Somos um movimento de cidadania em defesa do Tejo denominado "Movimento Pelo Tejo" (abreviadamente proTEJO) que congrega todos os cidadãos e organizações da bacia do TEJO em Portugal, trocando experiências e informação, para que se consolidem e amplifiquem as distintas actuações de organização e mobilização social.

quinta-feira, 2 de julho de 2026

Estratégia “Água Que Une” entra em vigor sem resolver uma única das questões levantadas pelo proTEJO sobre o açude de Constância / Praia do Ribatejo

NOTA DE IMPRENSA

2 de julho de 2026

Estratégia “Água Que Une” entra em vigor sem resolver uma única das questões levantadas pelo proTEJO sobre o açude de Constância / Praia do Ribatejo 

A Resolução do Conselho de Ministros n.º 133/2026, que aprova a Estratégia Nacional “Água Que Une”, foi publicada em Diário da República a 24 de junho de 2026 — mais de dezassete meses depois de o proTEJO ter submetido o seu primeiro Parecer de Discordância sobre o projeto de um novo açude no rio Tejo entre a Praia do Ribatejo e Constância. Nesse período, juntaram-se ao proTEJO as Assembleias Municipais de Vila Nova da Barquinha e de Constância (ambas com votos unânimes de todos os partidos representados), as respetivas Juntas de Freguesia, a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, empresários do turismo fluvial e organizações ambientalistas nacionais. Mais de cem participações cidadãs foram submetidas à consulta pública. O Governo aprovou a Estratégia sem alterar o essencial do projeto e sem responder, até hoje, a nenhuma das questões colocadas.

O que mudou — e o que não mudou

•   Mantém-se, sob a designação genérica de “Projeto de Valorização Agrícola dos Recursos Hídricos – Vale do Tejo e Oeste”, um investimento indicativo de 1.350 milhões de euros — a maior verba atribuída a qualquer medida individual de toda a Estratégia “Água Que Une”, num universo de 294 medidas e cerca de 5.000 milhões de euros.

•   O texto final da RCM continua a não nomear o açude nem o local de “Constância Norte” — apesar de ser, com toda a probabilidade, a obra de maior impacto local e patrimonial de toda a Estratégia em território nacional.

•   Continua sem ser publicado o relatório de ponderação da consulta pública encerrada a 28 de fevereiro de 2025: o próprio portal Participa da Agência Portuguesa do Ambiente confirma, mais de um ano depois, que “não existem documentos disponíveis” relativos à conclusão do processo.

O que a análise aos documentos técnicos do Estudo veio confirmar

  O modelo hidrológico do próprio promotor projeta, no “Cenário Futuro” com o sistema em funcionamento, meses de caudal praticamente nulo no rio Tejo em Almourol — precisamente o local onde se ergue o Castelo de Almourol — em julho e agosto de vários anos da série modelada.

 As 105 páginas do Relatório Ambiental Preliminar não contêm, em nenhum ponto, as palavras “sável”, “enguia”, “lampreia”, “savelha”, “conectividade”, “continuidade fluvial”, “fragmentação” ou “Castelo de Almourol”. A única referência à fragmentação fluvial admite, numa única frase, a introdução de “dois novos obstáculos nos cursos de água” — sem qualquer medida de mitigação correspondente no plano de seguimento ambiental.

  Tal como o proTEJO alertou já em janeiro de 2025, os pilares da ponte ferroviária sobre o rio Tejo, situados dentro da futura albufeira, continuam sem qualquer estudo de risco de erosão, de vórtices ou de estabilidade estrutural — um ano e meio depois, sem resposta de quem quer que seja.

  A viabilidade do próprio projeto depende da construção da barragem do Alvito (Ocreza, 209 hm³) — uma obra distinta, ainda em fase de estudo —, e mesmo nesse cenário o promotor admite, no seu próprio modelo, “défices significativos” em até 14% dos anos simulados.

O proTEJO reitera, hoje, as suas exigências

   Publicação imediata do relatório de ponderação da consulta pública do Estudo de Valorização dos Recursos Hídricos para a Agricultura no Vale do Tejo e Oeste;

  Suspensão de quaisquer atos de licenciamento até à realização de uma avaliação ambiental estratégica completa, com estudo comparativo de alternativas, nos termos do artigo 4.º, n.º 7, da Diretiva-Quadro da Água;

• Resposta formal e fundamentada, por parte da Infraestruturas de Portugal e do Instituto da Mobilidade e dos Transportes, ao risco identificado para a estabilidade da ponte ferroviária sobre o Tejo;

  Reconhecimento, pelo Governo, da posição unânime e mantida há mais de um ano e meio das Assembleias Municipais de Vila Nova da Barquinha e de Constância, e da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

O proTEJO – Movimento pelo Tejo continuará a exigir, junto do Governo e das entidades europeias competentes, a preservação dos últimos 120 km de rio Tejo ainda livres e vivos entre Abrantes e o oceano Atlântico, e reafirma a sua disponibilidade para levar este processo às últimas instâncias — incluindo o Tribunal de Justiça da União Europeia —, caso as exigências de transparência e de avaliação ambiental adequada continuem a não ser respeitadas.

Por Um Tejo Vivo e Livre. Pela Vida. 

proTEJO – Movimento pelo Tejo

Ana Silva e Paulo Constantino, Porta-vozes

Contacto de imprensa: Paulo Constantino +351 919 061 330