Somos um movimento de cidadania em defesa do Tejo denominado "Movimento Pelo Tejo" (abreviadamente proTEJO) que congrega todos os cidadãos e organizações da bacia do TEJO em Portugal, trocando experiências e informação, para que se consolidem e amplifiquem as distintas actuações de organização e mobilização social.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

CONCENTRAÇÃO IBÉRICA DE CIDADÃOS “POR UM TEJO LIVRE” - CONCENTRACIÓN IBÉRICA DE CIUDADANOS “POR UN TAJO LIBRE” - IBERIAN CONCENTRATION OF CITIZENS “FOR A FREE TAGUS”

NOTA DE IMPRENSA
CONCENTRAÇÃO IBÉRICA DE CIDADÃOS
“POR UM TEJO LIVRE”
Dia Mundial da Migração dos Peixes
8º VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA
Descida de Caneiras / Santarém até Valada / Cartaxo
24 de outubro de 2020
(versión en español a continuación / english version below)  

O proTEJO celebrará o Dia Mundial da Migração dos Peixes no próximo dia 24 de outubro com a descida de canoa "8º Vogar contra a indiferença" e a concentração ibérica de cidadãos “Por Um Tejo Livre” numa demonstração contra a construção de açudes e barragens com a finalidade de reter água para consumo na agricultura intensiva, defendendo um rio livre e com dinâmica fluvial para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas.

O "8º Vogar contra a indiferença" iniciar-se-á pela manhã na aldeia avieira de Caneiras com a leitura da “Carta Contra a Indiferença” e continua com um percurso fluvial em canoa que pretende facultar uma experiência de comunhão com a beleza do património natural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial e do património cultural do rio Tejo associado à pesca tradicional no Município do Cartaxo e no Município de Santarém, em especial, as aldeias avieiras de Palhota e de Caneiras.

Este património natural e cultural do Tejo deve ser defendido pela rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens - Projeto Tejo e a Projeto de Barragem no rio Ocreza - e pela exigência de uma regulamentação daqueles que já existem de modo a garantir: um regime fluvial adequado à prática de atividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas; um estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; e uma continuidade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações.

A descida de canoa tem 50 lugares disponíveis em 25 embarcações que irão colorir o rio Tejo de todas as cores, estando as inscrições abertas até ao 15 de outubro (segunda-feira) para quem desejar descobrir o rio Tejo num percurso entre a aldeia avieira de Caneiras no município de Santarém e a bela praia fluvial de Valada no município do Cartaxo, pretendendo-se oferecer um percurso fluvial num rio Tejo livre com dinâmica fluvial.

Entre estes cidadãos conta-se uma participação muito significativa de amigos do Tejo de Espanha pertencentes à Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, esperando-se muitos participantes, como aliás é habitual, provando-se que a defesa dos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade.

A Concentração Ibérica “Por Um Tejo Livre” em celebração do Dia Mundial de Migração dos Peixes decorrerá pela tarde na praia fluvial da Valada com a apresentação do memorando “Por Um Tejo Livre”, sobre a importância de preservação de um rio Tejo livre de açudes e barragens para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas, que será apresentado aos Grupos Parlamentares, à Comissão Parlamentar do Ambiente, ao Senhor Ministro do Ambiente e Ação Climática e à Senhora Ministra da Agricultura, e a partilha de testemunhos dos cidadãos, das associações e das comunidades presentes.

Pretende-se ainda consciencializar as populações ribeirinhas para a sobre exploração da água do Tejo que se avizinha com a construção de novos açudes e barragens e a que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da Estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear, realçando ainda a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as atividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar.

Esta atividade é organizada pelo proTEJO – Movimento Pelo Tejo e conta com o apoio do Município de Cartaxo, do Município de Santarém, da União de Freguesias da Cidade de Santarém, da EcoCartaxo, dos Bombeiros Sapadores de Santarém, da Associação dos Amigos das Caneiras, da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, e da Fundação World Fish Migration Day, sendo responsável pela descida o Clube de Canoagem Scalabitano.

EVENTO DO DIA MUNDIAL DA MIGRAÇÃO DOS PEIXES - CANEIRAS - VALADA - MAPA
TRÍPTICO IMPRESSÃO – WHITE - BLACK
TRÍPTICO NET – WHITE - BLACK 

Mais informação: Paulo Constantino +351919061330

NOTA DE PRENSA
CONCENTRACIÓN IBÉRICA DE CIUDADANOS
“POR UN TAJO LIBRE”
Día Mundial de la Migración de Peces
8º BOGAR CONTRA LA INDIFERENCIA
Descenso de Caneiras / Santarém hasta Valada / Cartaxo
24 octubre 2020

proTEJO celebrará el Día Mundial de la Migración de Peces el 24 de octubre con el descenso de la canoa "8vo Bogar contra la indiferencia" y la concentración ibérica de ciudadanos "Por Un Tajo Libre" en una manifestación contra la construcción de azudes y presas con el propósito de retener el agua para el consumo en la agricultura intensiva, defendiendo un río libre con dinámica fluvial para garantizar los flujos migratorios de especies de peces, la conservación de los ecosistemas y hábitats acuáticos y el uso del río por las poblaciones ribereñas.

Lo "8ª Bogar contra la indiferencia" comienza por la mañana en el pueblo avieiro de Caneiras con la lectura de la "Carta contra la indiferencia" y continúa con un viaje por el río en piragua que tiene como objetivo proporcionar una experiencia de comunión con la belleza del patrimonio natural de un río Tajo libre con dinámica fluvial y patrimonio cultural del río Tajo asociado con la pesca tradicional en el municipio de Cartaxo y en el municipio de Santarém, en particular los pueblos avieiros de Palhota y Caneiras.
Este patrimonio natural y cultural del Tajo debe ser defendido por el rechazo de los proyectos para la construcción de nuevas presas y represas - Proyecto Tejo y Proyecto de Presa en río Ocreza - y el requisito de regulación de las que ya existen para garantizar: un régimen fluvial adecuado para la práctica de actividades náuticas y la migración y reproducción de especies de peces; un establecimiento de verdaderos caudales ecológicos; y una continuidad fluvial proporcionada por pasajes eficientes para peces y pequeñas embarcaciones.

El descenso en canoa tiene 50 lugares disponibles en 25 barcos que colorearán el río Tajo en todos los colores, y las suscripciones están abiertas hasta el 15 octubre (lunes) para aquellos que deseen descubrir el río Tajo en una ruta entre el pueblo avieiro de Caneiras en municipio de Santarém y la hermosa playa fluvial de Valada en el municipio de Cartaxo, con el objetivo de ofrecer un curso de río en un río Tajo libre con dinámica fluvial.

Entre estos ciudadanos hay una participación muy significativa de amigos del Tajo de España pertenecientes a la Red Ciudadana por una Nueva Cultura del Agua del Tajo y sus ríos, se esperan muchos participantes, como es el caso, probando que la defensa de los ríos ibéricos va más allá de las fronteras administrativas y une a los ciudadanos con los mismos problemas, independientemente de su nacionalidad.

La Concentración Ibérica "Por Un Tajo Libre" en celebración del Día Mundial de la Migración de Peces que tendrá lugar en la tarde en la playa fluvial de Valada con la presentación del memorando "Por Un Tajo Libre", sobre la importancia de preservar un río Tajo libre de azudes y represas para garantizar los flujos migratorios de especies de peces, la conservación de los ecosistemas y hábitats acuáticos y el uso del río por las poblaciones ribereñas, que se enviarán a los Grupos Parlamentarios, al Comité Parlamentario del Medio Ambiente, a la Ministra de Medio Ambiente y Acción por el Clima y a la Ministra de Agricultura, y el intercambio de testimonios de ciudadanos, asociaciones y comunidades presentes.

También tiene como objetivo sensibilizar a las poblaciones ribereñas sobre la sobreexplotación del agua del Tajo que se acerca con la construcción de nuevas presas y presas y la que ya existe en vista de la gestión económica de las presas hidroeléctricas de la Extremadura española, el agua trasvasada desde el Tajo hasta la agricultura intensiva en el sur de España y la agresión de la contaminación agrícola, industrial y nuclear, destacando también la importancia del retorno de las formas de vida vinculadas al agua y al río que las actividades de educación y turismo de naturaleza, cultural y ambiental permitirán sostener.

Esta actividad está organizada por proTEJO – Movimiento por el Tajo y cuenta con el apoyo del Ayuntamiento de Cartaxo, del Ayuntamiento de Santarém, de la Unión de Parroquias de la Ciudad de Santarém, de EcoCartaxo, de los Bomberos Zapadores de Santarém, de la Asociación de Amigos de Caneiras, de la Red Ciudadana por Una Nueva Cultura del Agua del Tajo y sus ríos, y de la Fundación World Fish Migration Day, siendo responsable del descenso el Club de Piragüismo Scalabitano.

EVENTO DEL DÍA MUNDIAL DE LA MIGRACIÓN DE LOS PECES - CANEIRAS - VALADAMAPA
TRÍPTICO IMPRESIÓN - BLANCONEGRO
TRÍPTICO INTERNET - BLANCO - NEGRO

Mas información: Paulo Constantino +351919061330

PRESS RELEASE
IBERIAN CONCENTRATION OF CITIZENS
“FOR A FREE TAGUS”
World Fish Migration Day
8º NAVIGATE AGAINST INDIFFERENCE
Descent from Caneiras / Santarém to Valada / Cartaxo
October 24th, 2020

proTEJO will celebrate World Fish Migration Day on October 24th with the descent of the canoe "8th Vow against indifference" and the Iberian concentration of citizens “For a Free Tagus” in a demonstration against the construction of weirs and dams with the purpose of retaining water for consumption in intensive agriculture and defending a free river with fluvial dynamics to ensure the migratory flows of fish species, the conservation of aquatic ecosystems and habitats and the enjoyment of the river by riverside populations.

The "8th Navigate against indifference" starts in the morning in the avieira village of Caneiras with the reading of the "Letter Against Indifference" and continues with a river trip in a canoe that aims to provide an experience of communion with the beauty of the natural heritage of a free Tagus river with river dynamics and the Tagus river cultural heritage associated with traditional fishing in the municipality of Cartaxo and in the municipality of Santarém, in particular, the avieira villages of Palhota and Caneiras. 

This natural and cultural heritage of Tagus must be defended by the rejection of the projects for the construction of new weirs and dams - Tagus Project and the Dam Project in Ocreza river - and the requirement for regulation of those that already exist in order to guarantee: a fluvial regime suitable to the practice of nautical activities and the migration and reproduction of fish species; an establishment of true ecological flows; and a river continuity provided by efficient passages for fish and small boats.

The canoe descent has 50 places available on 25 boats that will color the Tagus river in all colors, and registration is open until October 15th (Monday) for those who wish to discover the Tagus River on a route between the avieira village de Caneiras in the municipality of Santarém and the beautiful river beach of Valada in the municipality of Cartaxo, aiming to offer a river course on a free Tagus river with river dynamics.

Among these citizens there is a very significant participation of friends from the Tagus of Spain belonging to the Citizenship Network for a New Culture of Water of Tagus and its affluents, many participants are expected, as is the case, proving that the defense of the Iberian rivers goes beyond administrative borders and unites citizens with the same problems, regardless of their nationality.

The Iberian Concentration “For a Free Tagus”, in celebration of the World Fish Migration Day will take place in the afternoon on the river beach of Valada with the presentation of the memorandum “For a Free Tagus”, about importance of preserving a Tagus river free of weirs and dams to ensure the migratory flows of fish species, the conservation of aquatic ecosystems and habitats and the the enjoyment of the river by riverside populations, which will be sent to Parliamentary Groups, to the Parliamentary Environment Committee, to the Minister of Environment and Climate Action and to the Minister of Agriculture, and the sharing of testimonies from citizens, associations and communities present.

It is also intended to raise the awareness of riverside populations about the over-exploitation of the Tagus water that is approaching with the construction of new weirs and dams and the ones that already exists in view of the economic management of the hydroelectric dams of the Spanish province of Estremadura, the transfer of water from the Tagus river to intensive agriculture in the south of Spain and the aggression of agricultural, industrial and nuclear pollution, also emphasizing the importance of the return of ways of life linked to water and the river that the activities of education and tourism of nature, cultural and environmental will allow to sustain.

This activity is organized by proTEJO – Tagus Movement and has the support of the Municipality of Cartaxo, the Municipality of Santarém, the Union of Parishes of the City of Santarém, the EcoCartaxo, the Sappers Firefighters of Santarém, the Association of Friends of Caneiras, the Citizenship Network for a New Culture of the Water of Tagus river and its tributaries, and the Foundation World Fish Migration Day, being responsible for the descent the Scalabitano Canoeing Club.

WORLD FISH MIGRATION DAY EVENT - CANEIRAS - VALADA - MAP
TRIPTIC PRINT - WHITEBLACK
TRIPTIC NET - WHITE - BLACK
STICKER – LAMPREYSAFE - EELLOVE FLOWSHAPPY FISH

More information: Paulo Constantino +351919061330

terça-feira, 25 de agosto de 2020

CONVITE - REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO - 12 DE SETEMBRO DE 2020

CONVITE
REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO
12 de setembro de 2020
Exmos. Senhores
O proTEJO – Movimento Pelo Tejo vem convidá-los a estarem presentes na sua Reunião do Conselho Deliberativo que se realizará no dia 12 de setembro de 2020 (sábado) pelas 14h30m, por videoconferência na ligação https://meet.jit.si/proTEJO20200912, com a seguinte Ordem de Trabalhos:
2º Manifesto “Em Defesa dos Ativistas Ambientais” – DT nº 2;
3º Situação da poluição no rio Tejo e afluentes;
4º Programação de atividades do proTEJO:
     A. “Por Um Tejo Livre” – Dia Mundial da Migração dos Peixes – 24 de outubro – DT nº 3;
     B. Seminário “Tejo Vivo e Vivido” – Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.
5º Diversos.
Agradecemos a vossa inscrição através de resposta a este convite para realizarmos uma previsão do número de participantes necessária a uma adequada e antecipada preparação das instalações no sentido de garantir as condições de saúde e segurança para covid-19.
Esta iniciativa encontra-se aberta às organizações e aos cidadãos que referenciem como partilhando este objetivo, pelo que agradecemos que as convidem a estarem presentes.
PARTICIPEM!
SÓ COM A VOSSA PRESENÇA PODEMOS SEGUIR EM FRENTE NA DEFESA DO TEJO!
A PARTICIPAÇÃO DOS ADERENTES E O ENVOLVIMENTO DOS CONVIDADOS É UM IMPORTANTE INCENTIVO MORAL!
CONTAMOS CONVOSCO!
Como chegar?
Rotunda do Fogueteiro
Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha
(ex - Junta de Freguesia de Moita do Norte)
39°27'58.7"N 8°26'43.4"W
39.466306, -8.445389

domingo, 26 de julho de 2020

MOVIMENTO IBÉRICO ANTINUCLEAR CONTESTA O FUNCIONAMENTO DA CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ ATÉ 2028

NOTA DE IMPRENSA
26 DE JULHO DE 2020
Funcionamento da Central Nuclear de Almaraz prolongado até 2028?

O Movimento Ibérico Antinuclear entregou carta com exigências ao Governo Espanhol e caso não seja realizada uma Avaliação de Impacte Ambiental Transfronteiriça avançará com queixa à Comissão Europeia

No passado mês de Abril, o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) espanhol emitiu um parecer em que autoriza o prolongamento do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz, em Espanha, até outubro de 2028, impondo algumas condições ao seu funcionamento. Já mais recentemente, algumas notícias dão conta que o Governo Espanhol pretende realmente alargar o prazo de funcionamento desta estrutura, ignorando todos os problemas de segurança que esta apresenta. Estas posições vão, infelizmente, ao encontro do já esperado pelo Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), uma vez que a indústria do Nuclear tem exercido uma forte pressão no sentido de todas as Centrais em funcionamento em Espanha verem o seu período de vida alargado.

Para o MIA, estas notícias que têm vindo a público, relativamente à provável decisão de ser autorizada a continuação do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz pós 2020, correspondem a uma posição errada, irracional e de gravidade extrema por parte do Governo Espanhol, pois a mesma poderá viabilizar que a Central de Almaraz, totalmente envelhecida e obsoleta, continue a trabalhar e a colocar toda a Península Ibérica em risco até ao ano de 2028. A Central Nuclear de Almaraz está, atualmente, muito perto de atingir os 40 anos de idade e já deveria ter encerrado em 2010, com perto de 30 anos de funcionamento, e quando as condições de segurança já o exigiam. Contudo, esta Central, que está já a funcionar desde o início dos anos 80, acabou por não encerrar na data prevista – Junho de 2010 - devido ao facto do Governo Espanhol ter, contrariamente às anteriores intenções, prolongado o prazo de funcionamento da Central por mais 10 anos, até Junho de 2020. Agora, os cidadãos vêm-se de novo confrontados, com mais um possível adiamento do funcionamento desta Central, desta vez por mais oito anos, facto que é inadmissível e contrário a tudo aquilo que tem sido manifestado pelos cidadãos de Espanha e de Portugal. 

A Central Nuclear de Almaraz fica situada junto ao rio Tejo, na província de Cáceres, em Espanha, a cerca de 100 km da fronteira com Portugal e tem tido incidentes com regularidade, onde se incluem as duas paragens recentes dos reatores devido a avarias detetadas e existindo mesmo situações em que já foram medidos níveis de radioatividade superiores ao permitido. Portugal pode vir a ser afetado, caso ocorra um acidente grave, quer por contaminação das águas, uma vez que a central se situa numa albufeira afluente do rio Tejo, quer por contaminação atmosférica, pela grande proximidade geográfica existente. Para além disto, Portugal não revela estar minimamente preparado para lidar com um cenário deste tipo, pelo que a acontecer um acidente grave, isso traria certamente sérios impactes imediatos para toda a zona fronteiriça, em especial para os distritos de Castelo Branco e Portalegre.

No sentido de acautelar a segurança do Ambiente e das populações de ambos os lados da fronteira, o MIA entregou recentemente uma carta ao Governo Espanhol, dando conta de todos os problemas e riscos de segurança que a Central Nuclear de Almaraz apresenta, da falta de participação e de debate sobre a extensão do seu funcionamento e da sua total oposição ao prolongamento do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz até 2028. 

Caso o Governo Espanhol opte também por ignorar toda a participação e as expectativas legítimas dos cidadãos de ambos os lados da fronteira, e não realize uma Avaliação de Impacte Ambiental Transfronteiriça para legitimar a eventual continuação em funcionamento desta Central Nuclear pós 2020, o MIA irá avançar com uma queixa formal à Comissão Europeia, por incumprimento de diversas diretivas e convenções internacionais, nomeadamente o facto de não ter existido uma consulta pública, de carácter obrigatório, junto de Portugal, dado que este é um projeto susceptível de produzir um impacte significativo em território nacional.
Lisboa, 26 de Julho de 2020

A Comissão Coordenadora do MIA em Portugal
MIA - Movimento Ibérico Antinuclear 

Para mais informações, contactar:

937 788 474 - Nuno Sequeira 
966 395 014 - António Minhoto

O MIA é um movimento composto por colectivos ambientalistas e instituições de Portugal e de todo o Estado Espanhol. Em Portugal integra cerca de 30 coletivos. 

Nota: O poTEJO integra o Movimento Ibérico Antinuclear desde a sua constituição.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

proTEJO AVISA QUANTO AO RISCO DA CONTINUIDADE EM FUNCIONAMENTO DA CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ, PROPÕE A ELABORAÇÃO DE LEGISLAÇÃO QUE PROTEJA OS ATIVISTAS AMBIENTAIS E MOBILIZA-SE PELA DEFINIÇÃO DE CAUDAIS ECOLÓGICOS NOS PLANOS DE GESTÃO DA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO TEJO E “POR UM TEJO LIVRE”

NOTA DE IMPRENSA
13 de julho de 2020
proTEJO AVISA QUANTO AO RISCO DA CONTINUIDADE EM FUNCIONAMENTO DA CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ, PROPÕE A ELABORAÇÃO DE LEGISLAÇÃO QUE PROTEJA OS ATIVISTAS AMBIENTAIS E MOBILIZA-SE PELA DEFINIÇÃO DE CAUDAIS ECOLÓGICOS NOS PLANOS DE GESTÃO DA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO TEJO E “POR UM TEJO LIVRE”

O movimento proTEJO decidiu participar em ações que visem pressionar o Governo português a requerer o encerramento imediato da Central Nuclear de Almaraz ao Governo espanhol face ao fato de ser uma infraestrutura obsoleta que nos últimos dias de junho registou acidentes que levaram à paragem dos seus reatores e que se sucedem a múltiplos acidentes anteriores. 
Determinou que irá requerer a definição de caudais ecológicos em todo o rio Tejo ibérico, em especial, na fronteira (em Cedillo), na Lezíria do Tejo (na ponte de Muge) e na chegada ao estuário do Tejo, nas alegações à consulta pública das Questões Significativas da Água (QSiGA) que antecedem a elaboração do projeto dos Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo – 2022/2027.
Além disso, o proTEJO irá mobilizar e sensibilizar os cidadãos da bacia do Tejo para a defesa de um rio Tejo livre de açudes e com dinâmica fluvial adequada à preservação dos fluxos migratórios das espécies piscícolas e ao usufruto das populações ribeirinhas.

Neste sentido, o proTEJO – Movimento pelo Tejo tomou, em reunião de trabalho de 9 de julho de 2020, as seguintes decisões:

1. Participar nas ações definidas pelo Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), que o proTEJO integra, tendo em vista exigir o encerramento definitivo da Central Nuclear de Almaraz cujo prolongamento do funcionamento até 2028 foi proposto ao Governo espanhol.
Esta Central é uma infraestrutura obsoleta que coloca em risco toda a bacia do Tejo até Lisboa e, em especial, os distritos de Castelo Branco e Portalegre, na qual se têm vindo a registar sucessivos incidentes que colocam em causa a garantia da sua segurança e que recentemente levaram à paragem dos seus reatores.

2. Aprovou um manifesto que visa propor a elaboração de legislação que proteja os ativistas ambientais que ao fazerem denúncias de crimes ambientais são perseguidos com processos judiciais de intimidação por parte das empresas que os cometem. Estes processos, conhecidos como “SLAPP” (Strategic Lawsuit Against Public Participation - Ação Judicial Estratégica contra a Participação Pública), são já considerados ilegais nalguns países do mundo por limitarem e ameaçarem a liberdade de expressão.
Este manifesto será enviado para subscrição das organizações não governamentais de defesa do ambiente e, posteriormente, a todos os órgãos de soberania e decisores políticos.
Neste âmbito foi aprovado um voto de solidariedade com os cidadãos e ativistas ambientais José Cardoso Moura, Samuel Infante e Arlindo Consolado Marques, atualmente visados por processos judiciais devido às denúncias que promoveram perante as autoridades competentes.

3. Os porta vozes do proTEJO reuniram com a Senhora Ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, para conhecer da situação do estudo de viabilidade técnico financeira do “Projeto Tejo - Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Tejo e Oeste”, anunciado pelo ministro do anterior governo, tendo sido informados que se encontra em concurso público a realização de um estudo para o aproveitamento do rio Tejo numa abordagem holística que permita identificar as possibilidades de aproveitamento do rio Tejo para o desenvolvimento económico e social das regiões, que será objeto de divulgação e debate juntos dos interessados.

4. As Questões Significativas da Água (QSiGA) encontram-se em consulta pública até 15 de setembro e o proTEJO realizou uma reunião com a Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo / Tajo e seus afluentes (rede ibérica que o proTEJO integra) para coordenar posições sobre os seguintes aspetos:
a) Estabelecimento de caudais ecológicos no Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo;
Neste domínio foi acordada a tomada de uma posição conjunta até às datas limites para as respetivas consultas públicas.

6. Quanto à poluição no rio Tejo e afluentes foi abordada a informação prestada pela Agência Portuguesa do Ambiente, em resposta ao pedido de informação sobre a qualidade da água na bacia do Tejo apresentado em fevereiro, que vem validar os problemas que o proTEJO tem vindo a reportar. Além disso, foi informada a recente denúncia por ocorrência de poluição na margem esquerda do rio Tejo na sua confluência com o rio Zêzere.

7. O proTEJO encontra-se a programar a atividade “Por Um Tejo Livre”, que terá lugar no Dia Mundial da Migração dos Peixes – 24 de outubro de 2020, que pretende ser uma demonstração contra a construção de açudes e barragens com a finalidade de reter água para consumo na agricultura intensiva e um marco na defesa de um rio livre e com dinâmica fluvial para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas.
Bacia do Tejo, 13 de julho de 2020

quinta-feira, 25 de junho de 2020

CONVITE - REUNIÃO DE TRABALHO - 9 DE JULHO DE 2020

CONVITE
REUNIÃO DE TRABALHO
9 de julho de 2020
Exmos. Senhores
O proTEJO – Movimento Pelo Tejo vem convidá-los a estarem presentes na sua Reunião de Trabalho que se realizará no dia 9 de julho de 2020 (quinta-feira) pelas 21 horas, por videoconferência acessível na ligação https:/meet.jit.si/proTEJO_20200709, com a seguinte Ordem de Trabalhos:
1. Medidas para encerramento da Central Nuclear de Almaraz;
2. Manifesto de Proteção dos Ativistas Ambientais – DT nº 1;
3. Abordagem ao “Projeto Tejo - Aproveitamento Hidráulico de Fins Múltiplos do Tejo e Oeste” – Síntese da Reunião com a Senhora Ministra da Agricultura;
5. Caudais ecológicos
5.1. Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo e Convenção de Albufeira;
6. Situação da poluição no rio Tejo e afluentes – Informação da Agência Portuguesa do Ambiente – DT nº 2;
7. Atividades do proTEJO – “Por Um Tejo Livre”;
8. Diversos;
Esta iniciativa encontra-se aberta às organizações e aos cidadãos que referenciem como partilhando este objetivo, pelo que agradecemos que as convidem a estarem presentes.
PARTICIPEM!
SÓ COM A VOSSA PRESENÇA PODEMOS SEGUIR EM FRENTE NA DEFESA DO TEJO!
A PARTICIPAÇÃO DOS ADERENTES E O ENVOLVIMENTO DOS CONVIDADOS É UM IMPORTANTE INCENTIVO MORAL!
CONTAMOS CONVOSCO!

segunda-feira, 1 de junho de 2020

CARTA ABERTA “DENÚNCIA PELO RESSURGIMENTO DA POLUIÇÃO QUE CONTINUA A ASSOLAR O RIO TEJO”

NOTA DE IMPRENSA
1 de junho de 2020
CARTA ABERTA
“DENÚNCIA PELO RESSURGIMENTO DA POLUIÇÃO QUE CONTINUA A ASSOLAR O RIO TEJO”
O proTEJO – Movimento pelo Tejo denunciou hoje, dia 1 de junho de 2020, ao Senhor Ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, ao Senhor Presidente da Comissão Parlamentar de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território, José Maria Cardoso, ao Senhor Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta, e ao Senhor Inspetor-Geral da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), José Brito e Silva, a preocupante vaga de poluição que voltou a assolar o troço principal do rio Tejo.
Desde dezembro de 2019 até ao presente momento que as águas negras poluídas voltaram ao rio Tejo a partir da zona de Vila Velha de Rodão num ressurgimento de focos de poluição que em tudo se assemelham aos incidentes de poluição que ocorreram entre 2015 e 2018, conforme vídeos abaixo em informação adicional, estendendo-se para jusante de Abrantes, tendo este movimento de cidadania apresentado por este motivo várias denúncias aos Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR.
Lembramos que, no seguimento do incidente de poluição ocorrido a 24 de janeiro de 2018 em Abrantes, o Senhor Presidente da APA, Nuno Lacasta, afirmou que a análise das amostras de água recolhidas tinha permitido detetar que “os níveis de fibras de celulose – que representam a totalidade da matéria vegetal presente – estavam 5.000 vezes acima do nível recomendado”.
Conforme noticiou a comunicação social nessa ocasião “Apesar de responsabilizar todas as indústrias da pasta de papel, a montante das albufeiras de Fratel e Belver e a montante de Abrantes, pela situação denunciada no passado dia 24, Nuno Lacasta, presidente da APA, não indica a que empresas se refere. No entanto, confirmou que a Celtejo é responsável por 90% das descargas deste tipo de indústrias que chega ao rio naquela região.”
Neste sentido pretendemos obter resposta quanto à origem desta poluição e saber se as novas licenças de rejeição de efluentes emitidas estão a ser cumpridas, nomeadamente, a da empresa Celtejo, no sentido de adequar as condições de descarga do efluente tendo em atenção as condições de qualidade e quantidade das águas do rio Tejo e, tal como definido nas licenças, utilizando de forma eficaz os três regimes de funcionamento da ETAR: em período de estiagem, em período húmido e em período excecional definido em função das condições meteorológicas e/ou das condicionantes quantitativas e qualitativas do meio recetor.
Conforme já referimos, os efeitos destes incidentes de poluição persistem há mais de uma semana pelo que se observa o requisito necessário para a adoção do período excecional mais restritivo das condições de descarga do efluente tendo em atenção as condições de qualidade e quantidade do meio recetor, que deve ser imposta mediante notificação da Agência Portuguesa do Ambiente.
Mediante os fatos apresentados, o proTEJO requereu a estas entidades o seguinte:
a) Ao Senhor Ministro do Ambiente e da Ação Climática que determine à Agência Portuguesa do Ambiente e à IGAMAOT a tomada de medidas para eliminar o ressurgimento de focos de poluição no rio Tejo que em tudo se assemelham aos incidentes de poluição que ocorreram entre 2015 e 2018;
b) À Comissão Parlamentar do Ambiente que solicite audições com o senhor Ministro do Ambiente e da Ação Climática, o Senhor Presidente da Agência Portuguesa do Ambiente e o Senhor Inspetor-Geral da Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território com objetivo de apurar quais as medidas que estão a ser tomadas para eliminar o ressurgimento de focos de poluição, que no passado recente o Governo considerou como eliminados, e se estão a ser cumpridas as novas licenças de rejeição de águas residuais passadas aos agentes económicos;
c) À Agência Portuguesa do Ambiente e à IGAMAOT que acionem os meios de fiscalização necessários à identificação da origem dos focos de poluição no rio Tejo e tomem as ações necessárias à sua eliminação, bem como procedam à responsabilização dos agentes poluidores;
d) À Agência Portuguesa do Ambiente que informe se estão a ser cumpridas as novas licenças de rejeição de águas residuais passadas aos agentes económicos, nomeadamente, à empresa Celtejo, e que tome medidas para se adequarem as condições de descarga de efluentes às condições de qualidade e quantidade da água do rio Tejo, tal como definido nas licenças, utilizando de forma eficaz os três regimes de funcionamento da ETAR: em período de estiagem, em período húmido e em período excecional definido em função das condições meteorológicas e/ou das condicionantes quantitativas e qualitativas do meio recetor.
Bacia do Tejo, 1 de junho de 2020

Informação adicional:

TEJO COM CAUDAL MUITO REDUZIDO E ÁGUAS ESCURAS - 30 MAIO 2020
https://www.youtube.com/watch?v=jakoB1-BECs
RIO TEJO IMAGENS DO TRAVESSÃO DO PEGO E ORTIGA – MAÇÃO - 28 MAIO 2020
https://www.youtube.com/watch?v=2aEiZsgfM1o
RIO TEJO CONTINUA COM CAUDAL MUITO REDUZIDO E COM ÁGUAS ESCURAS - 24 DE MAIO DE 2020
https://www.youtube.com/watch?v=FwQtu2lHjQg
RIO TEJO ÁGUAS CASTANHAS E CAUDAL MUITO REDUZIDO – 22 DE MAIO DE 2020
https://www.youtube.com/watch?v=TjBlesJ4aoA
RIO TEJO COM ÁGUAS ESCURAS - 16 DE MAIO DE 2020
https://www.youtube.com/watch?v=OAV2NztJRss
TEJO ÁGUAS CASTANHAS - 13 MAIO 2020
https://www.youtube.com/watch?v=KDK9LksQLbk
RIO TEJO COM ÁGUAS SUJAS "CACHÃO CAI BODES" - 12 MAIO 2020
https://www.youtube.com/watch?v=t42x7WGaI_4
RIO TEJO BASTANTE NEGRO - ESTAÇÃO DE ORTIGA - MAÇÃO - 6 DE MAIO DE 2020
https://www.youtube.com/watch?v=t5m-M3g1xhI
POLUIÇÃO RIO TEJO - 11 FEVEREIRO 2020
https://www.youtube.com/watch?v=YEDTjyFw9RA
RIO TEJO COM ÁGUAS CASTANHAS - ABRANTES - 13 DE JANEIRO DE 2020
https://www.youtube.com/watch?v=PDJYZkKWL6w
RIO TEJO BRANCO EM ABRANTES - 13 DE JANEIRO DE 2020
https://www.youtube.com/watch?v=BV5p4pquifQ
RIO TEJO COM CAUDAL MUITO REDUZIDO - 6 DE JANEIRO DE 2020
https://www.youtube.com/watch?v=Gt-gZ1_AWIY

quinta-feira, 21 de maio de 2020

MINISTRO DO AMBIENTE E BLOCO DE ESQUERDA ACOMPANHAM A POSIÇÃO DO proTEJO QUE LAMENTOU DOIS PONTOS DA RECOMENDAÇÃO DO PARLAMENTO QUANTO À REVISÃO DA CONVENÇÃO DE ALBUFEIRA

NOTA DE IMPRENSA
21 de maio de 2020

MINISTRO DO AMBIENTE E BLOCO DE ESQUERDA ACOMPANHAM A POSIÇÃO DO proTEJO QUE LAMENTOU DOIS PONTOS DA RECOMENDAÇÃO DO PARLAMENTO QUANTO À REVISÃO DA CONVENÇÃO DE ALBUFEIRA

O Senhor Ministro do Ambiente e da Ação Climática (minuto 03:10:30) e o Bloco de Esquerda (minuto 03:49:30) manifestaram ontem, dia 20 de maio, na audição na Comissão Parlamentar do Ambiente, que acompanham a posição manifestada pelo proTEJO de lamentar dois pontos da recomendação sobre revisão da Convenção Albufeira - aprovada no passado dia 15 de maio - Projeto de Resolução 271/XIV, sendo estes os seguintes:

- "Retirar do âmbito da Convenção de Albufeira a fixação dos caudais a descarregar na zona da secção de ponte de Muge, uma vez que a gestão local dos recursos hídricos realizada em território português não é matéria de interesse ou condicionante do território espanhol", alínea c) do ponto 2;

- "Proceda ao estudo do aproveitamento hidráulico do Rio Tejo para fins múltiplos", ponto 10.

Em nota de imprensa de anteontem, dia 19 de maio, o proTEJO – Movimento pelo Tejo lamentou que estes dois pontos da recomendação abrissem caminho para se acabar com um rio Tejo Vivo e Livre e criar um desequilíbrio ecológico no seu estuário ao propor a “retirada do âmbito da Convenção de Albufeira do caudal mínimo previsto para a secção de ponte de Muge” e a realização de um estudo sobre o “Projeto Tejo - Aproveitamento hidráulico de fins múltiplos do Tejo e Oeste” – vide Nota de Imprensa.

Bacia do Tejo, 21 de maio de 2020

Informação adicional:


terça-feira, 19 de maio de 2020

proTEJO LAMENTA QUE O PARLAMENTO ABRA CAMINHO PARA SE ACABAR COM UM RIO TEJO VIVO E LIVRE E CRIAR UM DESEQUILÍBRIO ECOLÓGICO NO SEU ESTUÁRIO

NOTA DE IMPRENSA
19 de maio de 2020
proTEJO LAMENTA QUE O PARLAMENTO ABRA CAMINHO 
PARA SE ACABAR COM UM RIO TEJO VIVO E LIVRE E 
CRIAR UM DESEQUILÍBRIO ECOLÓGICO NO SEU ESTUÁRIO
O proTEJO – Movimento pelo Tejo lamenta a recomendação da Comissão Parlamentar do Ambiente da Assembleia da República para que seja revista a Convenção de Albufeira, até ao final do ano, que abre caminho para se acabar com um rio Tejo Vivo e Livre e criar um desequilíbrio ecológico no seu estuário ao propor a “retirada do âmbito da Convenção de Albufeira do caudal mínimo previsto para a secção de ponte de Muge” e a realização de um estudo sobre o “Projeto Tejo - Aproveitamento hidráulico de fins múltiplos do Tejo e Oeste”.
Com efeito, a retirada do caudal mínimo de 4.000 hm3 previsto no âmbito da Convenção para o rio Tejo na secção da ponte de Muge (1), próximo do estuário, uma das suas poucas normas com função ecológica que pretende assegurar que o rio flui com caudal suficiente até ao seu estuário e ao mar, em conjunto com a construção de 6 novos açudes de Vila Franca de Xira até Abrantes proposta pelo “Projeto Tejo - Aproveitamento hidráulico de fins múltiplos do Tejo e Oeste”, cujo estudo também é recomendado, poderá colocar em causa o transporte de nutrientes necessários à subsistência dos ecossistemas estuarinos e de sedimentos até ao estuário e mesmo até às praias da orla costeira.
Esta proposta poderá causar um irreversível impacte ambiental negativo no equilíbrio ecológico da Reserva Natural do Estuário do Tejo e apenas surge pelo fato da manutenção deste caudal mínimo na ponte de Muge previsto na Convenção de Albufeira impedir o objetivo de triplicar o consumo de água do rio Tejo destinada à expansão do regadio intensivo de 100 mil hectares para 300 mil hectares como é pretendido pelo “Projeto Tejo”.
O proTEJO já deliberou há um ano atrás, a 18 de maio de 2019 (2), rejeitar o “Projeto Tejo” que tem como objetivo principal evitar os custos energéticos na captação de águas subterrâneas destinadas ao regadio intensivo, que são abundantes e mantêm significativas disponibilidades (3), e substituí-la por água captada e distribuída por gravidade a partir dos açudes construídos no rio.
Consideramos extremamente importante a preservação dos últimos 200 km de um rio Tejo Vivo e Livre para manter uma dinâmica fluvial que atenue o impacte da subida do nível médio das águas do mar, preservar os ecossistemas aquáticos, os habitats e a biodiversidade, bem como promover um turismo de natureza e regional com base na paisagem natural do rio Tejo e na gastronomia de espécies piscícolas do rio.
Apelamos a todos os municípios da Área Metropolitana de Lisboa, a todos os municípios ribeirinhos do Tejo e aos investigadores na área do ambiente que se juntem na defesa da Reserva Natural do Estuário do Tejo e de um rio Tejo Vivo e Livre, com dinâmica fluvial, alertando que nesta recomendação foram assentes as primeiras pedras do “Projeto Tejo”.
Ainda assim, o proTEJO tudo fará para evitar a concretização do “Projeto Tejo” em virtude das suas consequências negativas em termos ambientais, nomeadamente, o fato de implicar o incumprimento da Diretiva Quadro da Água, e requererá a realização de uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) que integre o desenvolvimento de estudos de projetos alternativos, tendo em conta todas as alternativas ambiental, financeira e tecnologicamente mais eficazes, uma politica de recuperação de custos dos serviços da água e o uso adequado do erário público considerando o custo de oportunidade destes projetos.
Em contestação a este projeto apelamos aos cidadãos que, no dia 24 de outubro de 2020, em Valada/ Cartaxo, local previsto para a construção do primeiro açude, celebrem connosco o Dia Mundial da Migração dos Peixes com a concentração ibérica de cidadãos “Por Um Tejo Livre” e a descida de canoa "8º Vogar contra a indiferença" numa demonstração contra a construção de açudes e barragens com a finalidade de reter água para consumo na agricultura intensiva, defendendo um rio livre e com dinâmica fluvial para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas.
Mas existem aspetos bastante positivos nesta recomendação!
É de saudar e felicitar da Comissão Parlamentar do Ambiente da Assembleia da República pela proposta de “fixar caudais instantâneos mínimos e máximos nas zonas de fronteira entre Portugal e Espanha, num base anual trimestral, semanal e diária, que assegurem o equilíbrio ambiental e ecológico, a manutenção dos ecossistemas a jusante, bem como usos já existentes, de forma a garantir as necessidades hídricas nacionais”.
Esta medida deve ser aplicada pela realização de estudos para a determinação científica de caudais ecológicos instantâneos e definidos em m3/s, alertando-se que não nos devemos iludir com a proposta do Senhor Ministro do Ambiente de distribuir os atuais caudais semanais de 7 hm3 pelos 7 dias da semana tendo em vista obter um caudal diário de 1 hm3, o que em nada alteraria os insuficientes caudais em vigor (4), nem os reduzidos caudais que na realidade observamos no rio Tejo.
Bacia do Tejo, 19 de maio de 2020

Notas:
(1) Inclui 1.300 hm3 de caudal mínimo com origem em recursos hídricos nacionais a acrescentar aos 2.700 hm3 de caudal mínimo anual que Espanha tem de cumprir à entrada do rio Tejo em Portugal na barragem de Cedilllo.
(3) Os extensos aquíferos do Tejo, que se estendem pela Lezíria do Tejo, mantêm a mesma disponibilidade hídrica desde há 40 anos e a sua capacidade de recarga está a ser apenas parcialmente utilizada, como decorreu da apresentação sobre as disponibilidades hídricas da bacia do Tejo do professor Rodrigo Proença de Oliveira do Instituto Superior Técnico/UL em debate sobre o “Projeto Tejo” na Reunião Extraordinária do Conselho da Região Hidrográfica do Tejo e Oeste, em 25 de setembro de 2019, promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente.
(4) Continuaria a representar 13% do caudal anual de 2.700 hm3 = 7 hm3 x 52 semanas : 2.700 hm3 = 1 hm3 x 365 dias : 2.700 hm3. Vide deliberação “Revisão da Convenção de Albufeira”.