NOTA DE IMPRENSA
1 de novembro de 2019
O proTEJO IRÁ ATUAR CASO A
ANA-AEROPORTOS NÃO SEJA MAIS SENSATA QUE A AGÊNCIA PORTUGUESA DO AMBIENTE
O Movimento proTEJO compromete-se a atuar em prol da defesa da Reserva Natural do Estuário do Tejo caso a ANA-AEROPORTOS não seja mais sensata que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), rejeitando a opção pelo aeroporto do Montijo e a sua Declaração de Impacte Ambiental, e estudando as localizações alternativas com menor impacte no ambiente e na saúde humana
O proTEJO foi ontem notificado pela APA quanto à comunicação ao Proponente, a ANA, da decisão favorável condicionada ao projeto do Aeroporto do Montijo.
O movimento já tinha considerado que o processo de Avaliação de Impactes Ambientais apresentava várias desconformidades, nomeadamente, obrigatoriedade da realização de uma Avaliação Ambiental Estratégica para a solução de mobilidade internacional e aeroportuária para Lisboa, que considerasse os impactes ambientais e as externalidades negativas, nomeadamente, quanto à saúde humana e à conservação da biodiversidade.
Tal apenas seria possível mediante o estudo de localizações alternativas, em articulação com o aeroporto Humberto Delgado em Lisboa e/ou a sua eventual deslocalização, de desenvolvimento do transporte aéreo e de mobilidade, incluindo a ferrovia como alternativa parcial ao transporte aéreo.
Segundo porta-voz do proTEJO "Haveria várias opções que poderiam ter sido consolidadas e comparadas, até numa perspetiva de complementaridade com a ferrovia a nível nacional e internacional. Essas opções poderiam ser adotadas pelas companhias aéreas como complemento, mas claro, dependem da existência de uma linha ferroviária para começar".
Na nossa opinião, caberia à APA emitir uma Declaração de Impacte Ambiental Desfavorável sobre este Estudo de Impacte Ambiental, visto que está em desconformidade com os normativos legais nacionais, comunitários e internacionais, destacando-se as Diretivas Aves e Habitats, assim como outros compromissos assumidos pelo estado Português internacionalmente.

Também as infraestruturas de suporte à atividade aeronáutica e o gigantesco aumento da atividade económica levarão a uma especulação imobiliária que potenciará novas zonas edificadas nas imediações do Estuário do Tejo.
"O distúrbio nos habitats será profundo", referem os porta-vozes do movimento e acrescentam que "A destruição não acontecerá apenas com a construção da infraestrutura, mas com tudo o que a envolve, surgindo com isso os impactes para os quais não haverá mitigação assegurada pela Operadora. A destruição das zonas húmidas será real, dificilmente controlável e irreversível."
O Movimento proTEJO nota que estas zonas húmidas têm elevada importância, sobretudo no combate às alterações climáticas, visto que:
a) controlam as inundações e a erosão, através da retenção e absorção da água de grandes chuvadas, sendo que a vegetação reduz a velocidade da corrente;
b) purificam a água pela retenção das substâncias poluentes, que transformam e tornam inofensivas; e
c) alimentam os reservatórios naturais subterrâneos de água doce, que utilizamos para o consumo humano (cf. ICNF).
Por todas estas razões, o proTEJO - Movimento pelo Tejo irá atuar nas instâncias nacionais, comunitárias e internacionais, "Pela defesa de um Tejo que, apesar de tantos problemas, ainda tem joias como a Reserva Natural do Estuário do Tejo".
Bacia do Tejo, 1 de novembro de 2019
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