Somos um movimento de cidadania em defesa do Tejo denominado "Movimento Pelo Tejo" (abreviadamente proTEJO) que congrega todos os cidadãos e organizações da bacia do TEJO em Portugal, trocando experiências e informação, para que se consolidem e amplifiquem as distintas actuações de organização e mobilização social.

sábado, 7 de setembro de 2019

CARTA DE COMPROMISSO PARA CANDIDATOS A DEPUTADOS DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA NAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE 2019

CARTA DE COMPROMISSO PARA 
CANDIDATOS A DEPUTADOS DA 
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA NAS 
ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE 2019
O rio Tejo não é apenas água, é cultura viva, a espinha dorsal e o eixo das terras e das aldeias por onde passa, unindo toda esta bacia de Espanha a Portugal, todas as suas populações ribeirinhas e as suas culturas, que o conhecem e o vivem da nascente até à foz, de Albarracín ao Grande Estuário.
Mas o que foi outrora um jardim de peixe, é hoje infelizmente uma promessa de fóssil, caso não se tomem medidas urgentes para o salvar, tanto em Portugal como em Espanha.
Considerando que existe atualmente uma necessidade premente de defender uma gestão razoável, sustentável, transparente, transfronteiriça e participativa da bacia hidrográfica do Tejo, para garantir o cumprimento da regulamentação comunitária em vigor e a proteção do rio Tejo e seus afluentes, a fim de assegurar a disponibilidade de água em quantidade suficiente e de qualidade, conforme previsto na Constituição Portuguesa e exigido pela Diretiva Quadro da Água, tanto para nós como para as gerações futuras, bem como a possibilidade de desfrutar das suas águas e praias limpas e de alta qualidade.
A mão humana tem vindo a infligir ao rio Tejo e seus afluentes a deterioração acentuada da qualidade da água devido à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear; o acrescido assoreamento do leito do rio; os reduzidos caudais e as variações abruptas do seu nível devido à retenção de água em açudes e barragens e aos transvases de água para a agricultura intensiva no sul de Espanha, provocando alterações aos seus ecossistemas. 
Esta catastrófica situação do rio Tejo e seus afluentes impede o aproveitamento do seu potencial uso para práticas de lazer, de turismo de natureza e fluvial, e de desportos náuticos, respeitando a natureza e a saúde ambiental da bacia hidrográfica do Tejo. Exemplo disso é exemplo a recente invasão de vegetação no rio Sorraia que elimina a fauna e tem efeitos nefastos na pesca, gastronomia e economia local.
É urgente assegurar que o caudal do rio Tejo seja aproximado ao que a Natureza requere para assegurar a manutenção dos ecossistemas aquáticos, acabar com a crescente poluição que mata os peixes e envenena o ambiente e as pessoas, e repor a sua conectividade fluvial através da adaptação ou remoção de barragens sem uso.
A preservação de um rio Tejo ainda parcialmente livre e com dinâmica fluvial e sedimentar está hoje ameaçada pelos projetos de construção de novos açudes e barragens - Projeto Tejo e a Barragem do Alvito – destinados a fornecer água à agricultura intensiva na Lezíria do Tejo e a promover navegabilidade no Médio e Baixo Tejo.
Com vista a assumir o compromisso de defesa do rio Tejo e seus afluentes, desafiamos que os/as candidatos/as a deputados às eleições legislativas de 2019 se comprometam com as seguintes reivindicações e medidas:
A. A revisão da Convenção de Albufeira entre Portugal e Espanha nos seguintes termos:
1. A Convenção de Albufeira deverá constituir-se como um instrumento verdadeiramente eficaz e efetivo para o cumprimento da Diretiva Quadro da Água em ambos os países;
2. A definição e aplicação de um verdadeiro regime de caudais ecológicos na Convenção de Albufeira e nos Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo/Tajo de 2021/2027 de Portugal e Espanha assentes num conceito amplo, tal que:
a) garanta o bom estado ecológico das águas e a conservação e manutenção dos ecossistemas aquáticos e ribeirinhos;
b) assegure a contínua disponibilidade dos benefícios que os rios saudáveis e sistemas subterrâneos de água proporcionam à sociedade;
c) preserve os aspetos estéticos da paisagem e outros de interesse científico e cultural;
d) garanta uma regularidade do fluxo natural com o estabelecimento de adequados caudais ecológicos diários, semanais e trimestrais.
3. A definição de regras de gestão das barragens portuguesas e espanholas para assegurar a quantidade e regularidade dos caudais ecológicos, mantendo a variabilidade sazonal do fluxo natural;
4. A definição de caudais de chegada à foz de forma a evitar a alteração das características das massas de água de transição no estuário do rio Tejo;
5. A adaptação aos vários cenários de alterações climáticas, devendo ser dada prioridade a mecanismos de ajustamento dos usos, atuais e futuros, aos recursos hídricos disponíveis;
6. O estabelecimento de um regime de caudais ecológicos para o período de exceção (seca e escassez de recursos) assente no conceito de seca hidrológica, mas em complementaridade com a seca meteorológica, agrícola e socioeconómica;
7. A supressão dos 1.000 hm3 de água estabelecidos para transvases do Tejo;
8. A instauração de sanções por incumprimento da Convenção de Albufeira de carácter financeiro e ambiental.
B. A rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens - Projeto Tejo e a Barragem do Alvito em virtude das suas consequências negativas em termos ambientais, nomeadamente, o incumprimento da Diretiva Quadro da Água, e da necessidade de preservação de um rio Tejo livre e com dinâmica fluvial (os únicos 200 km), privilegiando o turismo de natureza, as atividades piscatórias tradicionais e a gastronomia de espécies piscícolas regional, adotando as seguintes medidas:
1. O requerimento de uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) que integre o estudo comparativo de projetos alternativos, melhores do ponto de vista ambiental e financeira e tecnologicamente mais eficazes, uma política de recuperação de custos dos serviços da água e o uso adequado do erário público considerando o custo de oportunidade destes projetos. 
Neste, devem ser tidos em conta as 2 234 barreiras à conectividade fluvial contabilizadas para a RH4 - Tejo e ribeiras do Oeste, identificadas pelo Conselho Nacional da Água, numa perspetiva de complementaridade com barragens existentes, mas também de comparação e avaliação de ganhos e perdas a longo prazo tendo em conta os impactes dessas. Ou seja, que não se permita a edificação de novas barragens sem se compreenderem os reais usos e reais benefícios das que já existem.
A AAE deve ainda permitir que a decisão de implementar qualquer um desses projetos seja tomada com base em critérios de minimização do impacte ambiental e em cenários de procura de água e de captação de investimento produtivo realistas, bem como de utilização das melhores tecnologias disponíveis para garantir a competitividade económica das explorações agrícolas, nomeadamente, de eficiência hídrica e a de recuperação de barragens já existentes em detrimento de novos projetos que acresçam impactes negativos à bacia do Tejo;
2. A introdução do princípio de não construção de novas barragens no Plano Nacional de Energia e Clima, privilegiando-se a adaptação das barragens existentes para satisfazer as necessidades atuais.
C. A recusa dos transvases do Tejo e o apoio à investigação de alternativas sustentáveis, baseadas no uso eficiente da água;
D. A conceção de um projeto com vista ao desassoreamento do rio Tejo e à sua navegabilidade;
E. A gestão sustentável da bacia hidrográfica do Tejo que assegure a qualidade e quantidade de água do rio Tejo e dos seus afluentes, no sentido de garantir os diversos usos, em cumprimento da Diretiva Quadro da Água, nomeadamente, promovendo:
1. A adoção de medidas que contribuam para um bom estado das águas do Tejo, nomeadamente, através de ação rigorosa e consequente contra a poluição, crescente e contínua, que cada vez mais devasta o rio Tejo e os seus afluentes;
2. A definição e aplicação de um regime de caudais ecológicos no rio Tejo e seus afluentes com expressão no Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo de 2021/2027 e assente num conceito amplo acima referido no item 2 do ponto A;
F. O apoio a ações para ajudar a restaurar o sistema fluvial natural e o seu ambiente, nomeadamente:
1. A proteção das fontes e nascentes existentes em toda esta região hidrográfica do Tejo;
2. A proteção e reposição dos corredores ecológicos e galerias ripícolas ao longo de todos os cursos de água;
3. A implementação e desenvolvimento de uma agricultura com espécies adaptadas ao clima e às condições locais, e o desmantelamento da agricultura intensiva e química, que degrada a água subterrânea e aumenta a salinização dos solos;
4. A substituição das plantações florestais de monocultura e reflorestar com espécies autóctones, diversificadas e adequadas às temperaturas, humidades e condições dos solos, que garantam a conservação da água e da biodiversidade;
5. A promoção de um projeto de adaptação da agricultura às alterações climáticas, com o recuo da área agrícola na lezíria do Tejo face à linha de costa, de modo a salvaguardar atempadamente as culturas do efeito da subida do nível médio das águas do mar e do avanço da cunha salina.
G. A valorização e promoção da identidade cultural e social das populações ribeirinhas do Tejo.

CARTA CONTRA A INDIFERENÇA - ORTIGA/MAÇÃO - 2019

CARTA CONTRA A INDIFERENÇA
ORTIGA/MAÇÃO – 7 DE SETEMBRO DE 2019
O rio Tejo não é apenas água, é cultura viva, a espinha dorsal e o eixo, das terras e das aldeias por onde passa. 
É com grande felicidade que vemos juntarem-se em defesa do Tejo todos os cidadãos e organizações aqui presentes, representativos de toda a bacia ibérica do Tejo e de todos os sectores da sociedade e áreas de ação, constituindo-se como um exemplo independente de participação e cidadania.
Nas nossas diferenças, o elo que nos une é o Tejo!
O mesmo Tejo que une toda esta bacia de Espanha a Portugal, que une todas as populações ribeirinhas e as suas culturas, que o conhecemos e o vivemos da nascente até à foz, de Albarracín ao Grande Estuário. 
É também significativo que nos encontremos na freguesia de Ortiga no município de Mação onde se pretende realçar a beleza do património natural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial e do património cultural do rio Tejo associado à pesca tradicional no Município de Mação, em especial, as preciosas pesqueiras do rio Tejo, autênticas obras de arte, cuja construção assenta na técnica de execução designada na região por de “pedra ao alto” e de tal eficácia na resistência à natural força das correntes de água que viria a ser utilizada por Juan Bautista Antonelli, em 1583, na construção dos caminhos de sirga e no então criado e ainda hoje existente Canal de Alfanzira, em Mouriscas, no âmbito do projeto de navegabilidade do rio Tejo, no início do reinado de Filipe I.
Às pesqueiras, para serem utilizadas como suporte da pesca à Varela, ao criarem as correntes de água adequadas ao exercício, com sucesso, daquela técnica, junta-se outro equipamento, o barco picareto, construído pelos calafates locais, imprescindível para a pesca com recurso ao tresmalho ou à tarrafa.
O rio Tejo que ao longo do seu curso sustentou as atividades agrícolas e comerciais das suas gentes constituiu-se como o principal eixo de desenvolvimento da comunidade da Ortiga: agricultores, moleiros, construtores de barcos, artes de pesca, barqueiros, pescadores. Destes teimam uns poucos em tirar do rio o sustento, cada dia mais magro em resultado das alterações na biodiversidade, causada pelos desmandos do ser humano.
As populações do Alto Tejo sempre conseguiram sobreviver e prosperar em harmonia com o rio, que lhes foi generoso no passado e que será essencial no futuro.
Um futuro onde este laço de natureza e cultura perdure e se reforce com o regresso de modos de vida ligados à água e ao rio, que as atividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar.
A preservação do rio Tejo é um tributo que os cidadãos devem oferecer a este património, sendo hoje urgente defender um rio Tejo livre com dinâmica fluvial pela rejeição dos projetos de construção de novos açudes e barragens - Projeto Tejo e a Barragem do Alvito - e pela exigência de uma regulamentação daqueles que já existem de modo a garantir: o estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; um regime fluvial adequado à prática de atividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas; e uma conectividade fluvial proporcionada por eficazes passagens para peixes e pequenas embarcações.
Continuaremos a combater a sobre exploração da água do Tejo que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear.
Conhecemos os males de que o Tejo padece e o maltrato que a mão dos humanos tem vindo a infligir à sua água e aos seus ecossistemas.
Para conter essa mão que o maltrata temos que abrir a outra mão para que o proteja, e essa mão somos nós!
Por isso temos o dever de estender essa mão aberta para criar uma corrente de vontade e de intencionalidade, que seja capaz de esclarecer quem decide e que exija um tratamento ecologicamente sustentável para o rio Tejo.
Devemo-lo a nós próprios, que com o Tejo partilhámos a nossa vida e aceitámos a generosidade das suas águas.
Devemo-lo às gerações futuras para que conheçam um Tejo vivo, como nós o conhecemos, e não um escravo e prisioneiro do egoísmo e da especulação dos humanos.
Se continuarmos neste rumo, as próximas gerações já não conhecerão rios vivos, mas apenas imagens na internet... que serão sombras do que um dia nos foi oferecido com generosidade, e não terão incentivo a reconhecer o valor destes rios de que nunca tiveram a possibilidade de desfrutar.
Por tudo isto, devemos unir-nos e reclamar a unidade e integridade do Tejo e da sua bacia, já que o amor e o respeito que por ele sentimos não se esgotam em nenhuma das fronteiras administrativas e artificiais que os homens impõem à natureza.
Para que as nossas mãos o protejam temos que as unir e coordenar, mostrando a união dos cidadãos e cidadãs portugueses e espanhóis na defesa do Tejo, enquanto bacia ibérica internacional, e afirmar a nossa determinação para combater a indiferença ao maltrato que tem vindo a sofrer.
Assim, com vista a defender o Tejo e seus afluentes, e como cidadãos do rio Tejo, em Portugal e em Espanha, unimo-nos para reivindicar a todas as autoridades competentes, internacionais, nacionais, regionais e locais:
1º. A necessidade de uma gestão sustentável da bacia hidrográfica do Tejo com base no princípio da unidade da sua gestão;
2º. O cumprimento da Diretiva Quadro da Água, nomeadamente a garantia de um bom estado das águas do Tejo;
3º. O estabelecimento e quantificação de um regime de caudais ecológicos, diários, semanais e mensais, refletidos nos Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo, em Espanha e em Portugal, e na atualização da Convenção de Albufeira, que permitam o bom funcionamento dos ecossistemas ligados ao rio e, consequentemente, dos serviços que prestam à comunidade;
4º. A monitorização do cumprimento permanente do regime de caudais ecológicos aí definidos;
5º. A informação pública do cumprimento do convénio luso-espanhol relativamente aos rios ibéricos;
6º. A recusa dos transvases do Tejo e o apoio à investigação de alternativas sustentáveis, baseadas no uso eficiente da água;
7º. Garantir caudais no rio Tejo e seus afluentes em qualidade e quantidade suficientes para garantir o bom estado das massas de água e a viabilidade dos diversos usos lúdicos e recreativos;
8º. Acompanhar a monitorização e verificar o cumprimento das licenças de descargas de efluentes das indústrias, como as celuloses instaladas em Vila Velha de Ródão, exigindo a tomada de medidas de proteção ambiental com base no princípio da precaução;
9º. A realização de acções para ajudar a restaurar o sistema fluvial natural e o seu ambiente;
10º. A valorização e promoção da identidade cultural e social das populações ribeirinhas do Tejo.
É isto que defendemos, 
Que as nossas mãos unidas protejam o TEJO. 
E digamos com Miguel Torga, porque os poetas sabem ver o futuro
Recomeça
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
O Tejo merece!


CARTA CONTRA LA INDIFERENCIA
ORTIGA/MAÇÃO – 7 SEPTIEMBRE 2019
El río Tajo no es sólo agua, es cultura viva, la columna vertebral y el eje, y las tierras de los pueblos por los que pasa.
Es con gran alegría que vemos en la unión de la defensa del Tajo a todos los ciudadanos y las organizaciones aquí presentes representativos de toda la cuenca del Tajo Ibérica y todos los sectores de la sociedad y los ámbitos de acción, lo que constituye un ejemplo independiente de participación y ciudadanía.
En nuestras diferencias, ¡El lazo que nos une es el Tajo!
Es el mismo Tajo el que une a toda esta cuenca de España a Portugal, el que une a todas las poblaciones ribereñas y sus culturas, el que conocemos y vivimos desde su nacimiento en la sierra de Albarracín hasta la desembocadura del Gran Estuario del Mar de la Paja.
También es significativo que nos reunamos en el distrito de Ortiga, donde queremos resaltar la belleza del patrimonio natural de un río libre con dinámica de río y el patrimonio cultural del río Tajo asociado con la pesca tradicional en el ayuntamiento de Mação, en particular, Los preciosos barcos de pesca del río Tajo, auténticas obras de arte, cuya construcción se basa en la técnica de ejecución designada en la región como "piedra alta” y de tal efectividad para resistir la fuerza natural de las corrientes de agua que sería utilizado por Juan Bautista. Antonelli, en 1583, en la construcción de los caminos de sirga y el entonces creado Canal Alfanzira en Mouriscas, como parte del proyecto de navegabilidad del río Tajo, al comienzo del reinado de Felipe I.
A los botes de pesca, que se utilizarán como apoyo para la pesca de Varela, para crear las corrientes de agua apropiadas para ejercer con éxito esa técnica, se agrega otro equipo, el bote “picareto”, construido por los calafateadores locales, esencial para pescar con recurso al "trasmallo" o a la "red".
El río Tajo, que a lo largo de su curso da sustento en este tramo a las actividades agrícolas y comerciales de sus habitantes, se estableció como área de influencia y principal eje de desarrollo de la comunidad de Ortiga: agricultores, molineros, los astilleros, las artes de pesca, navegantes, pescadores. De estos algunos pocos insisten en sacar su sustento del río, más delgado éste cada día como resultado de los cambios en la biodiversidad causados por los excesos del ser humano.
Las poblaciones del Alto Tajo lograron sobrevivir y prosperar en armonía con el río que les fue generoso en el pasado y que será esencial en el futuro.
Un futuro en el que este lazo de la naturaleza y la cultura perdure y se fortalezca con el regreso a modos de vida vinculados al agua y a las actividades de educación y turismo de naturaleza, cultural y ambientalmente sostenibles.
La preservación del río Tajo es un homenaje que los ciudadanos deben ofrecer a este patrimonio, siendo hoy urgente defender un río Tajo libre con dinámica fluvial por el rechazo de los proyectos de construcción de nuevas presas y embalses - Proyecto Tajo y la Presa Alvito - y por la demanda de una regulación de las que ya existen para garantizar: el establecimiento de verdaderos caudales ecológicos ; un régimen fluvial adecuado para actividades náuticas y la migración y reproducción de especies de peces; y la conectividad del río proporcionada por efectivas pasajes para peces y pequeñas embarcaciones.
Continuaremos combatiendo la sobreexplotación del agua del Tajo que ya existe frente a la gestión economista de las represas hidroeléctricas de la Extremadura española, al trasvase del agua del Tajo a la agricultura intensiva en el sur de España y a la agresión de la contaminación agrícola, industrial y nuclear.
Sabemos de los males que el Tajo sufre y el maltrato que la mano del los humanos ha ido infligiendo a su agua y sus los ecosistemas.
¡Para contener esta mano que le maltrata tenemos que abrir la otra para protegerlo, y esta mano somos nosotros!
Así que tenemos el deber de extender la mano abierta para crear una corriente de voluntad e intencionalidad, que sea capaz de aclarar quién decide y qué tratamiento requieren las aguas del río Tajo para que éste sea ecológicamente sostenible.
Nos lo debemos a nosotros mismos, por el Tajo con el que compartimos vida y aceptamos la generosidad de sus aguas.
Se lo debemos a las generaciones futuras para que conozcan un Tajo vivo, y no un esclavo y prisionero del egoísmo y la especulación humana.
Si continuamos en esta dirección, las próximas generaciones no conocerán ríos vivos, sino sólo sus imágenes en Internet ... que aparecen como las sombras de lo que un día nos ofrecieron generosamente, y no tendrán ningún incentivo para reconocer el valor de estos ríos que nunca pudieron disfrutar.
Por todo esto, debemos unirnos y recuperar la unidad y la integridad del Tajo y su cuenca. El amor y el respeto que sentimos por él, no termina en ninguna de las fronteras administrativas artificiales y que los seres humanos imponen a la naturaleza.
Para que nuestras manos protejan tenemos que unir y coordinar, y mostrando la unión de los ciudadanos e ciudadanas españoles y portugueses en defensa del Tajo por cuanto de cuenca ibérica internacional tiene. Y afirmar nuestra determinación para combatir la indiferencia y el maltrato a que está sometido.
Por lo tanto, con el fin de defender el Tajo y sus afluentes, y como ciudadanos del río Tajo en Portugal y España, nos unimos para reclamar de todas las autoridades pertinentes, internacionales, nacionales, regionales y locales lo siguiente:
1. La necesidad de una gestión sostenible de la cuenca del Tajo basado en el principio de unidad de su gestión;
2. El cumplimiento de la Directiva Marco del Agua, a saber, garantizar un buen estado de las aguas del Tajo;
3. El establecimiento y la cuantificación de un régimen de caudales ecológicos, diarios, semanales y mensuales, reflejados en los Planes Hidrológicos de la Demarcación Hidrográfica del Tajo, en España y Portugal, para permitir el buen funcionamiento de los ecosistemas relacionados con el río y, en consecuencia, los servicios que prestan a la comunidad;
4. Verificación del cumplimiento continuo del régimen de caudales ecológicos allí definidos;
5. Información pública del cumplimiento de los convenios Luso-Españoles respecto de los ríos ibéricos;
6. Rechazo a los trasvases del Tajo y apoyo a la investigación de alternativas sostenibles, basadas en el uso eficiente del agua;
7. Garantizar caudales en el Tajo y sus afluentes en cantidad y calidad suficiente para garantizar el buen estado de las masas de agua y la viabilidad de los distintos usos lúdicos y recreativos.
8. Acompañar la monitorización y verificar el cumplimiento de las licencias de descargas de efluentes industriales, como las celulosas instaladas en Vila Velha de Ródão, exigiendo la toma de medidas de protección ambiental basado en el principio de la precaución;
9. La implementación de medidas para ayudar a restaurar el sistema natural del río y su entorno;
10. El desarrollo y la promoción de la identidad cultural y social de las orillas del río Tajo.
Esto es lo que defendemos,
Nuestras manos juntas protegen el Tajo.
Y digamos con Miguel Torga, porque los poetas saben ver el futuro...
Recomienza,
Si es posible,
Sin ansiedad y sin prisas.
Y los pasos que des
En este camino difícil
En el futuro
Dalos en libertad
Hasta no alcanzarlo
No descanses.
El Tajo merece!

domingo, 1 de setembro de 2019

7º VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA E CONCENTRAÇÃO IBÉRICA DE CIDADÃOS “EM DEFESA DO TEJO”

CONVITE
10 ANOS EM DEFESA DO TEJO
7º VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA
Descida de Canoa da 
Barragem de Ortiga/Belver até às Mouriscas
E
CONCENTRAÇÃO IBÉRICA DE CIDADÃOS
“EM DEFESA DO TEJO”
7 de setembro de 2019
Os 10 anos de atividade do proTEJO em defesa do Tejo serão celebrados no próximo dia 7 de setembro com a descida de canoa "7º Vogar contra a indiferença" que conta já com 60 pessoas inscritas em 40 embarcações que irão colorir o rio Tejo de todas as cores, estando as inscrições ainda abertas até ao próximo dia 3 de setembro (terça-feira) para quem desejar descobrir o rio Tejo num percurso conhecido de poucos entre a Barragem de Ortiga-Belver no município de Mação e a Estação das Mouriscas no município de Abrantes. 
Entre estes cidadãos conta-se uma participação muito significativa de amigos do Tejo de Espanha pertencentes à Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, sendo muitos os inscritos, como aliás é habitual.
De manhã, a descida em canoa terá início a jusante da Barragem de Ortiga-Belver e a expedição tem destino à Estação das Mouriscas, culminando num almoço em restaurante da Ortiga ou em picnic convívio, à escolha dos participantes.
Durante este percurso fluvial pretende-se realçar a beleza do património natural de um rio Tejo livre com dinâmica fluvial e do património cultural do rio Tejo associado à pesca tradicional no Município de Mação, em especial, as preciosas pesqueiras do rio Tejo, autênticas obras de arte, cuja construção assenta na técnica de execução designada na região por de “pedra ao alto” e de tal eficácia na resistência à natural força das correntes de água que viria a ser utilizada por Juan Bautista Antonelli, em 1583, na construção dos caminhos de sirga e no então criado e ainda hoje existente Canal de Alfanzira, em Mouriscas, no âmbito do projeto de navegabilidade do rio Tejo, no início do reinado de Filipe I.
Às pesqueiras, para serem utilizadas como suporte da pesca à Varela, ao criarem as correntes de água adequadas ao exercício, com sucesso, daquela técnica, junta-se outro equipamento, o barco picareto, construído pelos calafates locais, imprescindível para a pesca com recurso ao tresmalho ou à tarrafa.
E porque não é indiferente à cultura material e imaterial dos ecossistemas e comunidades taganas, bem pelo contrário, manifestar-se-ão igualmente protestos contra a sobre exploração a que o Tejo se encontra submetido.
Neste sentido, irá proceder-se à leitura da Carta Contra a Indiferença na qual se evidencia a necessidade de defender um rio Tejo livre com dinâmica fluvial pela rejeição dos novos projetos de construção de novos açudes e barragens - Projeto Tejo e a Barragem do Alvito - e pela exigência de uma regulamentação daqueles que já existem de modo a garantir: um regime fluvial adequado à prática de atividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas; um estabelecimento de verdadeiros caudais ecológicos; e uma continuidade fluvial proporcionada por passagens para peixes eficazes.
Pretende-se, em especial, consciencializar as populações ribeirinhas para a sobre exploração da água do Tejo que se avizinha com a construção de novos açudes e barragens e que já existe face à gestão economicista das barragens hidroelétricas da estremadura espanhola, aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha e à agressão da poluição agrícola, industrial e nuclear, realçando ainda a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as atividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar.
A tarde será dedicada a uma Concentração Ibérica “Em defesa do Tejo”, na praia fluvial da Ortiga, pretendendo-se apresentar um “Manifesto em defesa da bacia do Tejo/Tajo” aos candidatos dos partidos políticos às eleições legislativas de 2019 e promover a partilha de testemunhos sobre a atual situação do rio Tejo e seus afluentes, bem como da visão e de ideias sobre a defesa do Tejo entre os cidadãos, as associações e as comunidades presentes.
A mobilização de grupos de cidadãos de ambos os lados da fronteira será muito significativa, provando-se que a defesa dos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade.
Esta atividade é organizada pelo proTEJO – Movimento Pelo Tejo e conta com o apoio do Município de Mação, da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza e da NATURZ.
Participem, Divulguem, Partilhem e Convidem os vossos amigos!
O Tejo merece!!








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Mais informações: Paulo Constantino +351919061330

quinta-feira, 25 de julho de 2019

PEDIDO DE ESCLARECIMENTOS SOBRE ATUAÇÃO DA APA NO PROCESSO DE LICENCIAMENTO DE AÇUDE DE TERRA NO RIO SORRAIA

Ex.mo Senhor Ministro do Ambiente e Transição Energética 
Eng.º João Pedro Matos Fernandes 
O Movimento proTEJO teve conhecimento da autorização e construção recente do açude de terra construído no rio Sorraia, em Benavente.
As informações tornadas públicas e que acompanhámos indicavam que o promotor, a Associação de Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira (ABLGVFX), havia obtido autorização da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) para edificar uma barreira a cerca de 1 Km do Porto Alto, onde a água doce vinda de montante ficaria agora retida para utilização para a rega de mais de 10 mil hectares de culturas. Os esclarecimentos prestados pela agência clarificaram que a estrutura seria provisória e que visava reduzir a salinidade da água para rega, e assim, travar o avanço da cunha salina (água salgada) do Tejo até zonas situadas mais a norte do que seria habitual.
Não obstante as razões apresentadas pelas a ABLGVFX poderem ser legítimas, consideramos estar perante um ato que coloca o interesse público em segundo lugar, que é de duvidosa legalidade e cuja licitude carece de fundamento técnico comprovável.
Tratando-se antes demais de domínio público hídrico, é relevante notar que os usos atribuídos devem ser geridos tendo em conta os múltiplos usos, e que neste caso não se cinjam à massa de água que está a ser captada. Tratando-se da zona a jusante da sub-bacia do rio Sorraia, a maior no Tejo nacional, sabemos ter implicações diretas e indiretas com áreas com estatuto de proteção, como os Sítios de Importância Comunitária do Estuário do Tejo (Zona de Proteção Especial), e do Cabeção. 
Paralelamente, são múltiplos os atores locais a montante que podem sofrer com decisões a jusante, e vice-versa. É por isso imperativo que os instrumentos de gestão que permitem a sua auscultação possam ser considerados nas decisões que a eles implicam também. Neste âmbito, destacam-se outras associações beneficiárias, como a Associação de Beneficiários do Vale do Sorraia, de atuação local e regional, como a Comissão de Utentes do Concelho de Benavente (CUCB), e ainda as de defesa do Ambiente, como as dezenas de associações que integram o Movimento proTEJO. 
Surpreende-nos de facto que uma pequena barragem como esta não tenha sido alvo de um processo de Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), conforme previsto no Decreto-Lei n.º 152-B/2017 de 11 de dezembro. Estes instrumentos, para além de permitirem uma consulta pública de modo a assegurar a compatibilização de usos, permitem identificar medidas de mitigação eficazes, o que claramente não foi feito, como demonstram a estanquidade do edificado e a mortandade de peixes observada. Salvaguarda-se que, mesmo sendo uma obra passível de não ser sujeita a AIA, este mecanismo tem vantagens que permitem melhorar a conceção do projeto e até encontrar alternativas ao seu desenho, sendo por isso recomendável a sua utilização. 
Já o regime de Responsabilidade Ambiental é de aplicação direta aos danos ambientais e às ameaças iminentes de danos (respetivamente na aceção das alíneas e) e b) do n.º 1 do artigo 11.º do diploma), causados em resultado do exercício de uma qualquer atividade desenvolvida no âmbito de uma atividade económica, independentemente do seu carácter público ou privado, lucrativo ou não. Este regime visa precisamente assegurar a reparação dos danos ambientais causados, tendo como base os princípios da responsabilidade e da prevenção, e operacionalizando o princípio do poluidor-pagador, consagrados respetivamente nas alíneas f), c) e d) do artigo 3.º da Lei n.º 19/2014, de 14 de abril, que define as bases da política de ambiente.
Também neste âmbito, tratando-se de uma barragem que tem entre 2 e 10 metros de altura, é aplicável o regulamento de pequenas barragens aprovado no Regime de Segurança de Barragens, publicado no decreto-lei n.º 21/2018, de 28 de março. Entre outros requisitos, prevê que este tipo de barragem tenha descarregador de cheias permanentemente desobstruídos, o que não se parece verificar no local. Este requisito é aplicável apenas a barreiras com mais de 5 metros de altura, o que não estamos certos tratar-se do caso já que, em total desrespeito pelo pela Convenção de Aarhus sobre Acesso à Informação, Participação do Público no Processo de Tomada de Decisão e Acesso à Justiça em Matéria de Ambiente, a APA também não tem informação publicada sobre esta matéria.
Note-se ainda que as problemáticas de intrusão da cunha salina são ainda pouco fundamentadas, não sendo possível encontrar informação científica que comprove a efetiva magnitude com que este fenómeno está a ocorrer no Tejo, mas sim modelações futuras para cenários de subida do nível médio das águas do mar e reduções drásticas e continuas do caudal do Tejo. Note-se que as reduções de caudal aqui são de origem nacional, já que a sub-bacia do Sorraia ocorre apenas em Portugal. O objetivo de desconectar o Sorraia do Tejo não se trata de uma resposta às fracas afluências de Espanha nem à intrusão salina, mas sim à falta de recursos hídricos no subsolo e que exigem que outras captações possam ser utilizadas como alternativa. Tal pode ser comprovado pela redução da pluviosidade nesta região do Mediterrâneo, em virtude das consequências das alterações climáticas, mas também aos usos que são dados à água que ocorre na região. Naturalmente prosseguindo os modelos de agricultura intensiva que são praticados, e que dependem de fertilizantes e pesticidas que agravam o teor de sal dos solos, e de uma modelação dos terrenos que em nada promove a infiltração de águas da chuva, podemos concluir estarmos perante um "cocktail" perfeito para que seja a agricultura a acabar com a agricultura. E com o ambiente.
Sabendo que reconhece a importância de os rios chegarem ao mar - necessário também para travar o próprio avanço da cunha salina no futuro - apelamos que o Ministério do Ambiente e Transição Energética possa atuar com urgência no sentido da reposição do estado inicial, como previsto no Regime de Responsabilidade Ambiental, tomando as diligências necessárias para que, também no futuro, os erros possam ser reconhecidos como tal. 
Reiteramos o nosso apoio na renegociação dos caudais afluentes de Espanha, mas que serão apenas valiosos se adotadas medidas que promovam o bom estado ecológico das massas de água em território nacional, não devendo a Reserva Natural do Estuário do Tejo ser prejudicada por uma atividade económica que deve reequacionar também o impacte da sua atividade.
Com os melhores cumprimentos,
Ana Brazão e Paulo Constantino 
(Os porta-vozes do proTEJO)

domingo, 19 de maio de 2019

RESUMO DA REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO - 18 DE MAIO DE 2019

RESUMO DA REUNIÃO DO 
CONSELHO DELIBERATIVO
18 de maio de 2019
proTEJO REJEITA O “PROJETO TEJO” E A BARRAGEM DO ALVITO E PEDE A REVISÃO DA CONVENÇÃO DE ALBUFEIRA
O proTEJO – Movimento pelo Tejo tomou, em reunião do seu Conselho Deliberativo de 18 de maio de 2019, as seguintes deliberações (ver no final):
A) Rejeitar a construção do “Projeto Tejo” e da Barragem do Alvito em virtude das suas consequências negativas em termos ambientais, nomeadamente, o incumprimento da Diretiva Quadro da Água, e pela defesa da preservação de um rio Tejo livre – os únicos 200 km – e com dinâmica fluvial, privilegiando o turismo de natureza, as atividades piscatórias tradicionais e a gastronomia de espécies piscícolas regional.
Neste sentido, entendeu-se ainda requerer uma Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) que integre o desenvolvimento de estudos de projetos alternativos com base nas metas da Diretiva Quadro da Água, tendo em conta todas as alternativas ambiental, financeira e tecnologicamente mais eficazes, uma politica de recuperação de custos dos serviços da água e o uso adequado do erário público considerando o custo de oportunidade destes projetos, e aprovar também uma proposta de introdução no Plano Nacional de Energia e Clima do princípio de não construção de novas barragens, privilegiando-se a adaptação das barragens existentes para satisfazer as necessidades atuais.
Tendo em vista dar a conhecer esta posição do proTEJO serão solicitadas reuniões com o Senhor Ministro do Ambiente e com o Senhor Ministro da Agricultura e enviada a deliberação ao Senhor Presidente da República, ao Governo, à Assembleia da República (Grupos Parlamentares e Comissão Parlamentar do Ambiente, Agricultura e de Economia), à Área Metropolitana de Lisboa, às Comunidades Intermunicipais e Municípios da Bacia do Tejo e à Comunicação Social.
Deliberação nº 1
B) Pedir a urgente da revisão da Convenção de Albufeira, que deverá constituir-se como um instrumento verdadeiramente eficaz e efetivo para o cumprimento da Diretiva Quadro da Água em ambos os países, com o objetivo de definição e aplicação de um regime de caudais ecológicos na Convenção de Albufeira e nos Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo/Tajo assentes num conceito amplo, tal que:
• garanta o bom estado ecológico das águas e a conservação e manutenção dos ecossistemas aquáticos e ribeirinhos;
• assegure a contínua disponibilidade dos benefícios que os rios saudáveis e sistemas subterrâneos de água proporcionam à sociedade;
• preserve os aspetos estéticos da paisagem e outros de interesse científico e cultural;
• garantam uma regularidade do fluxo natural com o estabelecimento de adequados caudais ecológicos diários, semanais e trimestrais.
Pretende-se ainda que a revisão da Convenção de Albufeira assegure o seguinte:
a) a gestão das barragens portuguesas e espanholas para assegurar a quantidade e regularidade dos caudais ecológicos, mantendo a variabilidade sazonal do fluxo natural;
b) a definição de caudais de chegada à foz de forma a evitar a alteração das características das massas de água de transição no estuário do rio Tejo, o aumento da intrusão da cunha salina nos aquíferos e o grau de salinidade das águas do Tejo na lezíria ribatejana;
c) o estabelecimento de regime de caudais ecológicos para o período de exceção (seca e escassez de recursos) assente no conceito de seca hidrológica, mas em complementaridade com a seca meteorológica, agrícola e socioeconómica;
d) a supressão dos 1.000 hm3 de água estabelecidos para transvases do Tejo;
e) a adaptação aos vários cenários de alterações climáticas deve dar prioridade a mecanismos de ajustamento dos usos, atuais e futuros, aos recursos hídricos disponíveis;
f) a instauração de sanções por incumprimento da Convenção de Albufeira de carácter financeiro e ambiental.
C) Realizar uma contraproposta ao protocolo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) proposto pelo Ministério do Ambiente que garanta, além da proposta inicialmente recebida que previa apenas a denúncia de casos de poluição através de um email privilegiado, o acesso a informação sobre o controlo da qualidade da água e da poluição, e a participação ativa na fase de estudo prévio de planos e programas com impacto na qualidade da água da bacia do Tejo, em especial, na conceção e seleção de alternativas a submeter a Avaliação Ambiental Estratégica.
D) Manter em funções os dois porta-vozes até ao final do atual mandato, em fevereiro de 2020;
E) Congratular-se pela decisão justa, mas tardia, da Celtejo de desistir do processo judicial por difamação contra o Arlindo Marques, que entendemos ser o reconhecimento de que este membro do proTEJO não teve a intenção de difamar esta empresa, mas sim de exercer a obrigação constitucional de defender o ambiente no que respeita ao rio Tejo e aos seus afluentes. O recuo deste gigante empresarial e a absolvição de ambientalistas acusados noutros processos de difamação são a prova de que os cidadãos devem unir-se e agir em defesa das suas causas, neste caso da preservação ambiental do rio Tejo e seus afluentes, e que a verdade e bondade dos seus propósitos prevalece sobre as práticas de intimidação e bullying que vêm sendo praticadas pelos agressores/poluidores e que se consubstanciam neste tipo de processos judiciais.
Aguardamos serenamente que o Ministério Público de Castelo Branco faça justiça no processo de inquérito em curso, identificando e acusando os responsáveis pelo grave incidente de poluição ocorrido em 24 de janeiro de 2018, em que a Agência Portuguesa do Ambiente afirmou ter detetado um nível de fibras de celulose cinco mil vezes superior ao normal quanto ao episódio grave de poluição que cobriu o Tejo com um manto de espuma na zona de Abrantes.
Renovamos ainda o nosso compromisso com o rio Tejo e seus afluentes, e com as populações ribeirinhas, de que iremos continuar a denunciar os agentes poluidores e a procurar soluções para os problemas de qualidade e quantidade de água na bacia do Tejo, bem como para os problemas criados pelas barreiras à conectividade fluvial (açudes, barragens, travessões, …).
F) Aprovar a integração das seguintes atividades no plano de atividades do segundo semestre de 2019:
• Descida de canoa “Vogar contra a indiferença” e Concentração Ibérica “Em defesa do Tejo”, ambos no dia 7 de setembro, no âmbito do 10º aniversário do proTEJO;
Descrição: Descida de canoa num percurso de 8 km entre a Barragem de Belver-Ortiga e Mouriscas, com estacionamento na Barragem de Belver-Ortiga e descida de canoa até à estação de comboio de Mouriscas-A e volta de comboio às 12h18m da estação de Mouriscas-A com chegada às 12h25m à estação de Barragem de Belver-Ortiga, terminando com almoço junto à barragem de Belver-Ortiga.
• “Tejo Vivo e Vivido – Seminário para a recuperação do rio Tejo e seus afluentes”, no Cartaxo, em outubro de 2019, com os seguintes temas:
1º Painel – Que floresta e que agricultura para mais e melhor água;
2º Painel – Controlo e fiscalização da qualidade da água e de descargas de efluentes.
• Jornadas sobre “Direito ambiental dos recursos hídricos”, dirigida a juristas e magistrados, em novembro de 2019;
• Manifestações contra a poluição dos afluentes do Tejo, o rio Maior e o rio Nabão.
Bacia do Tejo, 18 de maio de 2019

Deliberações:
2. Deliberação sobre a revisão da Convenção de Albufeira
3. Proposta de Protocolo entre o proTEJO, a IGAMAOT e a APA

quarta-feira, 15 de maio de 2019

REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO - 18 DE MAIO DE 2019

CONVITE
REUNIÃO DO CONSELHO DELIBERATIVO
18 de maio de 2019
Exmos. Senhores
O proTEJO – Movimento Pelo Tejo vem convidá-los a estarem presentes na sua Reunião do Conselho Deliberativo que se realizará no dia 18 de maio de 2019 (sábado) pelas 14 horas e 30 minutos, na sede da Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha (ex-Junta de Freguesia da Moita do Norte), com a seguinte Ordem de Trabalhos:
1º Apreciação e votação da proposta de protocolo entre o proTEJO, a APA e a IGAMAOT - DT nº 1;
2º Apreciação e votação da posição sobre o “Projeto Tejo” - DT nº 2;
3º Apreciação e votação da posição sobre a Convenção de Albufeira - DT nº 3;
4º Eleição de porta voz do movimento proTEJO;
5º Diversos.
Ponto de Situação
A. Desistência por parte da Celtejo do processo judicial contra Arlindo Marques - DT nº 4;
B. Resultado do processo do Pedro Triguinho
C. Resposta do Ministério do Ambiente sobre os 10 casos específicos de problemas do Tejo - DT nº 5;
Programação de Atividades
D. Vogar contra a indiferença – 7 de setembro de 2019 - DT nº 6;
E. Concentração ibérica “Em defesa dos caudais ecológicos no Tejo/ Tajo” – 7 de setembro de 2019
F. Seminário “Tejo Vivo e Vivido – Seminário para a recuperação do rio Tejo e seus afluentes” – outubro de 2019 - DT nº 7;
G. Concentração ibérica contra a poluição do rio Tejo em Portugal e Espanha e apresentação de reclamação à Comissão Europeia por parte da Rede do Tejo/ Tajo – barragem de Cedillo – novembro de 2019
H. Jornadas sobre “Direito ambiental dos recursos hídricos” dirigida a juristas e magistrados – novembro de 2019
I. Manifestações contra a poluição dos afluentes do Tejo - rio Maior/rio Nabão
J. Projeto “Forúm Ibérico de Cidadania do Tejo/Tajo” - DT nº 8;
Esta iniciativa encontra-se aberta às organizações e aos cidadãos que referenciem como partilhando este objetivo, pelo que agradecemos que as convidem a estarem presentes.
PARTICIPEM!
SÓ COM A VOSSA PRESENÇA PODEMOS SEGUIR EM FRENTE NA DEFESA DO TEJO!
A PARTICIPAÇÃO DOS ADERENTES E O ENVOLVIMENTO DOS CONVIDADOS É UM IMPORTANTE INCENTIVO MORAL!
CONTAMOS CONVOSCO!
Como chegar?
Rotunda do Fogueteiro
Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha
(ex - Junta de Freguesia de Moita do Norte)
39°27'58.7"N 8°26'43.4"W
39.466306, -8.445389

segunda-feira, 6 de maio de 2019

CONCENTRAÇÃO IBÉRICA ANTINUCLEAR PELO FECHO DA CENTRAL NUCLEAR DE ALMARAZ – CEDILLO - 11 DE MAIO DE 2019

O proTEJO – Movimento pelo Tejo integra o Movimento Ibérico Antinuclear que convoca uma Concentração Ibérica Antinuclear pelo Fecho da Central Nuclear de Almaraz na barragem de Cedillo no próximo dia 11 de maio de 2019.
Apelamos à vossa participação considerando os níveis de radioatividade artificial existentes no rio Tejo, superiores aos registados noutros rios que não estão sujeitos à atividade de centrais nucleares, e a ameaça do risco de acidente nuclear que representa a obsolescência da Central Nuclear de Almaraz.
PARTICIPEM O TEJO MERECE!