Somos um movimento de cidadania em defesa do Tejo denominado "Movimento Pelo Tejo" (abreviadamente proTEJO) que congrega todos os cidadãos e organizações da bacia do TEJO em Portugal, trocando experiências e informação, para que se consolidem e amplifiquem as distintas actuações de organização e mobilização social.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

O proTEJO SUBSCREVE O MANIFESTO "PARAR AS NOVAS HIDROELÉTRICAS NA EUROPA" DA WWF EUROPA

PARAR AS NOVAS HIDROELÉTRICAS NA EUROPA: O MANIFESTO
Durante décadas, construímos na Europa centrais hidroelétricas ao longo de nossos rios, danificando um dos recursos mais preciosos para a vida na Terra: a água doce. Chegou a hora de acabar com a expansão da energia hidroelétrica antes que destruamos ecossistemas inteiros e todos os serviços que eles prestam às pessoas e à natureza. A nova energia hidroelétrica traz um benefício negligenciável na transição para a neutralidade climática na União Europeia e os seus impactos irreversíveis na biodiversidade, nas paisagens e no abastecimento de água já não podem ser justificados.
ENERGIA HIDROELÉTRICA VERDE É UM MITO
Não há energia hidroelétrica sem consequências graves para os ecossistemas de água doce e para o abastecimento de água, que já estão ameaçados. Apenas 40% das águas superficiais da UE (rios, lagos, zonas húmidas, águas de transição e costeiras) estão em boas condições ecológicas e as populações de espécies migratórias de peixes de água doce diminuíram 93% na Europa desde 1970. 
A construção de centrais hidroelétricas - seja qual for o tipo - tem consequências dramáticas e negativas nos caudais dos rios, migração de peixes, perda de habitat, transporte de sedimentos e erosão, para citar apenas os seus impactos mais diretos, e que está diretamente contra os compromissos expressos na Estratégia da Biodiversidade da UE quanto à proposta de restaurar 25.000 km de rios de curso livre. 
De acordo com Jörg Freyhof, Presidente Regional do Grupo de Especialistas em Peixes de Água Doce da IUCN / WI, “as represas mudam completamente o ecossistema, transformando um rio num lago artificial e abrindo a porta para a invasão de espécies exóticas. É comparável ao corte de uma floresta tropical em termos de forte impacto negativo sobre a biodiversidade”.
Um estudo recente sobre os efeitos das barragens na bacia do Mediterrâneo mostra que a energia hidroelétrica, incluindo pequenos projetos, é o motor mais importante da potencial extinção de espécies de peixes. O estudo afirma que "caso a expansão hidroelétrica na região prossiga conforme planeado, 74% (186) de todas (251) as espécies ameaçadas de peixes de água doce serão impactadas negativamente, com 65% (163) prestes a declinar apenas devido a pequenos projetos” . Construir uma central hidroelétrica num rio é como sufocá-lo, às vezes até à morte. Não há energia hidroelétrica sustentável, nem energia hidroelétrica verde.
OS BENEFÍCIOS DAS NOVAS HIDROELÉTRICAS
NA EUROPA SÃO NEGLIGENCIÁVEIS
A contribuição da energia hidroelétrica para a transição de energia é insignificante. Mesmo se todas as mais de 6.000 usinas hidrelétricas planejadas na UE (além das 19.000+ existentes) fossem construídas, a parcela da geração de eletricidade da UE atualmente fornecida por hidroelétricas passaria de 10% para 11,2-13,9% . E essa contribuição tornar-se-á ainda menos significativa à medida que avançarmos para a eletrificação quase total por meio da energia eólica e solar - direta ou indiretamente - de setores como o transporte, o aquecimento e a indústria.
A energia hidroelétrica também perdeu sua vantagem financeira comparativa, à medida que regulamentações mais rígidas, disponibilidade de terras e reconhecimento crescente dos seus graves impactes ambientais estão a aumentar os custos, enquanto os custos de alternativas como a solar, a eólica e várias formas de armazenamento de energia estão a descer rapidamente . O potencial da energia hidroelétrica de contribuir para a mitigação das mudanças climáticas também é limitado. As emissões de carbono do ciclo de vida são geralmente subestimadas, visto que as emissões da construção das centrais e de metano são normalmente desconsideradas.  Além disso, a escassez de água pode reduzir a produção geral de energia hidroelétrica na Europa , enquanto a fragmentação do rio criada por centrais hidroelétricas reduz a capacidade dos rios lidarem com secas ou inundações, com impactes negativos na adaptação climática.


PEQUENO NÃO É BONITO
91% das usinas existentes e planeadas na Europa são de pequena dimensão, o que significa que produzem menos de 10 MW, e ainda assim produzem e terão impactes ambientais dramáticos. Conforme observado pela Estratégia Regional para Energia Hidroelétrica Sustentável nos Balcãs Ocidentais, encomendada pela Comissão Europeia (2018), “… a contribuição de pequenas centrais hidroelétricas com uma capacidade de 10 MW  ou menos para a produção global de energia é extremamente limitada, enquanto os seus impactos no ambiente são desproporcionalmente graves. ”
Apesar disso, as pequenas centrais continuam a beneficiar significativamente do financiamento público. Em 2016-2017, os Estados-Membros da UE concederam mais de 4,2 mil milhões de euros de apoio público a projetos hidroelétricos, principalmente na forma de tarifas renováveis avançadas (tarifas “feed-in”) e prémios, mas também através de certificados verdes e subsídios de investimento, com a bênção da Comissão Europeia. Em 2018, 70% do apoio às energias renováveis nos Balcãs Ocidentais foi para a hidroeletricidade de pequena escala, que gerou apenas 3,6% do fornecimento total de eletricidade. 
A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E A PROTEÇÃO DA NATUREZA
DEVEM ANDAR DE MÃO DADA
As crises do clima e da biodiversidade devem ser enfrentadas em conjunto. E, de muitas maneiras, exige a execução da mesma ação. Não podemos parar a mudança climática descontrolada - algo que por si só seria catastrófico para grande parte da vida na Terra - sem proteger e restaurar os ecossistemas naturais. Da mesma forma, não podemos ter uma transição energética sustentável alheia à natureza. A proteção do clima e da natureza devem ser tratadas em conjunto se quisermos fornecer um futuro sustentável para nosso planeta e para as sociedades humanas.
Portanto, não há sentido em construir uma central hidroelétrica para fornecer eletricidade a uma comunidade se a mesma central priva essa comunidade da sua fonte de subsistência e bem-estar: um rio saudável que fornece água potável, refresca as vilas ou cidades das suas margens, permite o crescimento das culturas, dá suporte a servidores de TI e a processos industriais e permite que as pessoas pesquem e nadem em suas águas ou percorram o seu curso.
O DESENVOLVIMENTO DE NOVAS HIDROELÉTRICAS DEVE PARAR
Exortamos as instituições da UE a deixarem de apoiar a construção de novas centrais hidroelétricas:
• O financiamento público para novas hidroelétricas precisa de parar. À luz dos compromissos no Acordo Verde Europeu (European Green Deal), os subsídios e empréstimos públicos que são prejudiciais à biodiversidade e à proteção da natureza são inaceitáveis. Em particular, a energia hidroelétrica - incluindo a pequena produção hidroelétrica - deve deixar de ser elegível para Auxílio Estatal, e as instituições financeiras da UE não devem continuar a financiar novos projetos hidroelétricos de forma nenhuma.
• O financiamento público da energia hidroelétrica deve ser redirecionado para a reabilitação das centrais existentes; para a remoção de barragens obsoletas; e para o investimento em alternativas de menor impacto, como a energia solar e eólica, combinadas com a eficiência energética, a resposta do lado da procura e as diversas formas de armazenamento de energia.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

proTEJO PARTICIPA NAS JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2020 "RIO TEJO - PATRIMÓNIO VIVO"

NOTA DE IMPRENSA
16 de setembro de 2020
proTEJO PARTICIPA NAS 
JORNADAS EUROPEIAS DO PATRIMÓNIO 2020 
"RIO TEJO - PATRIMÓNIO VIVO"
O proTEJO - Movimento pelo Tejo participará nas Jornadas Europeias do Património 2020 "Rio Tejo - Património Vivo", a realizar-se no próximo dia 26 de setembro de 2020, pelas 10h30m, na Ribeira de Santarém, Padrão de Santa Iria, para realçar a importância de um rio Tejo Vivo e Livre enquanto referência cultural das populações ribeirinhas.
Desde a criação do proTEJO, há uma década atrás, que temos como princípio "Valorizar e promover a identidade cultural e social das populações ribeirinhas do Tejo".
Assim, apelamos a todos os cidadãos para participarem e fazerem sentir que um rio Tejo Vivo e Livre é um património insubstituível, que não está à venda e não tem preço.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

proTEJO DISCORDA DA ESTRATÉGIA DO DOCUMENTO DAS QUESTÕES SIGNIFICATIVAS DA ÁGUA PARA O 3º CICLO DE PLANEAMENTO PARA 2022/2027

NOTA DE IMPRENSA
15 de setembro de 2020
proTEJO DISCORDA DA ESTRATÉGIA DO DOCUMENTO DAS QUESTÕES SIGNIFICATIVAS DA ÁGUA PARA O 3º CICLO DE PLANEAMENTO PARA 2022/2027
O proTEJO – Movimento pelo Tejo irá hoje apresentar a sua discordância com a estratégia enunciada no documento das Questões Significativas da Água para o 3º ciclo de planeamento da gestão da região hidrográfica do Tejo e das ribeiras do Oeste de 2022/2027 pelos seguintes motivos:
1º Os planos de gestão das bacias hidrográficas não têm uma estratégia consistente de atuação objetiva sobre as causas a montante dos problemas - modos de produção e consumos insustentáveis. Tendo em conta que as alterações climáticas, a poluição, a erosão costeira, (a lista é longa) ... são muito mais as consequências do que as causas que conduzem à fragmentação, fragilização e destruição de habitats pondo em causa a Sustentabilidade da Vida no seu conjunto biodiverso (o qual inclui a espécie humana). Não basta propor medidas de adaptação e mitigação dos efeitos em planos que, a cada novo ciclo, vão sendo atualizados ao sabor do aumento acelerado do número, complexidade e gravidade dos problemas, com medidas primordiais adiadas e muitas em execução permanente, saindo preferencialmente do papel aquelas que interessam aos poderes económicos instalados – como é facilmente dedutível pela análise da execução e ponto da situação o das medidas preconizadas para o PGRH do 2º ciclo.
Assim é notória a necessidade de definição clara:
- de uma Estratégia nacional para todos os sectores, que aponte para o cerne das questões que põem em causa a Sustentabilidade da Vida; e
- de Planos que deitem mãos a todas as ferramentas possíveis para pôr em marcha a Transição Ecológica que a salvaguarde.
2º A Convenção de Albufeira está obsoleta e não se vislumbra a oportunidade de uma revisão com um verdadeiro espírito de preservação ecológica dos ecossistemas da bacia hidrográfica do Tejo, pelo que deverá ser realizada a integração de caudais ecológicos determinados cientificamente nos Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo com a coordenação das administrações de ambos os países nos mesmos pontos de controlo que atualmente estão presentes na Convenção de Albufeira, Ponte de Muge e Cedillo;
3º Não apresenta as barreiras à conectividade fluvial como uma área temática das QSiGA considerando duas perspetivas: a rejeição de novas pressões com origem na construção de barragens e açudes; e a implementação rápida de um projeto de remoção e adaptação de barragens e açudes obsoletos, inoperacionais ou para as quais existam soluções alternativas à sua utilização;
4º Não realça, na área temática da Biodiversidade e nas ameaças às alterações das comunidades da fauna e da flora, das pressões significativas que dizem respeito às espécies piscícolas autóctones de água doce, em especial, às espécies migratórias, sendo conhecido que as populações monitorizadas de peixes de água doce migratórios diminuíram na Europa em média 93%, em consonância com o declínio geral observado para as populações de vertebrados de água doce como um todo, de 83%;
5º A área temática de Gestão dos Riscos não considerou como questão significativa a Contaminação Radiológica, ignorando os riscos de acidente nuclear do prolongamento da vida útil da Central Nuclear de Almaraz até 2028 e o conteúdo dos relatórios do Laboratório de Proteção e Segurança Radiológica do Campus Tecnológico Nuclear do Instituto Superior Técnico que têm vindo a reconhecer que existem níveis de radioatividade artificial no rio Tejo superiores aos que naturalmente são observados noutros rios (Zêzere, Mondego e Douro) que não suportam centrais nucleares e que indicam poderem estar relacionados com o funcionamento da Central Nuclear.
A título conclusivo, o proTEJO decidiu apresentar os seus pontos de discordância quanto ao documento das Questões Significativas da Água apresentado pela Agência Portuguesa do Ambiente e apenas apresentará, perante esta entidade, as suas alegações por uma questão de responsabilidade cidadã.
A Vida que o Tejo sustenta merece mais!
Bacia do Tejo, 15 de setembro de 2020

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

proTEJO LAMENTA A POSIÇÃO DE APOIO AO PROJETO TEJO POR PARTE DE NUNO RUSSO, SECRETÁRIO DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO DESENVOLVIMENTO RURAL, SEM SUPORTE EM QUALQUER ESTUDO SOBRE USOS ECOLOGICAMENTE SUSTENTÁVEIS DO RIO TEJO QUE VEM CONTRADIZER A POSIÇÃO TRANSMITIDA AO proTEJO POR MARIA DO CÉU ANTUNES, MINISTRA DA AGRICULTURA

NOTA DE IMPRENSA
14 de setembro de 2020
proTEJO LAMENTA A POSIÇÃO DE APOIO AO PROJETO TEJO POR PARTE DE NUNO RUSSO, SECRETÁRIO DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO DESENVOLVIMENTO RURAL, SEM SUPORTE EM QUALQUER ESTUDO SOBRE USOS ECOLOGICAMENTE SUSTENTÁVEIS DO RIO TEJO QUE VEM CONTRADIZER A POSIÇÃO TRANSMITIDA AO proTEJO POR MARIA DO CÉU ANTUNES, MINISTRA DA AGRICULTURA
O proTEJO – Movimento pelo Tejo lamenta a posição de apoio ao “Projeto Tejo - Aproveitamento hidráulico de fins múltiplos do Tejo e Oeste” de Nuno Tiago Russo, Secretário de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, ao afirmar "Quero acreditar que o Projeto Tejo será uma realidade no futuro" e que vai ser realizada a "abertura de um Concurso Público, para a aquisição de serviços para a elaboração do estudo, que terá como objetivos aferir o potencial hidroagrícola do Vale do Tejo e Oeste através do regadio, avaliar as possíveis soluções a adotar para a captação, armazenamento, transporte e distribuição de água, de forma tecnicamente adequada, ambientalmente sustentável, economicamente viável e socialmente justa." na sequência da pergunta "Acha que o projeto do “Alqueva no Tejo” algum dia será realidade?".
Esta posição do Senhor Secretário de Estado não tem suporte em qualquer estudo sobre usos ecologicamente sustentáveis do rio Tejo já realizados e vem contradizer a posição transmitida ao proTEJO – Movimento em defesa do Tejo por Maria do Céu Antunes, atual Ministra da Agricultura, de que seria realizado um estudo holístico sobre o uso do rio Tejo e não sobre o Projeto Tejo.
Será de todo imprescindível que o Senhor Secretário de Estado, Nuno Russo, se venha retratar publicamente e reconsiderar este apoio incondicional ao “Projeto Tejo” visto que está a colocar em causa a veracidade das afirmações da Senhora Ministra da Agricultura Maria do Céu Antunes, pessoa que respeitamos e conhecemos pela credibilidade e honorabilidade da sua palavra.
Caso esta retratação pública e retirada do apoio incondicional do Senhor Secretário de Estado ao Projeto Tejo não venha a acontecer assumiremos a partir desse momento que a sua posição é extensível a toda a área governativa do Ministério da Agricultura, inclusive à Senhora Ministra da Agricultura.
O rio Tejo merece ser preservado ecologicamente e não apenas ser utilizado politicamente para satisfazer os lobbies do setor agrícola!
Bacia do Tejo, 14 de setembro de 2020
Nota:

terça-feira, 1 de setembro de 2020

O proTEJO CELEBRARÁ O DIA MUNDIAL DA MIGRAÇÃO DOS PEIXES COM A CONCENTRAÇÃO IBÉRICA DE CIDADÃOS “POR UM TEJO LIVRE” E A DESCIDA DE CANOA "8º VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA"

NOTA DE IMPRENSA
CONCENTRAÇÃO IBÉRICA DE CIDADÃOS
“POR UM TEJO LIVRE”
Dia Mundial da Migração dos Peixes
e
8º VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA
Descida de Caneiras / Santarém até Valada / Cartaxo
24 de outubro de 2020
O proTEJO celebrará o Dia Mundial da Migração dos Peixes no próximo dia 24 de outubro com a concentração ibérica de cidadãos “Por Um Tejo Livre” e a descida de canoa "8º Vogar contra a indiferença" numa demonstração contra a construção de açudes e barragens com a finalidade de reter água para consumo na agricultura intensiva e defendendo um rio livre e com dinâmica fluvial para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas.
A Concentração Ibérica “Por Um Tejo Livre” em celebração do Dia Mundial de Migração dos Peixes decorrerá pela manhã na praia fluvial da Valada com a apresentação do memorando “Por Um Tejo Livre”, sobre a importância de preservação de um rio Tejo livre de açudes e barragens para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas, que será enviado aos Grupos Parlamentares, à Comissão Parlamentar do Ambiente, ao Senhor Ministro do Ambiente e Ação Climática João Pedro Matos Fernandes e à Senhora Ministra da Agricultura Maria do Céu Albuquerque, e a partilha de testemunhos dos cidadãos, das associações e das comunidades presentes.
O "8º Vogar contra a indiferença" iniciar-se-á imediatamente a seguir ao almoço convívio em restaurante ou em picnic, à escolha dos participantes, procedendo-se à leitura da Carta Contra a Indiferença na qual se evidencia a necessidade de defender um rio Tejo livre com dinâmica fluvial pela rejeição dos novos projetos de construção de novos açudes e barragens - Projeto Tejo e a Barragem do Alvito - e pela exigência de uma regulamentação daqueles que já existem de modo a garantir: um regime fluvial adequado à prática de atividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas; um estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; e uma continuidade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações.
Pretende-se ainda consciencializar as populações ribeirinhas para a sobre exploração da água do Tejo que se avizinha com a construção de novos açudes e barragens e a que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear, realçando ainda a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as atividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar.
A descida de canoa conta já com 50 pessoas inscritas em 25 embarcações que irão colorir o rio Tejo de todas as cores, estando as inscrições ainda abertas até ao próximo dia 17 de outubro (domingo) para quem desejar descobrir o rio Tejo num percurso entre a aldeia avieira de Caneiras no município de Santarém e a bela praia fluvial de Valada no município do Cartaxo, pretendendo-se realçar durante este percurso fluvial a beleza do património natural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial e do património cultural do rio Tejo associado à pesca tradicional.
Entre estes cidadãos conta-se uma participação muito significativa de amigos do Tejo de Espanha pertencentes à Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, sendo muitos os inscritos, como aliás é habitual, provando-se que a defesa dos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade.
Esta atividade é organizada pelo proTEJO – Movimento Pelo Tejo e conta com o apoio do Município de Cartaxo (a confirmar), da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes e da EcoCartaxo, tendo como responsável pela descida o Centro de Canoagem Scalabitano (a confirmar).
Bacia do Tejo, 1 de setembro de 2020

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

CONCENTRAÇÃO IBÉRICA DE CIDADÃOS “POR UM TEJO LIVRE” - CONCENTRACIÓN IBÉRICA DE CIUDADANOS “POR UN TAJO LIBRE” - IBERIAN CONCENTRATION OF CITIZENS “FOR A FREE TAGUS”

NOTA DE IMPRENSA
CONCENTRAÇÃO IBÉRICA DE CIDADÃOS
“POR UM TEJO LIVRE”
Dia Mundial da Migração dos Peixes
8º VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA
Descida de Caneiras / Santarém até Valada / Cartaxo
24 de outubro de 2020
(versión en español a continuación / english version below)  

O proTEJO celebrará o Dia Mundial da Migração dos Peixes no próximo dia 24 de outubro com a descida de canoa "8º Vogar contra a indiferença" e a concentração ibérica de cidadãos “Por Um Tejo Livre” numa demonstração contra a construção de açudes e barragens com a finalidade de reter água para consumo na agricultura intensiva, defendendo um rio livre e com dinâmica fluvial para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas.

O "8º Vogar contra a indiferença" iniciar-se-á pela manhã na aldeia avieira de Caneiras com a leitura da “Carta Contra a Indiferença” e continua com um percurso fluvial em canoa que pretende facultar uma experiência de comunhão com a beleza do património natural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial e do património cultural do rio Tejo associado à pesca tradicional no Município do Cartaxo e no Município de Santarém, em especial, as aldeias avieiras de Palhota e de Caneiras.

Este património natural e cultural do Tejo deve ser defendido pela rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens - Projeto Tejo e a Projeto de Barragem no rio Ocreza - e pela exigência de uma regulamentação daqueles que já existem de modo a garantir: um regime fluvial adequado à prática de atividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas; um estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; e uma continuidade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações.

A descida de canoa tem 50 lugares disponíveis em 25 embarcações que irão colorir o rio Tejo de todas as cores, estando as inscrições abertas até ao 15 de outubro (segunda-feira) para quem desejar descobrir o rio Tejo num percurso entre a aldeia avieira de Caneiras no município de Santarém e a bela praia fluvial de Valada no município do Cartaxo, pretendendo-se oferecer um percurso fluvial num rio Tejo livre com dinâmica fluvial.

Entre estes cidadãos conta-se uma participação muito significativa de amigos do Tejo de Espanha pertencentes à Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, esperando-se muitos participantes, como aliás é habitual, provando-se que a defesa dos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade.

A Concentração Ibérica “Por Um Tejo Livre” em celebração do Dia Mundial de Migração dos Peixes decorrerá pela tarde na praia fluvial da Valada com a apresentação do memorando “Por Um Tejo Livre”, sobre a importância de preservação de um rio Tejo livre de açudes e barragens para assegurar os fluxos migratórios das espécies piscícolas, a conservação dos ecossistemas e habitats aquáticos e o usufruto do rio pelas populações ribeirinhas, que será apresentado aos Grupos Parlamentares, à Comissão Parlamentar do Ambiente, ao Senhor Ministro do Ambiente e Ação Climática e à Senhora Ministra da Agricultura, e a partilha de testemunhos dos cidadãos, das associações e das comunidades presentes.

Pretende-se ainda consciencializar as populações ribeirinhas para a sobre exploração da água do Tejo que se avizinha com a construção de novos açudes e barragens e a que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da Estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear, realçando ainda a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as atividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar.

Esta atividade é organizada pelo proTEJO – Movimento Pelo Tejo e conta com o apoio do Município de Cartaxo, do Município de Santarém, da União de Freguesias da Cidade de Santarém, da EcoCartaxo, dos Bombeiros Sapadores de Santarém, da Associação dos Amigos das Caneiras, da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, e da Fundação World Fish Migration Day, sendo responsável pela descida o Clube de Canoagem Scalabitano.

EVENTO DO DIA MUNDIAL DA MIGRAÇÃO DOS PEIXES - CANEIRAS - VALADA - MAPA
TRÍPTICO IMPRESSÃO – WHITE - BLACK
TRÍPTICO NET – WHITE - BLACK 

Mais informação: Paulo Constantino +351919061330

NOTA DE PRENSA
CONCENTRACIÓN IBÉRICA DE CIUDADANOS
“POR UN TAJO LIBRE”
Día Mundial de la Migración de Peces
8º BOGAR CONTRA LA INDIFERENCIA
Descenso de Caneiras / Santarém hasta Valada / Cartaxo
24 octubre 2020

proTEJO celebrará el Día Mundial de la Migración de Peces el 24 de octubre con el descenso de la canoa "8vo Bogar contra la indiferencia" y la concentración ibérica de ciudadanos "Por Un Tajo Libre" en una manifestación contra la construcción de azudes y presas con el propósito de retener el agua para el consumo en la agricultura intensiva, defendiendo un río libre con dinámica fluvial para garantizar los flujos migratorios de especies de peces, la conservación de los ecosistemas y hábitats acuáticos y el uso del río por las poblaciones ribereñas.

Lo "8ª Bogar contra la indiferencia" comienza por la mañana en el pueblo avieiro de Caneiras con la lectura de la "Carta contra la indiferencia" y continúa con un viaje por el río en piragua que tiene como objetivo proporcionar una experiencia de comunión con la belleza del patrimonio natural de un río Tajo libre con dinámica fluvial y patrimonio cultural del río Tajo asociado con la pesca tradicional en el municipio de Cartaxo y en el municipio de Santarém, en particular los pueblos avieiros de Palhota y Caneiras.
Este patrimonio natural y cultural del Tajo debe ser defendido por el rechazo de los proyectos para la construcción de nuevas presas y represas - Proyecto Tejo y Proyecto de Presa en río Ocreza - y el requisito de regulación de las que ya existen para garantizar: un régimen fluvial adecuado para la práctica de actividades náuticas y la migración y reproducción de especies de peces; un establecimiento de verdaderos caudales ecológicos; y una continuidad fluvial proporcionada por pasajes eficientes para peces y pequeñas embarcaciones.

El descenso en canoa tiene 50 lugares disponibles en 25 barcos que colorearán el río Tajo en todos los colores, y las suscripciones están abiertas hasta el 15 octubre (lunes) para aquellos que deseen descubrir el río Tajo en una ruta entre el pueblo avieiro de Caneiras en municipio de Santarém y la hermosa playa fluvial de Valada en el municipio de Cartaxo, con el objetivo de ofrecer un curso de río en un río Tajo libre con dinámica fluvial.

Entre estos ciudadanos hay una participación muy significativa de amigos del Tajo de España pertenecientes a la Red Ciudadana por una Nueva Cultura del Agua del Tajo y sus ríos, se esperan muchos participantes, como es el caso, probando que la defensa de los ríos ibéricos va más allá de las fronteras administrativas y une a los ciudadanos con los mismos problemas, independientemente de su nacionalidad.

La Concentración Ibérica "Por Un Tajo Libre" en celebración del Día Mundial de la Migración de Peces que tendrá lugar en la tarde en la playa fluvial de Valada con la presentación del memorando "Por Un Tajo Libre", sobre la importancia de preservar un río Tajo libre de azudes y represas para garantizar los flujos migratorios de especies de peces, la conservación de los ecosistemas y hábitats acuáticos y el uso del río por las poblaciones ribereñas, que se enviarán a los Grupos Parlamentarios, al Comité Parlamentario del Medio Ambiente, a la Ministra de Medio Ambiente y Acción por el Clima y a la Ministra de Agricultura, y el intercambio de testimonios de ciudadanos, asociaciones y comunidades presentes.

También tiene como objetivo sensibilizar a las poblaciones ribereñas sobre la sobreexplotación del agua del Tajo que se acerca con la construcción de nuevas presas y presas y la que ya existe en vista de la gestión económica de las presas hidroeléctricas de la Extremadura española, el agua trasvasada desde el Tajo hasta la agricultura intensiva en el sur de España y la agresión de la contaminación agrícola, industrial y nuclear, destacando también la importancia del retorno de las formas de vida vinculadas al agua y al río que las actividades de educación y turismo de naturaleza, cultural y ambiental permitirán sostener.

Esta actividad está organizada por proTEJO – Movimiento por el Tajo y cuenta con el apoyo del Ayuntamiento de Cartaxo, del Ayuntamiento de Santarém, de la Unión de Parroquias de la Ciudad de Santarém, de EcoCartaxo, de los Bomberos Zapadores de Santarém, de la Asociación de Amigos de Caneiras, de la Red Ciudadana por Una Nueva Cultura del Agua del Tajo y sus ríos, y de la Fundación World Fish Migration Day, siendo responsable del descenso el Club de Piragüismo Scalabitano.

EVENTO DEL DÍA MUNDIAL DE LA MIGRACIÓN DE LOS PECES - CANEIRAS - VALADAMAPA
TRÍPTICO IMPRESIÓN - BLANCONEGRO
TRÍPTICO INTERNET - BLANCO - NEGRO

Mas información: Paulo Constantino +351919061330

PRESS RELEASE
IBERIAN CONCENTRATION OF CITIZENS
“FOR A FREE TAGUS”
World Fish Migration Day
8º NAVIGATE AGAINST INDIFFERENCE
Descent from Caneiras / Santarém to Valada / Cartaxo
October 24th, 2020

proTEJO will celebrate World Fish Migration Day on October 24th with the descent of the canoe "8th Vow against indifference" and the Iberian concentration of citizens “For a Free Tagus” in a demonstration against the construction of weirs and dams with the purpose of retaining water for consumption in intensive agriculture and defending a free river with fluvial dynamics to ensure the migratory flows of fish species, the conservation of aquatic ecosystems and habitats and the enjoyment of the river by riverside populations.

The "8th Navigate against indifference" starts in the morning in the avieira village of Caneiras with the reading of the "Letter Against Indifference" and continues with a river trip in a canoe that aims to provide an experience of communion with the beauty of the natural heritage of a free Tagus river with river dynamics and the Tagus river cultural heritage associated with traditional fishing in the municipality of Cartaxo and in the municipality of Santarém, in particular, the avieira villages of Palhota and Caneiras. 

This natural and cultural heritage of Tagus must be defended by the rejection of the projects for the construction of new weirs and dams - Tagus Project and the Dam Project in Ocreza river - and the requirement for regulation of those that already exist in order to guarantee: a fluvial regime suitable to the practice of nautical activities and the migration and reproduction of fish species; an establishment of true ecological flows; and a river continuity provided by efficient passages for fish and small boats.

The canoe descent has 50 places available on 25 boats that will color the Tagus river in all colors, and registration is open until October 15th (Monday) for those who wish to discover the Tagus River on a route between the avieira village de Caneiras in the municipality of Santarém and the beautiful river beach of Valada in the municipality of Cartaxo, aiming to offer a river course on a free Tagus river with river dynamics.

Among these citizens there is a very significant participation of friends from the Tagus of Spain belonging to the Citizenship Network for a New Culture of Water of Tagus and its affluents, many participants are expected, as is the case, proving that the defense of the Iberian rivers goes beyond administrative borders and unites citizens with the same problems, regardless of their nationality.

The Iberian Concentration “For a Free Tagus”, in celebration of the World Fish Migration Day will take place in the afternoon on the river beach of Valada with the presentation of the memorandum “For a Free Tagus”, about importance of preserving a Tagus river free of weirs and dams to ensure the migratory flows of fish species, the conservation of aquatic ecosystems and habitats and the the enjoyment of the river by riverside populations, which will be sent to Parliamentary Groups, to the Parliamentary Environment Committee, to the Minister of Environment and Climate Action and to the Minister of Agriculture, and the sharing of testimonies from citizens, associations and communities present.

It is also intended to raise the awareness of riverside populations about the over-exploitation of the Tagus water that is approaching with the construction of new weirs and dams and the ones that already exists in view of the economic management of the hydroelectric dams of the Spanish province of Estremadura, the transfer of water from the Tagus river to intensive agriculture in the south of Spain and the aggression of agricultural, industrial and nuclear pollution, also emphasizing the importance of the return of ways of life linked to water and the river that the activities of education and tourism of nature, cultural and environmental will allow to sustain.

This activity is organized by proTEJO – Tagus Movement and has the support of the Municipality of Cartaxo, the Municipality of Santarém, the Union of Parishes of the City of Santarém, the EcoCartaxo, the Sappers Firefighters of Santarém, the Association of Friends of Caneiras, the Citizenship Network for a New Culture of the Water of Tagus river and its tributaries, and the Foundation World Fish Migration Day, being responsible for the descent the Scalabitano Canoeing Club.

WORLD FISH MIGRATION DAY EVENT - CANEIRAS - VALADA - MAP
TRIPTIC PRINT - WHITEBLACK
TRIPTIC NET - WHITE - BLACK
STICKER – LAMPREYSAFE - EELLOVE FLOWSHAPPY FISH

More information: Paulo Constantino +351919061330

terça-feira, 25 de agosto de 2020

CONVITE - REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO - 12 DE SETEMBRO DE 2020

CONVITE
REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO
12 de setembro de 2020
Exmos. Senhores
O proTEJO – Movimento Pelo Tejo vem convidá-los a estarem presentes na sua Reunião do Conselho Deliberativo que se realizará no dia 12 de setembro de 2020 (sábado) pelas 14h30m, por videoconferência na ligação https://meet.jit.si/proTEJO20200912, com a seguinte Ordem de Trabalhos:
2º Manifesto “Em Defesa dos Ativistas Ambientais” – DT nº 2;
3º Situação da poluição no rio Tejo e afluentes;
4º Programação de atividades do proTEJO:
     A. “Por Um Tejo Livre” – Dia Mundial da Migração dos Peixes – 24 de outubro – DT nº 3;
     B. Seminário “Tejo Vivo e Vivido” – Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.
5º Diversos.
Agradecemos a vossa inscrição através de resposta a este convite para realizarmos uma previsão do número de participantes necessária a uma adequada e antecipada preparação das instalações no sentido de garantir as condições de saúde e segurança para covid-19.
Esta iniciativa encontra-se aberta às organizações e aos cidadãos que referenciem como partilhando este objetivo, pelo que agradecemos que as convidem a estarem presentes.
PARTICIPEM!
SÓ COM A VOSSA PRESENÇA PODEMOS SEGUIR EM FRENTE NA DEFESA DO TEJO!
A PARTICIPAÇÃO DOS ADERENTES E O ENVOLVIMENTO DOS CONVIDADOS É UM IMPORTANTE INCENTIVO MORAL!
CONTAMOS CONVOSCO!
Como chegar?
Rotunda do Fogueteiro
Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha
(ex - Junta de Freguesia de Moita do Norte)
39°27'58.7"N 8°26'43.4"W
39.466306, -8.445389

domingo, 26 de julho de 2020

MOVIMENTO IBÉRICO ANTINUCLEAR CONTESTA O FUNCIONAMENTO DA CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ ATÉ 2028

NOTA DE IMPRENSA
26 DE JULHO DE 2020
Funcionamento da Central Nuclear de Almaraz prolongado até 2028?

O Movimento Ibérico Antinuclear entregou carta com exigências ao Governo Espanhol e caso não seja realizada uma Avaliação de Impacte Ambiental Transfronteiriça avançará com queixa à Comissão Europeia

No passado mês de Abril, o Conselho de Segurança Nuclear (CSN) espanhol emitiu um parecer em que autoriza o prolongamento do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz, em Espanha, até outubro de 2028, impondo algumas condições ao seu funcionamento. Já mais recentemente, algumas notícias dão conta que o Governo Espanhol pretende realmente alargar o prazo de funcionamento desta estrutura, ignorando todos os problemas de segurança que esta apresenta. Estas posições vão, infelizmente, ao encontro do já esperado pelo Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), uma vez que a indústria do Nuclear tem exercido uma forte pressão no sentido de todas as Centrais em funcionamento em Espanha verem o seu período de vida alargado.

Para o MIA, estas notícias que têm vindo a público, relativamente à provável decisão de ser autorizada a continuação do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz pós 2020, correspondem a uma posição errada, irracional e de gravidade extrema por parte do Governo Espanhol, pois a mesma poderá viabilizar que a Central de Almaraz, totalmente envelhecida e obsoleta, continue a trabalhar e a colocar toda a Península Ibérica em risco até ao ano de 2028. A Central Nuclear de Almaraz está, atualmente, muito perto de atingir os 40 anos de idade e já deveria ter encerrado em 2010, com perto de 30 anos de funcionamento, e quando as condições de segurança já o exigiam. Contudo, esta Central, que está já a funcionar desde o início dos anos 80, acabou por não encerrar na data prevista – Junho de 2010 - devido ao facto do Governo Espanhol ter, contrariamente às anteriores intenções, prolongado o prazo de funcionamento da Central por mais 10 anos, até Junho de 2020. Agora, os cidadãos vêm-se de novo confrontados, com mais um possível adiamento do funcionamento desta Central, desta vez por mais oito anos, facto que é inadmissível e contrário a tudo aquilo que tem sido manifestado pelos cidadãos de Espanha e de Portugal. 

A Central Nuclear de Almaraz fica situada junto ao rio Tejo, na província de Cáceres, em Espanha, a cerca de 100 km da fronteira com Portugal e tem tido incidentes com regularidade, onde se incluem as duas paragens recentes dos reatores devido a avarias detetadas e existindo mesmo situações em que já foram medidos níveis de radioatividade superiores ao permitido. Portugal pode vir a ser afetado, caso ocorra um acidente grave, quer por contaminação das águas, uma vez que a central se situa numa albufeira afluente do rio Tejo, quer por contaminação atmosférica, pela grande proximidade geográfica existente. Para além disto, Portugal não revela estar minimamente preparado para lidar com um cenário deste tipo, pelo que a acontecer um acidente grave, isso traria certamente sérios impactes imediatos para toda a zona fronteiriça, em especial para os distritos de Castelo Branco e Portalegre.

No sentido de acautelar a segurança do Ambiente e das populações de ambos os lados da fronteira, o MIA entregou recentemente uma carta ao Governo Espanhol, dando conta de todos os problemas e riscos de segurança que a Central Nuclear de Almaraz apresenta, da falta de participação e de debate sobre a extensão do seu funcionamento e da sua total oposição ao prolongamento do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz até 2028. 

Caso o Governo Espanhol opte também por ignorar toda a participação e as expectativas legítimas dos cidadãos de ambos os lados da fronteira, e não realize uma Avaliação de Impacte Ambiental Transfronteiriça para legitimar a eventual continuação em funcionamento desta Central Nuclear pós 2020, o MIA irá avançar com uma queixa formal à Comissão Europeia, por incumprimento de diversas diretivas e convenções internacionais, nomeadamente o facto de não ter existido uma consulta pública, de carácter obrigatório, junto de Portugal, dado que este é um projeto susceptível de produzir um impacte significativo em território nacional.
Lisboa, 26 de Julho de 2020

A Comissão Coordenadora do MIA em Portugal
MIA - Movimento Ibérico Antinuclear 

Para mais informações, contactar:

937 788 474 - Nuno Sequeira 
966 395 014 - António Minhoto

O MIA é um movimento composto por colectivos ambientalistas e instituições de Portugal e de todo o Estado Espanhol. Em Portugal integra cerca de 30 coletivos. 

Nota: O poTEJO integra o Movimento Ibérico Antinuclear desde a sua constituição.