proTEJO opõe-se ao prolongamento de Almaraz até 2030 que confirma o risco de adiamentos sucessivos já denunciado pelo Movimento
O proTEJO — Movimento pelo Tejo reafirma hoje a sua oposição ao prolongamento do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz para além do prazo previamente acordado e apela à mobilização das populações da bacia do Tejo para uma tomada de posição formal sobre o prolongamento até 2030.
Esta decisão cria um precedente de novos adiamentos e aumenta os riscos já identificados, relacionados com a possibilidade agravada de ocorrência de um acidente nuclear, a ausência de planos de emergência, a acumulação continuada dos resíduos e da contaminação radiológica, o aumento do consumo de água para arrefecimento, o aumento da temperatura da água devolvida ao Tejo, o aumento dos custos de desmantelamento sem garantia de cobertura e, com o aumento das tensões geopolíticas que incluem a possibilidade de ataques terroristas.
O Movimento exige às autoridades portuguesas e espanholas o fim do prolongamento além do prazo acordado, a elaboração de um plano de emergência transfronteiriço atualizado, o financiamento integral do desmantelamento e do Armazém Geológico Profundo (AGP) pelas empresas elétricas, a conceção de um plano de emprego sustentável para o Campo Arañuelo e a criação de uma Comissão de Acompanhamento transfronteiriça com monitorização pública.
A central espanhola, situada a cerca de 100 km da fronteira portuguesa e em funcionamento desde 1981, vê agora o seu encerramento adiado para junho de 2030, ultrapassando os prazos de novembro de 2027 e outubro de 2028 previstos num protocolo assinado em 2019 entre a Enresa e as três empresas proprietárias. O seu funcionamento dependente de um rio que agoniza, o Tejo, onde a vigilância radiológica portuguesa já documenta, desde 2016, níveis de trítio sistematicamente mais elevados do que nos restantes grandes rios do país.
E denuncia: a decisão foi tomada por via administrativa, sem consenso alargado, quebra um calendário que já estava formalmente acordado e ocorre menos de cinco anos depois de o Movimento Ibérico Antinuclear — do qual o proTEJO é parte — ter exigido, em 2021, a antecipação e não o adiamento do encerramento dos dois reatores.
|
"Almaraz já ultrapassou largamente o seu período de vida útil. Adiar o encerramento não é gerir um risco — é acumulá-lo, ano após ano, sobre o rio Tejo e sobre as populações dos dois lados da fronteira." |
O QUE O proTEJO APOIA
|
O proTEJO reconhece o mérito técnico do processo de consulta pública sobre o novo Armazém Temporário Individualizado (ATI100), no qual o Movimento participou formalmente em 2024 com um parecer de "Sugestão", contribuindo para minimizar os riscos do desmantelamento e do armazenamento de resíduos radioativos. Este reconhecimento não é, nem pode ser lido como, uma aceitação do prolongamento da exploração da central: o proTEJO distingue claramente as diferenças entre apoiar a preparação técnica de um desmantelamento seguro e aceitar o adiamento desse mesmo desmantelamento. |
O QUE O proTEJO EXIGE QUE MUDE
1. Revogação do prolongamento além do prazo acordado. Regresso ao calendário original de encerramento — novembro de 2027 para Almaraz I e outubro de 2028 para Almaraz II — tal como decorria do protocolo de 2019 entre a Enresa e as proprietárias.
2. Plano de emergência transfronteiriço atualizado. Publicação, pelas autoridades portuguesas, de um plano de emergência e de meios de descontaminação para as populações da bacia do Tejo, colmatando uma lacuna que o proTEJO assinala desde 2011.
3. Financiamento integral do desmantelamento e do AGP pelas elétricas. Os custos do desmantelamento e do futuro Armazém Geológico Profundo devem ser suportados por Iberdrola, Endesa e Naturgy — nunca transferidos para a cidadania.
4. Plano de emprego sustentável para o Campo Arañuelo. Uma transição justa para os trabalhadores e municípios afetados, tal como reclamado no manifesto "Por uma Extremadura sem Nucleares", subscrito por mais de 70 organizações incluindo o proTEJO.
5. Comissão de Acompanhamento transfronteiriça e monitorização pública. Participação formal da Agência Portuguesa do Ambiente e publicação contínua dos dados de vigilância radiológica do rio Tejo enquanto, se completa o calendário 2027/2028, se procede ao desmantelamento e se mantiverem armazenados os resíduos radioativos no ATI1OO.
Um rio que já paga a fatura, mesmo do lado de cá da fronteira
O ultraje central desta decisão é de ordem geográfica e científica: Almaraz fica em Espanha, mas os seus efeitos não param na fronteira. Os relatórios de vigilância radiológica ambiental do Laboratório de Proteção e Segurança Radiológica do Instituto Superior Técnico documentam, em Vila Velha de Ródão e em Valada, concentrações de trítio no Tejo sistematicamente superiores às medidas noutros grandes rios portugueses — Douro, Mondego, Guadiana ou Zêzere — e atribuem essa diferença ao funcionamento normal de Almaraz. Prolongar o funcionamento da central é prolongar, também, esta exposição.
|
100 km — distância aproximada entre Almaraz e a fronteira portuguesa. 40+ anos — tempo de funcionamento dos dois reatores, em operação desde 1981 e 1983. 2030 — novo prazo de encerramento, dois a três anos além do inicialmente acordado. |
OS 5 RISCOS MAIS CRÍTICOS IDENTIFICADOS PELO proTEJO
|
Precedente de novos adiamentos. Aceitar 2030 sem contestação abre a porta a sucessivos prolongamentos futuros, como já foi noticiado. Vazio nos planos de emergência. Portugal carece de um plano atualizado de resposta a acidente radiológico e de meios de descontaminação para a bacia do Tejo. Contaminação radiológica continuada. Os níveis de trítio no Tejo mantêm-se, ano após ano, acima dos observados nos restantes grandes rios portugueses. Risco mais grave de acidente nuclear. Uma central nuclear com mais de 40 anos, numa região sísmica, com cenários de rutura das barragens de Valdecañas a montante e Cedillo a jusante. Custos de desmantelamento sem garantia de cobertura. Não existe, até à data, confirmação pública de que o AGP e o desmantelamento serão pagos integralmente pelas empresas proprietárias. Risco de ataque terrorista. O agravamento das tensões geopolíticas nos últimos anos, impõe que o Estado português exija que se adote o princípio de precaução sobretudo tendo em conta a localização próxima da fronteira. |
Um movimento, não apenas um documento
Há cerca de dezassete anos que o proTEJO acompanha os processos de política de água na bacia do Tejo, e há mais de uma década que alerta, em concreto, para os riscos associados à Central Nuclear de Almaraz — da participação na manifestação ibérica “Fechar Almaraz”, que decorreu em 2016 na cidade de Cáceres, ao encontro sobre os dez anos do acidente de Fukushima, em 2021, e à exigência de antecipação do encerramento nesse mesmo ano, passando pela participação técnica na consulta pública sobre o novo armazenamento de resíduos, em 2024. A posição de hoje não nasce do zero: é a atualização de um alerta que o Movimento já tinha feito.
"Não pedimos o encerramento amanhã de forma desordenada. Pedimos que se cumpra o que já estava decidido — e que, enquanto a central continuar a funcionar, ninguém, dos dois lados da fronteira, seja deixado sem informação, sem proteção e sem plano."
|
O proTEJO opõe-se ao prolongamento do funcionamento de Almaraz até 2030 e exige o regresso ao calendário de encerramento previamente acordado, acompanhado de garantias de segurança, financiamento e transição justa para a região. ● Posicionamento: oposição ao prolongamento; apoio técnico condicional à preparação do desmantelamento. ● 5 recomendações formais e 6 riscos críticos identificados na análise do proTEJO. ● Prazo: prolongamento em vigor até junho de 2030; associações da sociedade civil já recorreram aos tribunais. |
Contactos para a imprensa
Ana Silva — Porta-voz do proTEJO — +351 922 273 439
Paulo Constantino — Porta-voz do proTEJO — +351 919 061 330
Email: protejo.movimento@gmail.com
Blog: movimentoprotejo.blogspot.com







