Somos um movimento de cidadania em defesa do Tejo denominado "Movimento Pelo Tejo" (abreviadamente proTEJO) que congrega todos os cidadãos e organizações da bacia do TEJO em Portugal, trocando experiências e informação, para que se consolidem e amplifiquem as distintas actuações de organização e mobilização social.

sexta-feira, 14 de março de 2025

“proTEJO considera um desastre ecológico e social a estratégia “Agua que une” no “Dia Internacional de Ação Contra as Barragens pelos Rios, pela Água e pela Vida”

Nota de Imprensa

14 de março de 2025

“proTEJO considera um desastre ecológico e social a estratégia “Agua que une” no “Dia Internacional de Ação Contra as Barragens pelos Rios, pela Água e pela Vida”

Hoje, 14 de março de 2025, “Dia Internacional de Ação Contra as Barragens, pelos Rios, pela Água e pela Vida”, celebrado pela primeira vez em 1997, em Curitiba – Brasil, durante o primeiro “Encontro Internacional de Pessoas Afetadas por Barragens”, solidarizamo-nos especialmente com a luta de milhares de pessoas e movimentos sociais que tiveram as suas vidas afetadas pela construção de barragens e que tentam impedir que novas barragens sejam construídas sobre as suas histórias.

O proTEJO - Movimento pelo Tejo considera um desastre ecológico e social a estratégia “Água que une” que apresenta uma visão de curto prazo que continua a favorecer o crescimento dos setores do agro-negócio, da banca, da construção civil e do imobiliário à custa da degradação de uma ecologia do planeta favorável à sustentabilidade da Vida.

Esta estratégia é essencialmente apressada, eleitoralista, economicista e megalómana face à circunstância de um Governo demissionário cujas propostas estão objetivamente focadas, em termos de prazos de execução no curto prazo, na construção de inúmeras novas infraestruturas hidráulicas (barragens, transvases e açudes) que conduzem a um desastre ecológico e social, apresentam um risco elevado de ficarem rapidamente subutilizadas sem o retorno económico esperado, e que não foram consensualizadas com a sociedade portuguesa e com as pessoas que vão ser diretamente afetadas.

Mais concretamente, o proTEJO considera, quanto à estratégia “Água que une”, que:

1º Não concilia os valores económicos com os valores ecológicos e sociais, por não assegurar nem a sustentabilidade económica de médio-longo prazo, nem a sustentabilidade ambiental, só possível através de uma ação urgente sobre a conservação e o restauro da natureza.

Na realidade, conduz a um desastre ecológico e social pelos graves danos causados pelos seguintes projetos:

   os transvases de ligação de bacias hidrográficas distintas, nomeadamente, do Douro e do Mondego para o Tejo e do Tejo para o Guadiana com as denominadas “autoestradas da água” (ex: ligação Sabugal-Meimoa), vão afetar populações e degradar, destruir e fragmentar habitas, já globalmente debilitados; vão permitir a transferência de poluição e de espécies entre estas bacias provocando alterações nos seus ecossistemas;

      a construção de novas barreiras nos rios (barragens e açudes) alteram a dinâmica e limitam a conectividade fluvial dos rios, destruindo a biodiversidade pela afetação dos habitats e das condições de sobrevivência das diversas espécies, causando uma deterioração adicional da qualidade das massas de água, reduzindo a chegada de sedimentos às zonas costeiras e aumentando a emissão de gases com efeitos de estufa que agravam as alterações climáticas.

2º Nega-se a si própria ao inverter as prioridades que foram estabelecidas na sua criação visto que os contribuintes serão obrigados a pagar mais de 3 mil milhões de euros (3.174 M€) para novas infraestruturas hidráulicas (barragens, transvases e açudes) e manutenção das existentes, mais de metade do investimento total previsto (+ de 55% de 5 mil milhões de euros) quando tinha sido definido, nas prioridades da estratégia, que estas infraestruturas seriam um último recurso.

Este valor será pago por todos os contribuintes a partir do Orçamento de Estado português, tendo o caso da barragem do Pisão demonstrado que a União Europeia não irá financiar novas grandes barragens por ser uma política que está em contraciclo com Lei do restauro da natureza e com a estratégia da UE para a biodiversidade 2030, que visa libertar de barreiras 25.000 km do curso natural dos rios até 2030 para assegurar a sua conectividade, uma vez que provocam disfuncionalidades ecológicas que põem em causa a sobrevivência das espécies, incluindo a humana.

Na verdade, as principais prioridades inicialmente estabelecidas foram relegadas para último lugar, ao afetar-se à redução das perdas de água, à eficiência do uso e à reutilização das águas residuais, mais simples, mais económicas e mais ecológicas, apenas 1.989 M€, ou seja, cerca de um terço (35%) do investimento total.

As medidas para a biodiversidade, a restauração e a conectividade fluvial, são contempladas com uma insignificância de apenas 50 M€, menos de 1% do investimento total.

3º Encontra-se orientada para o aumento do regadio (30%) com maior consumo de água e não para satisfazer as atuais e futuras necessidades de água das populações com as disponibilidades de água que ali existem.

É evidente a existência de um aproveitamento de uma incorreta percepção de escassez de água que resulta, em grande medida, da redução artificial de caudais dos rios pelas barragens, bem como de uma ocupação e uso do solo que não favorece uma biodiversidade capaz de reinstalar condições de fertilidade, de evapotranspiração, de purificação e de infiltração de água nos solos.

Adicionalmente, não responde a importantes questões: Qual o objetivo deste aumento do regadio? Para quem plantar o quê? Para produzir como e consumir onde?

E ainda ficaram esquecidas medidas estratégicas cujo impacto se prolonga em prazos mais ou menos longos, nomeadamente, as soluções de engenharia natural e as que promovem o restabelecimento de zonas húmidas e a infiltração da água nos solos, como sejam, uma floresta com maior biodiversidade, a adaptação das culturas agrícolas às alterações climáticas e o incentivo para uma agricultura regenerativa.

Quanto ao Médio Tejo esta estratégia propõe a concretização de 3 projetos: o novo açude no rio Tejo em Constância / Praia do Ribatejo (VN Barquinha), o estudo da ligação da bacia do Tejo à bacia do Guadiana, e a construção de uma nova grande barragem no rio Ocreza.

Estes projetos são danosos para o funcionamento dos ecossistemas, a paisagem natural e cultural, a economia local, os espaços de vivência social e, portanto, para a Vida das pessoas, de gerações atuais e vindouras, pelo que, nos comprometemos hoje, no “Dia Internacional de Ação Contra as Barragens pelos Rios, pela Água e pela Vida”, a lutar ao lado das pessoas que venham a ser afetadas pela construção destas novas infraestruturas hidráulicas, sejam barragens, transvases ou açudes.

Bacia do Tejo, 14 de março de 2025

Ana Silva e Paulo Constantino

Os porta vozes do proTEJO

+ Informações: Paulo Constantino 919 061 330

segunda-feira, 10 de março de 2025

CONVITE - REUNIÃO DE TRABALHO - 11 de março de 2025

CONVITE

REUNIÃO DE TRABALHO

11 de março de 2025

Exmos. Senhores,

proTEJO – Movimento Pelo Tejo vem convidá-los a estarem presentes na sua Reunião de Trabalho que se realizará no dia 11 de março de 2025 (terça-feira) pelas 21 horas, por videoconferência acessível na ligação https:/meet.jit.si/proTEJO20250311, com a seguinte Ordem de Trabalhos:

1.º Atividades sobre "O novo açude no rio Tejo em Constância / Praia do Ribatejo (VN Barquinha)";

a) Sessão Pública de Esclarecimento - 15 de março - Inscrição - https://forms.gle/GQsHBpqvyATYoL4TA;

b) 12º Vogar Contra a Indiferença - 26 de abril;

c) 2º Encontro Nacional de Cidadania em Defesa dos Rios e da Água - 31 de maio.

2.º Apreciação e tomada de posição sobre o projeto "Água que une" - Doc nº 1 - Apresentação do Governo;

3.º Diversos.

Remetemos ainda a apresentação do proTEJO atualizada em junho de 2024 - Descarregar.

Esta iniciativa encontra-se aberta às organizações e aos cidadãos que referenciem como partilhando este objetivo, pelo que agradecemos que as convidem a estarem presentes.

PARTICIPEM!

SÓ COM A VOSSA PRESENÇA PODEMOS SEGUIR EM FRENTE NA DEFESA DO TEJO!

A PARTICIPAÇÃO DOS ADERENTES E O ENVOLVIMENTO DOS CONVIDADOS É UM IMPORTANTE INCENTIVO MORAL!

CONTAMOS CONVOSCO!

Cordiais saudações,

Ana Silva e Paulo Constantino

(Os porta-vozes do proTEJO)

sábado, 1 de março de 2025

Mais de uma centena de cidadãos mobilizaram-se para participar na consulta pública sobre o novo açude no rio Tejo

Nota de Imprensa

1 de março de 2025

“Mais de uma centena de cidadãos mobilizaram-se para participar na consulta pública sobre o novo açude no rio Tejo”

O proTEJO - Movimento pelo Tejo saúda os mais de 100 cidadãos que se mobilizaram para participar na consulta pública do Estudo da “Valorização dos Recursos Hídricos para a Agricultura no Vale do Tejo e Oeste” que integra a proposta de um novo açude no rio Tejo em Constância / Praia do Ribatejo (VN Barquinha).

Este elevado nível de participação resulta da adesão dos cidadãos à posição de rejeição unânime dos decisores políticos, empresariais e movimentos de cidadania à proposta de um novo açude no rio Tejo em Constância / Praia do Ribatejo (VN Barquinha).

Reportagem RTP "Portugal em Direto" - 16:50

Estes representantes dos munícipes e fregueses, dos empresários e dos cidadãos desta região, anunciaram ainda as seguintes ações que se realizarão para mobilizar e sensibilizar os cidadãos no sentido de evitar o avanço deste projeto e a construção deste açude:

· 15 de março - Sessão Pública de Esclarecimento – Constância / Inscreva-se aqui!

“O novo açude no rio Tejo em Constância/Praia do Ribatejo (VNB)”    

Terá lugar uma sessão pública de esclarecimento aos cidadãos sobre o Estudo de "Valorização dos Recursos Hídricos para a Agricultura no Vale do Tejo e Oeste", com a apresentação das posições do município de Constânciado município de Vila Nova da Barquinha, da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, da junta de freguesia de Constância, da junta de freguesia de Praia do Ribatejo, do projeto empresarial Aventur e Fluviário “Foz do Zêzere” e do proTEJO – Movimento pelo Tejo, que terá lugar no Salão Nobre dos Paços de Concelho do município de Constância, tendo como objetivo mobilizar e sensibilizar os cidadãos no sentido de tomarem uma posição sobre este tema.

Foi comunicada a lamentável escusa da Direção Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Regional ao convite realizado pelos conferencistas para estarem presentes e que realizassem uma apresentação que permitisse um melhor esclarecimento à população.

· 26 abril - 12º Vogar contra a indiferença - Por Um Tejo Livre - Constância / Barquinha

“Não ao novo açude no rio Tejo em Constância/Praia do Ribatejo (VNB)”

Realizar-se-á uma descida de canoa desde Constância até ao Castelo de Almourol, que se prevê contar com mais de 100 canoas e 200 participantes a colorirem o rio Tejo, os quais irão navegar atravessando o local em que se propõe a construção do novo açude, sendo uma ação de sensibilização e mobilização de cidadãos na defesa de um rio Tejo livre e vivo sem novos açudes.

· 31 de maio - 2º Encontro Nacional de Cidadania em Defesa dos Rios e da Água - Constância

As organizações que integram seis movimentos cívicos, de norte a sul do país, promovem o “Encontro Nacional de Cidadania pela Defesa dos Rios e da Água” para definir medidas e formas de mobilização da cidadania para combater a seca, assegurar a proteção de rios e das águas subterrâneas e encontrar alternativas aos transvases e construção de novas barragens, açudes e dessalinizadoras.

Pretende-se um mútuo apoio e encorajamento entre estes movimentos cívicos e as populações ribeirinhas do Tejo para que se alcance o abandono deste projeto de construção de um novo açude no rio Tejo imediatamente a jusante da foz do Zêzere.

Bacia do Tejo, 1 de março de 2025

Ana Silva e Paulo Constantino

Os porta vozes do proTEJO

+ Informações: Paulo Constantino 919 061 330


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Convite - Sessão Pública de Esclarecimento - "O novo açude no rio Tejo em Constância / Praia do Ribatejo (VN Barquinha)” - 15 de março de 2025

Sessão Pública de Esclarecimento

15 de março de 2025

"O novo açude no rio Tejo em 

Constância/Praia do Ribatejo (VN Barquinha)”

Vimos convidar-vos a estarem presentes na Sessão Pública de Esclarecimento que se realizará no próximo dia 15 de março de 2025, pelas 15 horas, sobre "O novo açude no rio Tejo em Constância / Praia do Ribatejo (VN Barquinha)” promovida pelo município de Constância, pelo município de Vila Nova da Barquinha, pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, pela junta de freguesia de Constância, pela junta de freguesia de Praia do Ribatejo, pelo Fluviário “Foz do Zêzere” e pelo proTEJO – Movimento pelo Tejo, que terá lugar no Salão Nobre dos Paços de Concelho do município de Constância.

Nesta Sessão Pública serão apresentadas as posições destes decisores políticos, empresariais e representantes de movimentos de cidadania, tendo como objetivo mobilizar e sensibilizar os cidadãos no sentido de tomarem uma posição sobre este tema.

Apelamos à vossa presença e pedimos que se inscrevam para receberem documentação de apoio e nos ajudarem a acolher-vos nas melhores condições.

Inscrição (Facultativa)

https://forms.gle/GQsHBpqvyATYoL4TA

Venham fazer ouvir a vossa voz!

Convidem os vossos amigos e partilhem nas redes sociais.

Agradecemos desde já a vossa atenção e disponibilidade.

Atenciosamente,

Ana Silva e Paulo Constantino

(Os porta-vozes do proTEJO)



Próximas atividades a reservar na agenda


Apelo à adesão ao parecer do proTEJO

Recorda-se que ainda podem aderir ao Parecer de “Discordância” sobre o Estudo da “Valorização dos Recursos Hídricos para a Agricultura no Vale do Tejo e Oeste” subscrevendo e apresentando a minuta até à próxima sexta feira, dia 28 de fevereiro, no portal Participa.

Adotem, alterem e adaptem o nosso Parecer, mas participem!

Participar é um ato de cidadania!

Partilhem com os vossos amigos e contactos, bem como nas redes sociais!

O Tejo e as populações ribeirinhas merecem!

Participa no Portal até à próxima sexta-feira, 28 fevereiro 2025

https://bit.ly/3PyUinQ

Minuta

http://bit.ly/3WiqT5s

Parecer

https://bit.ly/4jeL8e0

Guia para participar no Portal

https://bit.ly/40k5Mka

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

“Forças vivas dos concelhos de Constância e Vila Nova da Barquinha apelam à rejeição do novo açude no rio Tejo e anunciam ações de mobilização e sensibilização das populações”

Nota de Imprensa


“Forças vivas dos concelhos de Constância e Vila Nova da Barquinha apelam à rejeição do novo açude no rio Tejo e anunciam ações de mobilização e sensibilização das populações”

14 de janeiro de 2025

"O novo açude no rio Tejo em Constância / Praia do Ribatejo (VN Barquinha) foi o tema da Conferência de Imprensa promovida hoje, dia 14 de fevereiro de 2025, pelo município de Constância, pelo município de Vila Nova da Barquinha, pela junta de freguesia de Constância, pela junta de freguesia de Praia do Ribatejo, pelo Fluviário “Foz do Zêzere” e pelo proTEJO – Movimento pelo Tejo.

Constatou-se a unanimidade das posições de rejeição da proposta de um novo açude no rio Tejo em Constância / Praia do Ribatejo (VN Barquinha) por parte destes decisores políticos, empresariais e representantes de movimentos de cidadania.

Ver Reportagem RTP "Portugal em Direto" - minuto 16:50

Estes representantes dos munícipes e fregueses, dos empresários e dos cidadãos desta região, anunciaram ainda as seguintes ações que se realizarão para mobilizar e sensibilizar os cidadãos no sentido de evitar o avanço deste projeto e a construção deste açude:

· 15 de março - Sessão Pública de Esclarecimento - Constância

“O novo açude no rio Tejo em Constância/Praia do Ribatejo (VNB)”

Terá lugar uma sessão pública de esclarecimento aos cidadãos sobre o Estudo de "Valorização dos Recursos Hídricos para a Agricultura no Vale do Tejo e Oeste", com a apresentação das posições dos municípios de Constância / Barquinha, das Juntas de Freguesia de Constância e Praia do Ribatejo, do projeto empresarial Aventur e Fluviário “Foz do Zêzere” e do movimento proTEJO – Movimento pelo Tejo.

Foi comunicada a lamentável escusa da Direção Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Regional ao convite realizado pelos conferencistas para estarem presentes e que realizassem uma apresentação que permitisse um melhor esclarecimento à população.

· 26 abril - 12º Vogar contra a indiferença - Por Um Tejo Livre - Constância / Barquinha

“Não ao novo açude no rio Tejo em Constância/Praia do Ribatejo (VNB)”

Realizar-se-á uma descida de canoa desde Constância até ao Castelo de Almourol, que se prevê contar com mais de 100 canoas e 200 participantes a colorirem o rio Tejo, os quais irão navegar atravessando o local em que se propõe a construção do novo açude, sendo uma ação de sensibilização e mobilização de cidadãos na defesa de um rio Tejo livre e vivo sem novos açudes.

· 31 de maio - 2º Encontro Nacional de Cidadania em Defesa dos Rios e da Água - Constância

As organizações que integram seis movimentos cívicos, de norte a sul do país, promovem o “Encontro Nacional de Cidadania pela Defesa dos Rios e da Água” para definir medidas e formas de mobilização da cidadania para combater a seca, assegurar a proteção de rios e das águas subterrâneas e encontrar alternativas aos transvases e construção de novas barragens, açudes e dessalinizadoras. 

Pretende-se um mútuo apoio e encorajamento entre estes movimentos cívicos e as populações ribeirinhas do Tejo para que se alcance o abandono deste projeto de construção de um novo açude no rio Tejo imediatamente a jusante da foz do Zêzere.

Encontrando-se ainda a decorrer a consulta pública do Estudo da “Valorização dos Recursos Hídricos para a Agricultura no Vale do Tejo e Oeste”, no portal Participa até dia 28 de fevereiro de 2025, os conferencistas apelaram à população para participarem com parecer de “Discordância”.

O Movimento proTEJO apelou a todos os cidadãos para aderirem ao seu Parecer de “Discordância” sobre o Estudo da “Valorização dos Recursos Hídricos para a Agricultura no Vale do Tejo e Oeste” e a subjacente proposta de um novo açude no rio Tejo, na zona de Barquinha / Constância.

Esta adesão pode ser efetuada através da subscrição da minuta do Parecer, que deverá ser apresentada no portal Participa até dia 28 de fevereiro de 2025

(Ajuda - Guia para participar no Portal)

O parecer de “Discordância” ao Estudo "Valorização dos Recursos Hídricos para a Agricultura no Vale do Tejo e Oeste" justifica-se pelos graves danos ecológicos que o novo açude irá exercer sobre os ecossistemas das bacias do rio Zêzere e do rio Tejo em incumprimento das Diretivas Quadro da Água, Aves e Habitats, e da Estratégia para a Biodiversidade 2030 da União Europeia, bem como pelos danos económicos, sociais, patrimoniais e de paisagem cultural que afetarão as populações ribeirinhas dos concelhos de Vila Nova da Barquinha e Constância, e, ainda, pela apresentação de uma Avaliação Ambiental que não cumpre os requisitos para que seja considerada como “Estratégica”.

O proTEJO – Movimento pelo Tejo deliberou nos seguintes termos:

1. A rejeição da construção do novo açude em virtude dos seus graves danos ecológicos em incumprimento das Diretivas Quadro da Água, Aves e Habitats, e da Estratégia para a Biodiversidade 2030 da União Europeia;

2. A defesa da preservação dos últimos 120 km um rio Tejo Vivo e Livre com dinâmica fluvial privilegiando o desenvolvimento regional sustentável assente em novas politicas e práticas agrícolas que favoreçam os valores ecológicos que sustentam a Cadeia da Vida, ao mesmo tempo que promovem o turismo de natureza e cultural, as atividades piscatórias tradicionais e a gastronomia centrada nessas atividades, estratégia que não estará alinhada com o projeto de um novo açude que irá causar danos económicos, sociais, patrimoniais e de paisagem cultural, bem como o agravamento dos riscos de segurança causado pelas alterações hidromorfológicas que afetarão as populações ribeirinhas dos concelhos de Vila Nova da Barquinha e Constância;

3. O requerimento de uma verdadeira Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) que integre o estudo de soluções alternativas com base nas metas da Diretiva Quadro da Água, tendo em conta todas as dimensões, ecológica, social, financeira, tecnológica, que melhor respondam aos desafios atuais e futuros e por isso avaliando a possibilidade de adoção de soluções de engenharia natural e recomendando políticas estratégicas, transversais a todos os ministérios, focadas nas causas dos problemas, nomeadamente:

a) Implementação de regimes de caudais ecológicos;

b) Aumento da eficiência hídrica e promoção do uso racional (“responsável”) da água;

c) Redução das perdas de água nos sistemas de abastecimento público, agrícola, turístico, industrial;

d) Promoção da utilização de água residual tratada;

e) Instalação de equipamentos de captação de água diretamente do rio, com economias de escala para os utilizadores;

f) Adoção de Medidas Naturais de Retenção de Água aos níveis agrícola, urbano, florestal e hidromorfológico, já implementadas em países da União Europeia;

g) Investimento na investigação, na formação e na adaptação a novas práticas agrícolas em condições de forte carência de água através da cobertura permanente do solo, da mobilização reduzida ao mínimo necessário, da plantação de corta ventos, etc.… para melhor aproveitamento da água e aumento da fertilidade dos solos;

h) Implementação de políticas de ocupação e uso dos solos (agrícolas, florestais, urbanização, etc…) que combatam a poluição e favoreçam práticas agroecológicas.

Estas soluções alternativas devem ainda assegurar uma política de recuperação de custos dos serviços da água e o uso adequado do erário público considerando o seu custo de oportunidade, permitindo que a decisão de implementar qualquer um desses projetos seja tomada com base em critérios de minimização do impacto ambiental, em cenários realistas de procura de água e de captação de investimento produtivo, bem como de utilização das melhores tecnologias disponíveis para garantir a competitividade económica das explorações agrícolas, nomeadamente, de eficiência hídrica.

A Avaliação Ambiental Estratégica deve responder ainda às seguintes questões: Maior consumo de água? Para servir quem? Para produzir o quê? Com que práticas?

4. A rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens e a exigência de uma regulamentação adequada para as barreiras que já existem de modo a garantir: o estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; um regime fluvial adequado à migração e reprodução das espécies piscícolas; a qualidade das massas de água superficiais e subterrâneas do rio Tejo e afluentes; a conservação e recuperação dos ecossistemas e habitats essenciais à manutenção dos ciclos vitais; e uma conectividade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações; 

5. A integração de caudais ecológicos determinados cientificamente nos Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo com a coordenação das administrações de Portugal e Espanha, implementados nas barragens portuguesas (Fratel, Belver, Castelo de Bode, entre outras) e nos pontos de controlo que atualmente estão presentes na Convenção de Albufeira, em Cedillo e Ponte de Muge;

6. A implementação de medidas que visem a recuperação ecológica do rio Tejo e de toda a sua bacia para salvaguardar a continuidade dos ciclos vitais que ditam a sustentabilidade da Vida através da conservação e recuperação da sua Biodiversidade e do património natural;

7. Um futuro onde os laços entre a natureza e a cultura das comunidades ribeirinhas perdurem e se reforcem com o regresso de modos de vida ligados à água e ao rio, assentes em princípios de sustentabilidade e responsabilidade, transversal a todas as atividades: piscatórias, agrícolas, industriais, educacionais, turismo de natureza, ecológico e cultural, e usufruto das populações ribeirinhas.

Bacia do Tejo, 14 de fevereiro de 2025

Ana Silva e Paulo Constantino

Os porta vozes do proTEJO

+ Informações: Paulo Constantino 919 061 330

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

“Sempre, uma e outra vez, em defesa do Tejo!!” - Crónica “Cá por Causas” – Paulo Constantino – 10 de fevereiro de 2025

“Sempre, uma e outra vez, em defesa do Tejo!!”
Crónica “Cá por Causas” – Paulo Constantino
10 de fevereiro de 2025

Voltam, uma e outra vez!

Em 1951 foi a primeira vez que alvitraram o alagamento de Constância e do Castelo de Almourol, para voltarem em 2007 com a barragem de Almourol e, finalmente, em 2018, lançarem o projeto Tejo que propõe seis novas barragens e açudes de Abrantes até Lisboa, o qual, agora aqui, eclodiu com a ideia peregrina de incrustar um açude no rio Tejo a jusante da foz do Zêzere em Constância.


Rio Tejo em Vila Nova da Barquinha, junto ao Castelo de Almourol. Foto de arquivo: DR

E as populações ribeirinhas dos nossos rios Zêzere e Tejo aqui se apresentam outra vez para lhes tirarem daí a ideia.

Sempre, uma e outra vez, na defesa dos nossos rios.

Somos a mão que protege a biodiversidade e todas as Vidas que dependem do rio e dos afluentes da mais explorada bacia de Portugal, a bacia do Tejo!

Uma bacia explorada por três transvases em Espanha, pela poluição, pelas barragens que aprisionam 880 km de rio e, agora aqui, por uma nova barreira à dinâmica fluvial natural dos nossos rios que vai afetar negativamente as nossas Vidas ao contribuir para a destruição dos ecossistemas que nos sustentam.

E é por isso que estamos aqui, que estivemos no passado e que estaremos no futuro.

Não somos contra as barragens necessárias, que já existem e são suficientes, mas sim pela busca de alternativas a novas barreiras de modo mitigar a crise ecológica que já afeta todos os seres vivos.

E existem alternativas, quer às seis novas barragens e açudes de Abrantes a Lisboa, propostas pelo projeto Tejo, quer ao açude que nos trás hoje aqui.

Essas alternativas são principalmente a redução das perdas de água na distribuição e a eficiência no uso da água que permitirão fazer o que fazemos hoje com metade da água ou, dito de outro modo, produzir o dobro dos alimentos com a mesma água que usamos hoje.

Além destas alternativas, podemos ainda captar água diretamente dos rios para produzirmos mais com os custos energéticos mínimos da sua bombagem com recurso à energia solar.

Mas não podemos retirar toda a água aos rios para satisfazer uma agricultura intensiva desenfreada.

A captação de água diretamente do rio é realizada atualmente e será garantida com caudais ecológicos instantâneos, regulares e contínuos, apenas necessários porque as barragens deixam a seco o leito dos rios a jusante, enquanto inundam bons solos e património cultural a montante, como poderá acontecer em Constância se deixarmos que concretizem esta malfadada e abominável ideia de ali construírem um novo açude.

Está estimado que este açude e canais de distribuição de água custem 1,3 mil milhões de euros, investimento que poderia ser melhor direcionado para concretizar estas alternativas e apoiar a pequena e média exploração agrícola a colocar alimentos na nossa mesa com menos água.

São esses agricultores, com pequenas e médias explorações agrícolas, que asseguram a soberania alimentar nacional e não a agricultura intensiva que aposta na exportação.

Esta agricultura intensiva que, recorrendo ao Alqueva, alterou a paisagem cultural do Alentejo, continua a deteriorar a qualidade do seu solo, e sem solo não se produz, e que exige cada vez mais água para abastecer culturas que não são adequadas a regiões onde a escassez de água se vai instalando ao ritmo do agravamento das alterações climáticas.

Uma agricultura intensiva que destrói os ecossistemas que prestam serviços necessários à sustentabilidade e ao bem-estar das nossas Vidas.

A nossa região escolheu um modelo de desenvolvimento que salvaguarde a biodiversidade, a paisagem cultural e o bem-estar das nossas Vidas, impulsionando o turismo de natureza, náutico e cultural, a hotelaria e restauração, a gastronomia e a pesca tradicional e todas as atividades económicas, industriais, comerciais e agrícolas que protejam estes valores ecológicos e culturais.

E com este modelo faremos o que fazemos hoje, e ainda mais, com alternativas tecnológicas mais ecológicas, mais eficientes e mais económicas.

Para isso precisamos do rio Tejo e dos seus afluentes em bom estado ecológico.

E é por isso mesmo que estamos aqui hoje, uma e outra vez, e todas aquelas que forem necessárias.

Convosco, uma e outra vez!

Juntos podemos rejeitar, aqui e agora, esta proposta de um novo açude no rio Tejo em Constância / Praia do Ribatejo (VN Barquinha).

O Tejo e as populações ribeirinhas merecem!