Somos um movimento de cidadania em defesa do Tejo denominado "Movimento Pelo Tejo" (abreviadamente proTEJO) que congrega todos os cidadãos e organizações da bacia do TEJO em Portugal, trocando experiências e informação, para que se consolidem e amplifiquem as distintas actuações de organização e mobilização social.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

"O proTEJO apoia o PRO~RIOS 2030 — mas exige que seja mais do que quilómetros executados e denuncia duas contradições fatais: restaurar rios enquanto se envenenam e se aprisionam"

 

NOTA DE IMPRENSA

Bacia do Tejo, 18 de maio de 2026

Consulta Pública PRO~RIOS 2030 | APA

O proTEJO apoia o PRO~RIOS 2030 — mas exige que seja mais do que quilómetros executados e denuncia duas contradições fatais: restaurar rios enquanto se envenenam e se aprisionam

O Movimento pelo Tejo apoia os objetivos do PRO~RIOS 2030, mas exige resultados ecológicos verificáveis e alerta para 24 riscos que podem fazer naufragar 180 milhões de euros.

E alerta: com apenas 47% das massas de água em 'Bom' estado ecológico, o programa restaura troços sem os proteger da poluição que que ataca a Vida e planeia fazê-lo enquanto a estratégia 'Água que une' e o 'Projeto Tejo' se propõem a construir novas barreiras em troços de rios livres.

O proTEJO — Movimento pelo Tejo entregou hoje, último dia da consulta pública, a sua participação no PRO~RIOS 2030. A posição é de concordância com os objetivos do programa — e de crítica frontal às duas contradições estruturais que podem comprometer a sua eficácia ecológica real.

O proTEJO reconhece o mérito do PRO~RIOS: 2.100 km de rios intervencionados entre 2017-2025, 180 M€ mobilizados e uma abordagem que transita da gestão hidráulica convencional para o restauro ecológico baseado na natureza. A posição é de concordância com os objetivos e orientação geral do programa — mas é acompanhada de um conjunto exigente de sugestões de melhoria e de um mapeamento detalhado dos riscos que podem comprometer a sua eficácia real.

"O PRO~RIOS é um passo na direção certa representando uma mudança de paradigma genuína, da gestão hidráulica convencional para o restauro ecológico baseado na natureza. Contudo, um programa que mede o sucesso em quilómetros intervencionados sem verificar se os rios melhoraram ecologicamente, arrisca-se a executar obras sem restaurar rios."

 

"Um programa que mede sucesso em quilómetros sem verificar resultados ecológicos, arrisca-se a executar obras sem restaurar rios."

 

O que o proTEJO apoia no PRO~RIOS

O proTEJO reconhece o mérito estratégico deste programa que apresenta um historial credível — 2.100 km de rios e ribeiras intervencionados entre 2017 e 2025 — e uma meta ambiciosa de 1.500 km até 2030. O PRO~RIOS mobiliza 180 milhões de euros e alinha-se com as obrigações do Regulamento (UE) 2024/1991 sobre o Restauro da Natureza, que exige a restauração de 25.000 km de rios livres na Europa até 2030.

A estruturação em cinco eixos de intervenção — renaturalização, remoção de barreiras, controlo de invasoras, valorização territorial e monitorização —, a transparência do Painel de Monitorização Geográfica (dashboard) digital público (proriosgeo.apambiente.pt) e o modelo de governança descentralizado, que inclui municípios, associações e investigadores, são elementos de uma arquitetura programática sólida que importa preservar e reforçar.

 

O proTEJO saúda, em especial, a inclusão do projeto Let Alviela Run

A remoção da barragem de Sourinho no rio Alviela — integrada no PRO~RIOS e em execução desde 2025 — é precisamente o tipo de intervenção de alto impacto ecológico que o programa deve privilegiar e replicar: restaura a conectividade fluvial, permite a passagem de espécies migradoras como a lampreia e o sável, e demonstra que Portugal pode e deve cumprir as obrigações do Artigo 9.º do Regulamento de Restauro da Natureza.

O que o proTEJO exige que mude

A participação pública do proTEJO identificou 29 melhorias concretas organizadas em oito dimensões, das quais se destacam cinco como prioritárias:

 

1. Substituir a métrica de quilómetros por indicadores de resultado ecológico

Medir 300 km de intervenções por ano não diz nada sobre o estado ecológico dos rios. O proTEJO propõe que o PRO~RIOS adote indicadores obrigatórios de resultado: variação do estado ecológico das massas de água intervencionadas, recuperação de conectividade fluvial, evolução da qualidade biológica e regresso de espécies-alvo como o sável, a lampreia ou a lontra. A métrica de extensão mantém-se como indicador de processo — mas não pode ser o único indicador de desempenho.

 

2. Criar um protocolo obrigatório de monitorização pós-intervenção

Não existe hoje qualquer protocolo sistemático que avalie se as intervenções realizadas produziram melhoria ecológica real. O proTEJO propõe monitorização anual nos primeiros três anos e bienal até ao ano 10, com relatório público integrado no Painel de Monitorização Geográfica (dashboard). Sem memória, não há aprendizagem. Sem aprendizagem, o programa está condenado a repetir os seus erros.

 

3. Corrigir o desequilíbrio geográfico que prejudica os rios mais degradados

As regiões hidrográficas do Sado e Mira (62% das massas de água em incumprimento) e do Guadiana (60%) recebem apenas 4% e 6% do investimento total, respetivamente. Mais investimento onde há mais degradação — é o que a equidade ecológica exige.

 

4. Concluir o inventário de barreiras antes de setembro de 2026

Portugal tem de submeter o Plano Nacional de Restauro da Natureza à Comissão Europeia até 1 de setembro de 2026. Esse plano tem de incluir o inventário de barreiras artificiais e um plano de remoção. Com 15.019 barreiras identificadas, mas o inventário ainda em validação, o prazo é urgente. O proTEJO alerta que incumprir este prazo constitui uma violação direta do Regulamento (UE) 2024/1991.

 

5. Integrar a gestão adaptativa face às alterações climáticas

As tempestades Kristin, Leonardo e Marta (janeiro-fevereiro 2026) danificaram 322 locais e exigiram 187 M€ adicionais para reparação. O programa precisa de uma reserva de contingência (mínimo 15% do orçamento anual) e de um protocolo que garanta que as intervenções de emergência não reproduzam o paradigma hidráulico convencional — substituindo, assim, restauro ecológico por regularização de betão.

 

"O Tejo não precisa de mais obras. Precisa de pensamento e ação que façam diferença ecológica — e de alguém que verifique se fizeram e como evolui."

  

Contradição 1 — Restaurar sem proteger: a poluição que anula o restauro

Apenas 47% das massas de água atingem 'Bom' estado ecológico. O programa mede quilómetros intervencionados, mas não define qualquer meta de melhoria desse indicador — e não tem nenhum mecanismo para proteger os ganhos ecológicos alcançados contra episódios de poluição que os podem anular.

O risco é concreto e imediato: um derrame industrial ou agropecuário num troço restaurado destrói em horas comunidades biológicas que o restauro levou anos a restabelecer. A poluição difusa crónica por nitratos, pesticidas, metais pesados, provenientes de áreas agrícolas adjacentes impede que macroinvertebrados e fauna piscícola alcancem os níveis desejados, mesmo com margens e leito em bom estado morfológico. E os episódios de eutrofização — cada vez mais frequentes com as temperaturas projetadas para 2030-2050 — comprometem os ganhos de oxigenação obtidos com a renaturalização.

O proTEJO exige que o PRO~RIOS crie um sistema integrado de proteção dos ganhos ecológicos:

→ Mapa de pressões de poluição a montante de cada troço restaurado, classificando a sua vulnerabilidade

→ Sensores de monitorização contínua em tempo real (OD, condutividade, pH, turvação, azoto amoniacal) com alertas automáticos ao Painel de Monitorização Geográfica (dashboard) do PRO~RIOS

→ Protocolo de resposta em 72 horas com responsabilização do agente poluidor (princípio poluidor-pagador)

→ Indicadores de salvaguarda no sistema de avaliação: extensão afetada por poluição/ano, tempo de recuperação pós-episódio

 

"De pouco servirá restaurar uma parte da casa se a água que corre na torneira continuar envenenada."

 

Contradição 2 — Remover barreiras com uma mão, construir seis com a outra

Enquanto o PRO~RIOS remove barreiras em afluentes do rio Tejo, a estratégia 'Água que Une' (março de 2025) e o 'Projeto Tejo' planeiam construir novas infraestruturas hidráulicas de grande escala na bacia do Tejo para servir os vários interesses ancorados na pretensa necessidade de expansão do regadio:

→ Barragem do Alvito no rio Ocreza (afluente do Tejo) — ~360 M€, para rega do Ribatejo

→ Empreendimento de Fins Múltiplos do Médio Tejo, açude em 'Constância Norte' — ~1.350 M€

4 açudes + 2 barragens nos últimos 127 km de rio Tejo livre de Abrantes a Lisboa, em cada 20 km ~4.500 M€

Custo total: mais de 5.000 M€ — 26 vezes o investimento do PRO~RIOS.

O impacto seria irreversível. Os 127 km de rio Tejo livre entre Abrantes e Lisboa são o único troço de grande rio ibérico sem barragens e fragmentá-lo inviabilizaria definitivamente a recuperação do sável (Alosa alosa) e da lampreia (Petromyzon marinus), e comprometeria a Reserva Natural do Estuário do Tejo, o Paul do Boquilobo (Reserva da Biosfera UNESCO) e múltiplos sítios Rede Natura 2000 e zonas Ramsar.

 

"Restaurar rios com 180 M€ e 

destruí-los com 5.000 M€ 

não é política ambiental —  

é esquizofrenia política."

 

O proTEJO exige que o PRO~RIOS se posicione formalmente em como: qualquer nova barreira na bacia do Tejo deve exigir Avaliação de Impacto Ambiental rigorosa com análise de alternativas e parecer da Comissão Europeia; o financiamento europeu de restauro e a aprovação de projetos que degradam as mesmas massas de água são incompatíveis por definição.

 

"A Vida que o Tejo sustenta não tem tempo para esperar que alguém decida se o restaura ou se o aprisiona." 

Os riscos que podem fazer naufragar o programa

O proTEJO mapeou 24 riscos e ameaças que podem comprometer o PRO~RIOS, agrupados em sete categorias. Os cinco mais críticos são:

Risco 1 — Greenwashing ecológico: Quantificar quilómetros sem verificar resultados cria aparência de sucesso sem benefícios reais para a biodiversidade.

 

Risco 2 — Recolonização por invasoras: Sem planos plurianuais de controlo de Arundo donax e Acacia sp., as intervenções são revertidas em 2 a 5 anos.

 

Risco 3 — Morosidade administrativa: Com processos de licenciamento que demoram 18 a 24 meses, a meta de 300 km/ano é extremamente difícil de atingir.

 

Risco 4 — Dependência financeira: Entre 22% e 82% do orçamento anual depende de fundos europeus — uma oscilação que ameaça a continuidade do programa na transição para o QFP 2028-2034.

 

Risco 5 — Resistência social à remoção de barreiras: Proprietários agrícolas e de pequenas centrais hidroelétricas podem bloquear as intervenções de maior impacto ecológico, precisamente aquelas que os rios mais precisam.

Um movimento, não apenas um documento

O proTEJO acompanha há dezassete anos a deterioração do Tejo e dos rios da sua bacia e a experiência acumulada diz-nos que as boas intenções, sem mecanismos de verificação e sem financiamento estável e diversificado, não restauram rios — fazem manchetes e relatórios.

O PRO~RIOS tem potencial real para transformar a política fluvial portuguesa, mas precisa de saltar da sua vocação atual — um programa de execução de obras — para uma estratégia de restauro ecológico verificável, adaptativa e sustentável. Os exemplos europeus de sucesso — Loire em França, Isar em Munique, Dommel nos Países Baixos — mostram que isso é possível. E que é dessa visão que os rios precisam.

"Os rios não precisam de discursos sobre quilómetros de restauro, precisam de restauro ecológico real — medido em quantidade e qualidade, verificado e duradouro. O proTEJO está na consulta pública porque acredita que isso ainda é possível. Sabendo que quanto mais tarde mais caro nos ficará, em todos os sentidos."

Síntese da posição do proTEJO na Consulta Pública PRO~RIOS 2030

Posicionamento: Concordância com Sugestões

Sugestões de melhoria: 29 medidas em 8 dimensões temáticas

Riscos identificados: 24 riscos em 7 categorias

Prazo da consulta: 17 de abril — 18 de maio de 2026 | Plataforma: participa.pt

Documento de participação disponível em: Alegações PRO~RIOS 2030 - proTEJO

Descarregar - Documento de Participação Pública - proTEJO 

Ana Silva

Porta-voz do proTEJO

+351 922 273 439

Paulo Constantino

Porta-voz do proTEJO

+351 919 061 330

protejo.movimento@gmail.com

movimentoprotejo.blogspot.com

proTEJO — Movimento pelo Tejo  |  Bacia do Tejo, Portugal  |  movimentoprotejo.blogspot.com

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Comemoração do Dia Mundial da Migração dos Peixes – Olhos d’ água do rio Alviela – Alcanena - 2026

Convite

O Dia Mundial da Migração dos Peixes, celebrado a 23 de maio, é marcado por celebrações, eventos e campanhas de ação em todo o mundo, em prol dos peixes migratórios e dos rios livres de barreiras.

Em Portugal, o movimento proTEJO convida-vos à celebração desta data nas margens do rio Alviela num evento que resulta da organização colaborativa promovida pelo Programa Rios Livres do GEOTA, em colaboração com com o Município de Alcanena, o Centro Ciência Viva do Alviela, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), o Instituto Superior Técnico (IST), o ISCTE, a plataforma Gerador, o Movimento proTEJO, a E-Rio, a Associação Portuguesa de Recursos Hídricos (APRH), o Centro de Estudos Florestais do Instituto Superior de Agronomia (CEF-ISA), o Laboratório Associado TERRA e a CLAPA.

O evento inclui uma caminhada interativa de 4 km, começando pelas 9h30m na Praia Fluvial dos Olhos de Água e terminando no Açude da Ponte da Pedra. Especialistas de diversas áreas estarão presentes para oferecer explicações sobre a biologia dos peixes, a dinâmica dos sedimentos e a conectividade fluvial, promovendo uma maior consciencialização sobre a importância da migração dos peixes para a saúde dos ecossistemas fluviais. A organização propõe ainda um piquenique familiar e banhos no rio Alviela (na praia fluvial Olhos d’Água) e visita ao Centro de Ciência Viva do Alviela, onde todos os interessados poderão ver a exposição de materiais e conversar com os representantes das entidades organizadoras.

A iniciativa visa sensibilizar a população acerca da urgência da remoção de barreiras fluviais obsoletas em Portugal, que comprometem a conectividade dos nossos rios e a migração natural dos peixes.

Ana Catarina Miranda, coordenadora do programa Rios Livres GEOTA endereça o apelo: “convidamos as pessoas a juntar-se a esta iniciativa, em que poderão aprender mais sobre proteção dos nossos rios, uma responsabilidade coletiva que devemos abraçar com compromisso”.

Enquanto o Vice-Presidente e Vereador do Ambiente da Câmara Municipal de Alcanena, Nuno Silva, sublinha que "comemorar este dia é também celebrar a riqueza natural do rio Alviela e a sustentabilidade do nosso território", Paula Robalo, do Centro Ciência Viva do Alviela, sublinha que “ações como esta são fundamentais para aproximar as populações do rio e dar a conhecer os problemas ecológicos associados”.

Teresa Álvares, da APA, ressalta que “a preservação dos ecossistemas de água doce é fundamental para a saúde das pessoas e do ambiente em Portugal". Já José Maria Santos, que representa a APRH, o CEF-ISA e o Laboratório Associado TERRA, refere que "a conectividade fluvial sustenta a migração dos peixes, assegura o transporte de sedimentos e matéria orgânica e é fundamental para o funcionamento ecológico e a biodiversidade dos rios”.

Os representantes do IST, Rui Ferreira e Isabel Boavida, afirmam que "a ciência é uma aliada, porque há que compreender os processos fluviais antes de definir estratégias para envolver e mobilizar populações para a salvaguarda dos seus rios". Susana Batel, do ISCTE, refere que "educação e sensibilização são fundamentais para a mobilização da sociedade, incluindo os decisores políticos e outros atores-chave, em prol da natureza".

Os porta-vozes dos Movimentos associativos proTEJO e CLAPA, Paulo Constantino e Penélope de Melo, referem, respetivamente, que "é urgente defender rios livres de novas barreiras e de barreiras obsoletas, para não agravar o seu estado ecológico” e que “é nosso dever responder às necessidades ecológicas do Rio Alviela com ação e responsabilidade".

Para o Gerador, "promover eventos que unam conhecimento e prática é essencial para um futuro sustentável". A ERio, empresa especializada em intervenções de reabilitação fluvial, destaca que a sua atuação “contribui de forma integrada para a melhoria das condições de habitat da ictiofauna e garante a migração livre dos peixes, promovendo a biodiversidade”.

Inscrição: A participação é gratuita e aberta a todos. Inscrições para o evento, através do email alviela@geota.pt – indicando o número de pessoas – até dia 22 de maio.

Contamos com a sua presença para fazer a diferença!

+ informações: Ana Catarina Miranda, Coordenadora do programa Rios Livres GEOTA – 936 930 013

Programa

 

LINK DO EVENTO: Celebração do-Dia-Mundial-da-Migração dos Peixes no rio Alviela, 23 maio 2026

 

sábado, 9 de maio de 2026

“Uma pergunta no Parlamento Europeu vale mais do que dois anos de silêncio em Bruxelas”

Nota de Imprensa

9 de maio de 2026

 “Uma pergunta no Parlamento Europeu vale mais do que dois anos de silêncio em Bruxelas”

O proTEJO saúda a iniciativa da eurodeputada Catarina Martins e renova a esperança numa solução europeia para os caudais ecológicos do Tejo

Há dois anos que o proTEJO bateu às portas da Europa. Em março de 2024, 31 organizações portuguesas e espanholas apresentaram uma denúncia formal à Comissão Europeia sobre a ausência de caudais ecológicos cientificamente definidos no rio Tejo. Em março de 2026, a Comissão encerrou o processo sem responder substancialmente ao que lhe foi perguntado.

Não nos resignamos. Não ficámos parados.

Impugnou-se o encerramento. Pediu-se a reconsideração ao Provedor de Justiça Europeu. Apresentou-se uma petição ao Parlamento Europeu. Prepara-se a via judicial que poderá conduzir ao Tribunal de Justiça da União Europeia.

Entretanto, algo de novo aconteceu.

Anteontem, a 7 de maio de 2026, a eurodeputada Catarina Martins, do Bloco de Esquerda e do grupo parlamentar The Left, apresentou ao Parlamento Europeu uma pergunta com pedido de resposta escrita à Comissão Europeia.

Três questões diretas, precisas e juridicamente fundamentadas:

1. Considera a Comissão que um regime de caudais definido antes da entrada em vigor da Diretiva-Quadro da Água e sem fundamentação científica adequada assegura o cumprimento das obrigações relativas ao bom potencial ecológico?

2. Em que fundamentos jurídicos e técnico-científicos assentou o entendimento de que a classificação de Cedillo como Massa de Água Fortemente Modificada dispensa a definição de caudais ecológicos?

3. Tenciona a Comissão reavaliar a compatibilidade do regime da Convenção de Albufeira com o direito da União Europeia em matéria de água e conservação da natureza?

Três questões que a Comissão evitou responder durante dois anos estão agora formalmente colocadas no registo público do Parlamento Europeu e exigem resposta escrita no prazo de 6 semanas, obrigando a Comissão a sair do silêncio.

O proTEJO saúda esta iniciativa com o reconhecimento que a eurodeputada Catarina Martins merece e, com a equidade que sempre orientou a nossa relação com todas as forças políticas, saudamos qualquer deputado, de qualquer partido, português ou europeu, que use o seu mandato para colocar as perguntas que o rio não pode fazer por si próprio. A eurodeputada Catarina Martins fê-lo. E fê-lo bem. Bem-haja!

Esta iniciativa reforça a nossa esperança. Não a esperança otimista de quem espera sentado, mas a de quem coloca pressão, argumento a argumento, frente a frente, até que as instituições não possam continuar a fazer de conta, a diminuir, a olhar para o outro lado. A Comissão terá de responder ao Parlamento. O Parlamento terá de apreciar a nossa petição. Os tribunais terão de apreciar os nossos argumentos.

O Tejo tem dezassete anos de movimento organizado e, agora, uma pergunta no Parlamento Europeu.

Isso revela dedicação e responsabilidade, claramente assumidas como um direito e como um dever de cidadania. Não por pessimismo, mas por otimismo realista.

Isso tem de contar.

Bacia do Tejo, 9 de maio de 2026

Ana Silva e Paulo Constantino

porta-vozes do proTEJO – Movimento pelo Tejo

 

Nota para os jornalistas

A denúncia CPLT(2024)00534 foi apresentada à Comissão Europeia em março de 2024 por 31 organizações portuguesas e espanholas. Gerou 257 publicações na comunicação social e foi encerrada pela Comissão em março de 2026. O proTEJO atua atualmente em quatro frentes simultâneas junto da União Europeia. 

+ informações: Paulo Constantino – +351 919 061 330

 

 

Anexos

 

Anexo 1

Denúncia à Comissão Europeia “Incumprimento da Diretiva Quadro da Água pela não implementação de caudais ecológicos no rio Tejo por Espanha e Portugal” - CPLT (2024)00534

Anexo 2

Resposta à Queixa CPLT (2024)00534 pela Unidade de Implementação ambiental da Direção Geral do Ambiente da Comissão Europeia

Anexo 3

Pronúncia do proTEJO sobre a Resposta à Queixa CPLT (2024)00534 pela Unidade de Implementação ambiental da Direção Geral do Ambiente da Comissão Europeia

Anexo 4

Gmail - 1 ano depois - Pedido de Ponto de Situação - Pronúncia sobre a resposta da CE à Queixa CPLT(2024)00534 de 18 de março de 2024

Anexo 5

Gmail – Insistência - 1 ano e meio depois - Pedido de Ponto de Situação - Pronúncia sobre a resposta da CE à Queixa CPLT(2024)00534 de 18 de março de 2024

Anexo 6

Cronologia da Queixa à Comissão Europeia (CPLT2024(00534))

Anexo 7

Lista das 31 Organizações portuguesas e espanholas que subscrevem a Queixa à Comissão Europeia “Incumprimento da Diretiva Quadro da Água pela não implementação de caudais ecológicos no rio Tejo por Espanha e Portugal”

Anexo 8

Notícias na imprensa sobre a Denúncia à CE

Anexo 9

Resposta Definitiva à Queixa CPLT (2024)00534 pela Unidade de Implementação ambiental da Direção Geral do Ambiente da Comissão Europeia

Anexo 10

Queixa 696/2026/PGP à PJUE contra a Comissão Europeia de 14 de abril de 2026

Anexo 11

Decisão da PJUE relativa à queixa 696/2026/PGP contra a Comissão Europeia de 14 de abril de 2026

Anexo 12

Pedido de reapreciação da Decisão da PJUE sobre a Queixa 696/2026/PGP de 14 de abril de 2026

Anexo 13

Impugnação e nova queixa sobre a decisão definitiva da CE sobre a Queixa CPLT (2024)00534 pela Unidade de Implementação ambiental da Direção Geral do Ambiente da Comissão Europeia

Anexo 14

Petição ao Parlamento Europeu para que intervenha junto da Comissão Europeia de modo a garantir a implementação de um regime de caudais ecológicos cientificamente fundamentado no rio Tejo, em cumprimento da Diretiva-Quadro da Água (2000/60/CE — DQA) e das Diretivas Aves (2009/147/CE) e Habitats (92/43/CEE).

Anexo 15

Nota de Imprensa – 5 de maio de 2026 - “proTEJO escala batalha pelo Tejo: responde à Comissão Europeia e ao Provedor de Justiça, apresenta Petição ao Parlamento Europeu e prepara ação judicial para assegurar a intervenção do Tribunal de Justiça da UE”


"Bruxelas Encerrou a Denúncia. O Tejo Não Encerra." - Da Comissão Europeia ao Tribunal de Justiça da União Europeia: a longa marcha de um rio pelos seus direitos - Crónica "Cá por Causas" – Paulo Constantino – maio de 2026

 

Apresentação