem do Alvito - e pela exigência de uma regulamentação daqueles que já existem de modo a garantir: um regime fluvial adequado à prática de atividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas; um estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; e uma continuidade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações.
Pretende-se ainda consciencializar as populações ribeirinhas para a sobre exploração da água do Tejo que se avizinha com a construção de novos açudes e barragens e a que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear, realçando ainda a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as atividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar.
A descida de canoa conta já com 50 pessoas inscritas em 25 embarcações que irão colorir o rio Tejo de todas as cores, estando as inscrições ainda abertas até ao próximo dia 17 de outubro (domingo) para quem desejar descobrir o rio Tejo num percurso entre a aldeia avieira de Caneiras no município de Santarém e a bela praia fluvial de Valada no município do Cartaxo, pretendendo-se realçar durante este percurso fluvial a beleza do património natural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial e do património cultural do rio Tejo associado à pesca tradicional.
Entre estes cidadãos conta-se uma participação muito significativa de amigos do Tejo de Espanha pertencentes à Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, sendo muitos os inscritos, como aliás é habitual, provando-se que a defesa dos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade.
Esta atividade é organizada pelo proTEJO – Movimento Pelo Tejo e conta com o apoio do Município de Cartaxo (a confirmar), da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes e da EcoCartaxo, tendo como responsável pela descida o Centro de Canoagem Scalabitano (a confirmar).
Bacia do Tejo, 1 de setembro de 2020