Somos um movimento de cidadania em defesa do Tejo denominado "Movimento Pelo Tejo" (abreviadamente proTEJO) que congrega todos os cidadãos e organizações da bacia do TEJO em Portugal, trocando experiências e informação, para que se consolidem e amplifiquem as distintas actuações de organização e mobilização social.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

"TEJO, O RIO PERDIDO" - GRANDE REPORTAGEM - PROGRAMA LINHA DA FRENTE RTP1

A Grande Reportagem "Tejo, O Rio Perdido" será emitida no programa Linha da Frente da RTP 1, no Sábado, 26 de Setembro de 2015 pelas 20h45m, logo após o Telejornal, com uma duração de 26 minutos.

Esta reportagem sobre a degradação do Tejo, em Espanha e Portugal, inclui entrevistas com os movimentos de cidadania espanhóis, nomeadamente, a Plataforma em Defesa do Rio Tejo e Alberche de Talavera de La Reina e a Plataforma em defesa do Tejo de Toledo, bem como de organizações e movimentos de cidadania portugueses, nomeadamente, o proTEJO - Movimento pelo Tejo, a QUERCUS e a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

domingo, 6 de setembro de 2015

CARTA DE COMPROMISSO PARA OS CANDIDATOS ÀS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE 2015

Carta de Compromisso
para Candidatos a Deputados da 
Assembleia da República nas eleições legislativas de 2015
O rio Tejo não é apenas água, é cultura viva, a espinha dorsal e o eixo das terras e das aldeias por onde passa.
O Tejo une toda esta bacia de Espanha a Portugal, todas as suas populações ribeirinhas e as suas culturas, que o conhecem e o vivem da nascente até à foz, de Albarracín ao Grande Estuário.
Mas o que foi outrora um jardim de peixe, é hoje infelizmente uma promessa de fóssil, caso não se tomem medidas urgentes para o salvar, tanto em Portugal como em Espanha.
É urgente assegurar que o caudal do Tejo seja o que era antigamente e acabar com a crescente poluição que mata os peixes e envenena o ambiente e as pessoas.
Esta poluição, em território nacional, provém da agricultura, indústria, suinicultura, águas residuais urbanas e outras descargas de efluentes não tratados, com total desrespeito pelas leis em vigor, e sem a competente ação de vigilância e controlo pelas autoridades responsáveis, valendo a ação de denúncia das organizações ecologistas e dos cidadãos, por diversas formas, nomeadamente, através da comunicação social.
Esta catastrófica situação do rio Tejo e seus afluentes impede o aproveitamento do seu potencial uso para práticas de lazer, de turismo fluvial e desportos náuticos, respeitando a natureza e a saúde ambiental da bacia hidrográfica do Tejo.
No entanto, não estão em causa as atividades realizadas por empresas e outras organizações na bacia hidrográfica do Tejo, o que se saúda e deseja, porém tal deve ocorrer com as práticas adequadas à salvaguarda do bem comum que o rio Tejo e seus afluentes constituem para os seus ecossistemas aquáticos e para as populações ribeirinhas.
Assim, são amplamente conhecidos os males de que o Tejo padece com a retenção de água nas barragens, os transvases, o assoreamento, a poluição, ou seja, o maltrato que a mão do homem tem vindo a infligir à sua água e aos seus ecossistemas.
Para conter essa mão que o maltrata temos que abrir a outra mão para que o proteja, e essa mão somos nós!
Por isso temos o dever de estender essa mão aberta para criar uma corrente de vontade e de intencionalidade, que seja capaz de esclarecer quem decide e que exija um tratamento ecologicamente sustentável para o rio Tejo.
Devemo-lo a nós próprios, que com o Tejo partilhámos a nossa vida e aceitámos a generosidade das suas águas.
Devemo-lo às gerações futuras para que conheçam um Tejo vivo, como nós o conhecemos, e não um escravo e prisioneiro do egoísmo e da especulação dos humanos.
Se continuarmos neste rumo, as próximas gerações já não conhecerão rios vivos, mas apenas imagens na internet... que serão sombras do que um dia nos foi oferecido com generosidade.
Por tudo isto, devemos unir-nos e reclamar a unidade e integridade do Tejo e da sua bacia, já que o amor e o respeito que por ele sentimos não se esgotam em nenhuma das fronteiras administrativas e artificiais que os homens impõem à natureza.
Para que as nossas mãos o protejam temos que as unir e coordenar, mostrando a nossa união na defesa do Tejo, enquanto bacia ibérica e internacional, e afirmar a nossa determinação para combater a indiferença ao maltrato que tem vindo a sofrer.
Assim, com vista a defender o rio Tejo e seus afluentes, propomos que os candidatos a deputados às eleições legislativas de 2015 se comprometam com as seguintes reivindicações e medidas:
1º.  A necessidade de uma gestão sustentável da bacia hidrográfica do Tejo;
2º.  O cumprimento da Diretiva Quadro da Água, ou seja, a garantia de um bom estado das águas do Tejo;
3º.  O estabelecimento e quantificação de um regime de caudais ambientais, diários, semanais e mensais, refletidos nos Planos da Bacia Hidrológica do Tejo, em Espanha e em Portugal, que permitam o bom funcionamento dos ecossistemas ligados ao rio;
4º.  A monitorização do cumprimento permanente do regime de caudais ambientais;
5º.  A recusa dos transvases do Tejo e o apoio à investigação de alternativas sustentáveis, baseadas no uso eficiente da água;
6º.  A conceção de um projeto com vista ao desassoreamento do rio Tejo e à sua navegabilidade;
7º.  A qualidade e quantidade de água do rio Tejo e dos seus afluentes, no sentido de garantir os diversos usos;
8º.  A ação rigorosa e consequente contra a poluição, crescente e contínua, que cada vez mais devasta o rio Tejo e dos seus afluentes;
9º.  A realização de ações para ajudar a restaurar o sistema fluvial natural e o seu ambiente;
10º.     A valorização e promoção da identidade cultural e social das populações ribeirinhas do Tejo.

DENÚNCIA DE INCIDENTES DE POLUIÇÃO NO RIO TEJO

O proTEJO - Movimento pelo Tejo, no âmbito da Rede de Vigilância do Tejo, acabou de denunciar a crescente e contínua poluição ocorrida no rio Tejo desde 12 de Maio a 5 de Setembro de 2015, tendo facultado à Agência Portuguesa do Ambiente e ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA) os seguintes vídeos recolhidos por cidadãos das populações ribeirinhas do Tejo.
POLUIÇÃO DO RIO TEJO - 5 SETEMBRO 2015 PELAS 10H30M
RIO TEJO ESTÁ SEM CAPACIDADE DE ESCONDER A CARGA POLUENTE QUE LHE METEM - 26 AGOSTO 2015
POLUIÇÃO NO RIO TEJO - 30 JULHO 2015 - 1KM A JUSANTE DA BARRAGEM DE BELVER
POLUIÇÃO NO RIO TEJO - MANHÃ DE 11 JUNHO 2015 - ORTIGA - MAÇÃO
RIO TEJO NOVAMENTE A CORRER POLUÍDO - 21 MAIO 2015 – ORTIGA/MAÇÃO
RIO TEJO MUDOU DE COR E COMEÇOU A " MATAR" PEIXES ÀS CENTENAS - 12 MAIO 2015 - ORTIGA/MAÇÃO
Vídeos de Arlindo Marques

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

REDE DE VIGILÂNCIA DO TEJO

Tendo em vista dar execução à decisão de "Criar, através dos cidadãos, uma rede de vigilância dos fenómenos de poluição e da falta de caudais tendo em vista que os infratores sejam denunciados às entidades responsáveis pela fiscalização ambiental e consequentemente penalizados e sancionados" vimos solicitar que nos façam chegar a vossa documentação e registos de fenómenos de poluição e escassez de caudais para o nosso email protejo.movimento@gmail.com e/ou que efetuem a comunicação diretamente às seguintes entidades:
Agência Portuguesa do Ambiente - Serviços Centrais
Rua da Murgueira, 9/9A - Zambujal Ap. 7585
2611-865 Amadora
Tel: (351) 21 472 82 00| Fax: (351) 21 471 90 74
Lat: 38º 44' 18,08" N | Lon: 9º 12' 27,59" W
APA – Administração da Região Hidrográfica do Tejo e Oeste
Endereço
Telefone
Fax
Sede: Rua da Murgueira, 9/9A - Zambujal Ap. 7585
2611-865 Amadora
21 472 82 00
21 471 90 74
Pólo das Caldas da Rainha
Av. Eng.º Luís Paiva e Sousa, n.º 6 | 2500-329 Caldas da Rainha
262 100 630
262 100 631
Pólo de Santarém
Praça Visconde Serra do Pilar, n.º 4, 1º | 2000-093 Santarém
243 109 600
234 109 601
Pólo de Abrantes
Rua D. João IV, n.º 33, 1º | 2200-397 Abrantes
241 100 050
241 100 062
Pólo de Portalegre
Bairro da Fontedeira, Bloco 1, Cave | 7300-076 Portalegre
245 100560
245 100 561
Pólo de Castelo Branco
Largo da Sr.ª da Piedade, Rua João Evangelista | 6000-167 Castelo Branco
272 100 510
272 100 511

 

SEPNA - Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente da Guarda Nacional Republicana (SEPNA)
Comando Operacional (DSEPNA)
Morada: Largo do Carmo 1200-092 Lisboa
Tel : 213 217 291/2 Fax: 213 217 004
Linha SOS Ambiente e Território:808 200 520
 Comando Territorial
Telefone
Fax
E-mail
Castelo Branco
272 340 900
272 340 908
ct.ctb@gnr.pt
Lisboa
213 252 500
213 252 555
ct.lsb@gnr.pt
Portalegre
245 609 320
245 609 338
ct.ptg@gnr.pt
Santarém
243 304 500
243 304 509
ct.str@gnr.pt
Setúbal
265 540 280
265 220 156
ct.stb@gnr.pt

Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território
Rua de O Século, nº 51, 1200-433 Lisboa
Tel: (351) 21 321 55 00
SOS Ambiente e Território - 800 200 520
Como denunciar?
Envio por email para igamaot@igamaot.gov.pt
Formulário de denúncia

AGIR EM DEFESA DO TEJO - COMUNICADO

COMUNICADO
5 de Agosto de 2015
AGIR EM DEFESA DO TEJO
Vila Nova da Barquinha
O proTEJO – Movimento Pelo Tejo realizou, no passado dia 2 de Agosto, a sua Assembleia Geral onde estiveram representados a Câmara Municipal de Abrantes, a Ecocartaxo, o Movimento Cívico Ar Puro, o Movimento Ecologista do Vale de Santarém, o Observatório Ambiental do rio Tejo, a QUERCUS e cidadãos em nome individual.
Os presentes analisaram a grave situação de poluição que ocorre há largos anos na bacia hidrográfica do Tejo, com particular intensificação nos meses mais recentes, sobretudo a partir de Maio 2015, ainda mais evidente pelo acentuar da escassez de caudais.
Esta poluição, em território nacional, provém da agricultura, indústria, suinicultura, águas residuais urbanas e outras descargas de efluentes não tratados, com total desrespeito pelas leis em vigor, e sem a competente ação de vigilância e controlo pelas autoridades responsáveis, valendo a ação de denúncia das organizações ecologistas e dos cidadãos, por diversas formas, nomeadamente, através da comunicação social.
No entanto, não estão em causa as atividades realizadas por empresas e outras organizações na bacia hidrográfica do Tejo, o que se saúda e deseja, porém tal deve ocorrer com as práticas adequadas à salvaguarda do bem comum que o rio Tejo e seus afluentes constituem para os seus ecossistemas aquáticos e para as populações ribeirinhas.
Os trabalhos desta reunião resultaram nas seguintes decisões:
1º Preparar as alegações ao Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo até 12 de Outubro de 2015 tendo em vista propor medidas que contribuam para a resolução dos problemas ambientais do Tejo;
2º Mostrar indignação ao Governo e à Agência Portuguesa do Ambiente pela sistematicamente tardia e ineficaz resposta e pela escassez de meios de fiscalização face aos recorrentes episódios de gravosa poluição e escassez de caudais que têm vindo a assolar a bacia do Tejo;
3º Criar, através dos cidadãos, uma rede de vigilância dos fenómenos de poluição e da falta de caudais tendo em vista que os infratores sejam denunciados às entidades responsáveis pela fiscalização ambiental e consequentemente penalizados e sancionados;
4º Saudar os cidadãos da bacia hidrográfica do Tejo manifestando a solidariedade perante as situações graves de poluição e escassez de caudais que têm vivido, devido a ações irresponsáveis e ilegais, e que provocam a diminuição da riqueza natural desta vasta região, com repercussões de natureza económica e turística, presente e futura, e a deterioração da qualidade de vida e saúde das populações.

terça-feira, 21 de julho de 2015

ASSEMBLEIA GERAL DO proTEJO - 2 DE AGOSTO DE 2015

 CONVITE
ASSEMBLEIA GERAL DO proTEJO - 2 DE AGOSTO DE 2015
 
O proTEJO – Movimento Pelo Tejo vem convidá-los a estarem presentes na sua ASSEMBLEIA GERAL que se realizará no dia 2 de Agosto de 2015 (domingo) pelas 14 horas e 30 minutos, no salão da Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha, com a seguinte ordem de trabalhos:
Alegações ao Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo (ver versão provisória do Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo 2015/2021)
2º Estratégia de ação do proTEJO
3º Diversos
Esta iniciativa encontra-se aberta às organizações e aos cidadãos que referenciem como partilhando este objectivo, pelo que agradecemos que as convidem a estarem presentes.
PARTICIPEM!
SÓ COM A VOSSA PRESENÇA PODEMOS SEGUIR EM FRENTE NA DEFESA DO TEJO!
A PARTICIPAÇÃO DOS ADERENTES E O ENVOLVIMENTO DOS CONVIDADOS É UM IMPORTANTE INCENTIVO MORAL!
CONTAMOS CONVOSCO!
Como chegar?
Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha - Ver mapa

segunda-feira, 1 de junho de 2015

DEBATE "ESTE TEJO QUE NOS MOBILIZA" - DIA MUNDIAL DO AMBIENTE


Participem na comemoração do Dia Mundial do Ambiente, no qual se realiza o debate "Este Tejo que nos mobiliza!", no próximo dia 5 de junho, pelas 11:00, no Parque Tejo em Abrantes, no qual estarão presentes os responsáveis das Comunidades Intermunicipais ribeirinhas, da Universidade de Lisboa, da Agência Portuguesa do Ambiente e do movimento de cidadania proTEJO - Movimento pelo Tejo. Vamos defender o nosso rio, o Tejo merece!

No âm­bito da co­me­mo­ração do Dia Mun­dial do Am­bi­ente re­a­liza-se o de­bate "Este Tejo que nos mo­bi­liza!", no pró­ximo dia 5 de junho, pelas 11:00, no Parque Tejo em Abrantes, com o se­guinte pro­grama:

11:00     Re­ceção dos par­ti­ci­pantes no Parque Tejo
11:15     Vi­sita Guiada ao Parque Tejo
                e à Ex­po­sição da Cul­tura Avi­eira
11:30     Mesa Re­donda: Rio Tejo-uma visão de ação
                in­te­grada para a sua sus­ten­ta­bi­li­dade
                Ora­dores
                Maria do Céu Al­bu­querque / C­MARA MU­NI­CIPAL DE ABRANTES / CO­MU­NI­DADE IN­TER­MU­NI­CIPAL DO MÉDIO TEJO
                Pedro Ri­beiro / CO­MU­NI­DADE IN­TER­MU­NI­CIPAL DA LE­ZÍRIA DO TEJO
                João Paulo Ca­ta­rino / CO­MU­NI­DADE IN­TER­MU­NI­CIPAL DA BEIRA BAIXA
                Ar­mando Va­rela / CO­MU­NI­DADE IN­TER­MU­NI­CIPAL DO ALTO ALEN­TEJO
                Ber­nardo Quin­tella / UNI­VER­SI­DADE DE LISBOA
                Carlos Castro / AGÊNCIA POR­TU­GUESA DO AM­BI­ENTE
                Paulo Cons­tan­tino / MO­VI­MENTO PRO­TEJO
12:30     De­bate
13:00     De­gus­tação de Pro­dutos do Rio

VIII JORNADAS "POR UM TEJO VIVO" EM CANDELEDA

Participem nas VIII Jornadas "POR UM TEJO VIVO" em Candeleda da Rede do Tejo/Tajo.





terça-feira, 26 de maio de 2015

CARTA ABERTA AO SENHOR MINISTRO DO AMBIENTE, ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E ENERGIA - ESCASSEZ DE ÁGUA E POLUIÇÃO NO RIO TEJO

CARTA ABERTA AO SENHOR MINISTRO DO AMBIENTE, ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E ENERGIA
ESCASSEZ DE ÁGUA E POLUIÇÃO NO RIO TEJO
27 de Maio de 2015
Exmo. Senhor Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia
O proTEJO – Movimento pelo Tejo tem vindo, desde Junho de 2009, a denunciar os problemas de escassez de caudais e de poluição no rio Tejo que nos últimos meses se ampliaram e foram difundidos por dois episódios que geraram uma descomunal mortandade de peixes, tendo o primeiro ocorrido, a 3 de Abril, por aprisionamento no açude de Abrantes após uma variação súbita do caudal do rio e, o segundo, a 12 de Maio em Mação, alegadamente por efeitos da poluição.
Apesar da tristeza de tais episódios, esta mortandade teve a virtude de colocar o dedo na ferida de morte do nosso rio, de que tem vindo lentamente a padecer, e de impelir os nossos cidadãos, autarcas e deputados a solicitarem esclarecimentos e a intervenção dos governantes no sentido de investigarem e de adotarem medidas para que tal não volte a suceder.
Contudo, importa conhecer a gravidade do problema e diagnosticar a enfermidade, pelo que apurámos os seguintes fatos:
1º.    O volume de água armazenado nas barragens do rio Tejo em Espanha e Portugal é suficiente para fornecer um maior volume de caudais ao rio Tejo;
Com efeito, o volume de água armazenado atualmente nas barragens espanholas da província de Cáceres de 5.523 hm3, ou seja, 83,34% da capacidade de armazenamento, e nas barragens portuguesas de 2.034,1 hm3, ou seja, 79,9% da capacidade de armazenamento das barragens (esta informação não inclui o armazenamento das barragens de Fratel e Belver sobre as quais, curiosamente, não está disponível informação).
2º.  Os caudais semanais e trimestrais para o rio Tejo, conforme definidos na Convenção de Albufeira celebrada entre Portugal e Espanha, são insuficientes para manter o bom estado ecológico da água e para sustentar o seu uso para o lazer das populações ribeirinhas;
Se realizarmos o cálculo dos caudais semanais e trimestrais necessários para assegurar anualmente o cumprimento da Convenção de Albufeira, respeitando a variação sazonal dos mesmos, concluímos que estes representam 13% e 37%, respectivamente, do caudal anual, pelo que é demasiadamente elevado, 87% para os caudais semanais e 63% para os caudais trimestrais, o volume de água que mantém um regime livre quanto ao período para a sua circulação, ou seja, a proporção do caudal anual abatido dos volumes de água necessários para cumprimento dos caudais semanais ou trimestrais.
Isto quer dizer que Espanha, no caso dos caudais semanais, pode enviar num único momento 2.336 hm3 de caudal e ainda assim consegue cumprir os caudais semanais com os restantes 364 hm3 que restam para cumprir o caudal anual de 2.700 hm3 ou, no caso dos caudais trimestrais, pode enviar num único momento 1.705 hm3 de caudal e ainda assim consegue cumprir os caudais trimestrais com os restantes 995 hm3 que restam para cumprir o caudal anual de 2.700 hm3.
3º.   As barragens portuguesas do rio Tejo também estão a reter mais água do que aquela que recebem;
O caudal efluente (saídas de água) médio diário das barragens de Fratel e Belver tem sido zero em alguns dias dos meses de Março e Abril de 2015 apesar do caudal afluente (entradas de água) médio diário da barragem do Fratel, vindo de Espanha, ser positivo pelo que, além da retenção de água nas barragens espanholas, as próprias barragens portuguesas também têm sido responsáveis pela retenção de água e pelos diminutos caudais que se observam no rio Tejo.
4º.  A mortandade de peixes em Mação coincidiu com significativas afluências (entradas de água) de Espanha.
O caudal afluente (entradas de água) médio diário da barragem do Fratel entre os dias 11 e 14 de Maio foi entre 155,49 e 276 m3/s muito acima da média 64,78 m3/s do mês de Fevereiro de 2015 (o último mês com dados disponíveis) o que apenas poderá ser explicado por um acréscimo significativo das afluências de Espanha. Este caudal afluente à barragem do Fratel foi descarregado para jusante visto que a barragem de Belver recebeu afluências e descarregou efluentes com volumes da mesma ordem.
De acordo com as notícias difundidas na comunicação social, vários populares e responsáveis políticos afirmaram que, no dia 12 de Maio de 2015, em Mação, era notório um significativo nível de poluição do rio pelo que será importante a realização de uma investigação por parte do Ministério do Ambiente e da Agência Portuguesa do Ambiente no sentido de apurar responsabilidades pela mortandade de peixes.
Considerando que, no período de 11 a 14 de Maio de 2015, se registaram, em simultâneo, caudais anormalmente elevados provenientes de Espanha e um enorme surto de poluição com repercussões catastróficas para os ecossistemas aquáticos, importa esclarecer se essa poluição teve origem nas descargas de efluentes das barragens espanholas ou se houve uma descarga de caudais das barragens do Tejo para diluir algum acidente de poluição entretanto ocorrido.
Neste contexto, o proTEJO reitera a necessidade de adoção das medidas que já apresentou, em 2012, nas alegações ao Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo, designadamente:
a)  A revisão dos caudais mínimos do rio Tejo previstos na Convenção de Albufeira assegurando:
       i. O aumento do caudal anual para um caudal que preserve o bom estado ecológico das águas;
      ii. A aproximação do caudal ambiental ao caudal instantâneo com a duplicação dos atuais caudais semanais e trimestrais para alcançar 80% do caudal anual;
b)  A quantificação dos caudais ambientais em hm3 e m3/ segundo;
c) O estabelecimento de indicadores do estado ecológico das massas de água transfronteiriças;
d)  A avaliação do estado ecológico no relatório sobre o cumprimento da Convenção de Albufeira;
e)  A determinação de caudais ambientais nos vários troços de rio e na chegada à foz em função do objetivo de estado ecológico;
f)  Instaurar sanções por incumprimento da Convenção de Albufeira de carácter financeiro e ambiental, em termos de restauração fluvial.
Além disso, o proTEJO solicita ao Senhor Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia e à Agência Portuguesa do Ambiente a realização de uma investigação no sentido de apurar as responsabilidades pela mortandade de peixes ocorrida no dia 12 de Maio de 2015 em Mação considerando que, no período de 11 a 14 de Maio de 2015, se registaram, em simultâneo, caudais anormalmente elevados provenientes de Espanha e um enorme surto de poluição com repercussões catastróficas para os ecossistemas aquáticos, esclarecendo-se, portanto, se essa poluição teve origem nas descargas de efluentes pelas barragens espanholas ou se houve uma descarga de caudais das barragens do Tejo para diluir algum acidente de poluição entretanto ocorrido.
Paulo Constantino e Sara Cura
porta vozes do proTEJO
Fontes: Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos (SNIRH) http://snirh.pt e Sistema Automático de Informação Hidrológica (SAIH) http://saihtajo.chtajo.es