Somos um movimento de cidadania em defesa do Tejo denominado "Movimento Pelo Tejo" (abreviadamente proTEJO) que congrega todos os cidadãos e organizações da bacia do TEJO em Portugal, trocando experiências e informação, para que se consolidem e amplifiquem as distintas actuações de organização e mobilização social.

domingo, 25 de setembro de 2011

NOTA DE IMPRENSA - 25 DE SETEMBRO - VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA - 2011

NOTA DE IMPRENSA
25 de Setembro de 2011
VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA
CONSTÂNCIA - ALMOUROL - VILA NOVA DA BARQUINHA
3ª Mobilização Cidadãos pelo Tejo
24 de Setembro de 2011
Uma centena e meia de cidadãos participaram na descida de canoa a “VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA” no dia 24 de Setembro de 2011 numa acção de mobilização dos cidadãos em defesa do Tejo e do património natural e cultural associado e protesto contra a sobre exploração a que o Tejo se encontra submetido em resultado do aumento dos transvases.
A actividade contou com a participação de cidadãos de ambos os lados da fronteira, provando-se que a defesa dos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade.
A iniciativa consistiu numa descida em canoa que teve início na praia fluvial de Constância, com paragem no Castelo de Almourol, e cuja expedição chegou ao seu destino no Caís da Hidráulica no Parque Ribeirinho de Vila Nova da Barquinha, realçando a beleza deste património natural e cultural associado ao rio.
Na praia fluvial de Constância procedeu-se à leitura da Carta Contra a Indiferença que evidenciou a necessidade de defender o rio Tejo da sobre exploração da água devido aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha, e a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as actividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar.
Esta actividade transmitiu aos participantes e às populações ribeirinhas a importância da conservação do rio Tejo focando a necessidade de uma regulamentação da gestão de barragens e açudes que garanta um regime fluvial adequado à prática de actividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas, que integre verdadeiros caudais ecológicos e uma continuidade fluvial proporcionada por passagens para peixes eficazes.
No parque ribeirinho de Vila Nova da Barquinha foram por fim apresentados os vectores estratégicos da análise do projecto de Plano de Gestão da Bacia Hidrográfica do Tejo cujo processo de participação pública se encontra actualmente em curso.
Com o apoio

terça-feira, 13 de setembro de 2011

UM RIO DE FELICIDADE - CRÓNICA "CÁ POR CAUSAS" - JORNAL A BARCA - 26 DE AGOSTO DE 2011

A felicidade tem vindo a ser considerada como “um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, bem-estar espiritual ou paz interior em que o sofrimento e a inquietude estão ausentes” e que abrange ainda “emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo”.
Para Rosseau é difícil ver homens felizes, mas vêem-se “muitas vezes corações contentes”, visto que a felicidade se lê no coração enquanto a alegria se lê nos olhos, no porte, no sotaque, no modo de andar, e parece comunicar-se a quem dela se apercebe”, sublimando o doce prazer de “ver um povo entregar-se à alegria num dia festivo, e todos os corações desabrocharem aos raios expansivos do prazer que passa, rápida mas intensamente, através das nuvens da vida”.
As emoções e o contentamento provocado pelo disfrute das águas que percorrem um rio numa corrente com destino de onda e desejo de mar será “fluviofelicidade”, um conceito criado pelo catedrático em Hidrogeologia e fundador da Fundaçao Nova Cultura da Água, Javier Martínez Gil, que tem tido muita aceitação entre os entusiastas dos desportos de aventura nos rios.
Este conceito pretende transmitir o prazer proporcionado pelo contacto com o meio fluvial, podendo sentir-se deslizando numa canoa pelas águas de um rio ou observando um pato que brinque às escondidas nos caniçais.
A teoria da “fluviofelicidade” defende que os rios geram “bem-estar e sentimentos de felicidade nas pessoas, sendo fontes de emoções e símbolos da vida, fertilidade, nascimento e renovação, fortemente arreigados na nossa cultura e fruto da interiorização de uma ligação especial entre o ser humano e a água que flui”.
A beleza dos rios gera bondade e transmite-nos a tranquilidade, o sossego e a liberdade de que necessitamos para alcançarmos a nossa própria felicidade interior, bem ilustrada na redenção e libertação que o Siddhartha de Hermann Hess alcança como barqueiro de um grande rio que tudo e todos percorrem, ao longo da vida e por todas as eternidades.
Defende ainda a valorização dos rios como património cultural e de identidade, sendo a sua defesa vital para as cidades e povoações situadas nas suas margens, que tendem a perder a sua personalidade quando os rios se degradam ou são desvirtuados os seus leitos.
A visão de um rio contaminado ou degradado transtorna-nos e traz-nos à consciência o vandalismo que nos rodeia, sendo um espelho de uma destruição que provoca défices de beleza que as experiências de “fluviofelicidade” podem ajudar a devolver ao proporcionarem o contacto com o melhor dos nossos rios.
Esta concepção assenta numa nova cultura da água e da vida que aponta os rios como a alma do território cuja destruição extingue a ligação do homem com o seu território.
A actividade VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA, a realizar no próximo dia 24 de Setembro pelo protejo – Movimento Pelo Tejo, propõem-vos isto mesmo, uma descida de canoa de Constância a Vila Nova da Barquinha que será simultaneamente um tributo à conservação e à vivência da alegria festiva da “fluviofelicidade” no nosso rio Tejo.
E você está pronto para ser “fluviofeliz”?
Participe, o Tejo merece!
Paulo Constantino

terça-feira, 23 de agosto de 2011

1ª REUNIÃO DO GRUPO DE TRABALHO proTEJO - PARTICIPAÇÃO PÚBLICA NO PROJECTO DE PLANO DE GESTÃO DA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO TEJO

Nota de Imprensa
23 de Agosto de 2011
1ª Reunião do Grupo de Trabalho proTEJO
Participação Pública no projecto de
Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo
Realizou-se no passado dia 20 de Agosto de 2011, a primeira reunião do Grupo de Trabalho proTEJO com o objectivo de iniciar a preparação das alegações a apresentar no processo de participação pública no projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo.
Esta foi a primeira de um conjunto de reuniões de trabalho que se realizarão até Dezembro do ano corrente, integrando cidadãos e representantes de associações ambientalistas e culturais e Câmaras Municipais, que pretendem dinamizar uma partilha de informação, de conhecimentos e um debate amplo sobre o projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo.
Estas reuniões pretendem reunir estes contributos em propostas de alegações e de medidas para a gestão da região hidrográfica do Tejo a serem apresentadas pelo proTEJO - Movimento Pelo Tejo até 11 de Fevereiro de 2012, final do período de participação pública deste plano.
O proTEJO irá realizar, paralelamente, diversas actividades para promover a intervenção dos cidadãos da bacia do Tejo no processo de participação pública em curso e a sensibilização das populações ribeirinhas para a conservação e defesa da bacia do Tejo, tais como:
A. Apresentação de vectores de análise do projecto de PGRHT - VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA – Descida de canoa entre Constância – Almourol – Vila Nova da Barquinha - 24 de Setembro de 2011 - Local: Vila Nova da Barquinha;
B. Exposição itinerante sobre o projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo em parceria com a ARH Tejo - 24 de Setembro de 2011 - Local: Vila Nova da Barquinha;
C. Sessão de Debate sobre a proposta final de alegações ao projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo – 19 de Novembro de 2011 – Local: A indicar;
D. Apreciação da proposta de alegações em Assembleia Geral do proTEJO – 7 de Janeiro de 2012 – Local: A indicar.
A abordagem ao projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo incidiu sobre diversos vectores de análise que irão ser desenvolvidos, aperfeiçoados, reformulados ao longo deste processo, com especial incidência:
a) Princípio de unidade de gestão da bacia hidrográfica do Tejo, que não está a ser observado pela ausência de simultaneidade na publicação dos planos e da respectiva participação pública em Portugal e em Espanha;
b) Avaliação do estado ecológico e propostas de medidas para alcançar o bom estado ecológico até 2015;
c) Rede de monitorização da bacia hidrográfica do Tejo;
d) Pressões da poluição;
e) Gestão das obras hidráulicas (barragens / açudes / transvases);
f) Integração da conservação dos recursos hídricos nos instrumentos de gestão do território;
g) Articulação do PGRHT com os Planos de Gestão e Ordenamento do Território (PDM, POT, PO Estuário do Tejo) e Planos Estratégicos Sectoriais (Agricultura, Pesca – ex: Enguia, Floresta, Uso Solo, Extracção de Inertes, Polis Tejo, etc);
h) Gestão da Extracção de Inertes;
i) Acção de Fiscalização da ARH Tejo (SEPNA / GNR);
j) Património cultural das populações ribeirinhas;
l) Convenção de Albufeira.
Os cidadãos da bacia do Tejo podem participar enviando os seus contributos para protejo.participacaopublica@gmail.com.

sábado, 13 de agosto de 2011

ENTREVISTA proTEJO - RÁDIO TÁGIDE - 9 DE AGOSTO DE 2011

A participação pública no projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo e a descida de canoa VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA - 24 DE SETEMBRO DE 2001, Constância -Almourol - Vila Nova da Barquinha em destaque na entrevista do Movimento Pelo Tejo à Rádio Tágide no dia 9 de Agosto de 2011 (PARTE 1 e PARTE 2).
Acompanhe esta entrevista na Rádio Tágide 96.7 MHZ - FM no Domingo entre as 19 e as 20 horas.

domingo, 7 de agosto de 2011

DESCARGA NO RIO TEJO

A poluição da água do Tejo tem de ser objecto de maior fiscalização. Hoje observámos uma descarga de efluentes nas águas do rio Tejo que a julgar pelas imagens suspeitamos que não terão sido objecto de tratamento.
Os cidadãos têm a responsabilidade de denunciar e comunicar estas ocorrências ao SEPNA / GNR tendo em vista a investigação da ocorrência alguma ilegalidade na contaminação das águas. Apenas um comportamento de cidadania activa para garantir a observância das normas ambientais pode ajudar à restauração do estado eclógico das águas e do rio.
Deixamos as imagens para que avaliem por vocês mesmos!
Isto, o Tejo não merece!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

GRUPO DE TRABALHO - PARTICIPAÇÃO PÚBLICA - PLANO DE GESTÃO DA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO TEJO EM PORTUGAL

A Administração da Região Hidrográfica do Tejo, I.P. apresentou hoje o projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo em Portugal na 8.ª reunião plenária do Conselho de Região Hidrográfica, cuja Participação Pública decorrerá de Julho de 2011 a Janeiro de 2012.
Tendo em vista a elaboração e apresentação de uma proposta de alegações ao projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo em Portugal convidamos todos os cidadãos e organizações da Região Hidrográfica do Tejo a participarem neste processo enviando contributos por correio electrónico (
protejo.movimento@gmail.com) a serem considerados pelo Grupo de Trabalho do proTEJO - Participação Pública - Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo que irá realizar as seguintes actividades de acordo com a calendarização proposta:
A. Elaboração da proposta inicial de alegações - 17 de Setembro de 2011
B. Apresentação da proposta inicial de alegações - 24 de Setembro de 2011
C. Exposição itinerante sobre o projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo em parceria com a ARH Tejo - 24 de Setembro de 2011
D. Sessão de Debate sobre a proposta final de alegações ao projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo - Novembro de 2011 (a agendar)
E. Elaboração das alegações definitivas ao projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo - Dezembro de 2011 (a agendar)

Todos os cidadãos poderão participar a título individual na Consulta Pública apresentando os seus contributos à Administração da Região Hidrográfica do Tejo através da plataforma do Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo

Participe com o seu
Diagnóstico, Cenários e Medidas!

A boa gestão da bacia do Tejo
também depende de si!





Relatório de Âmbito da Avaliação Ambiental Estratégica


Documentos de Apoio
Questões Significativas da Gestão da Água do Tejo – Portugal – Anexo n.º 1
Esquema de Temas Importantes (síntese) – Espanha - Anexo n.º 2 - (documentos em http://nuevoplan.chtajo.es:8080/chtajo)

sexta-feira, 22 de julho de 2011

VOGAR CONTRA A INDIFERENÇA - CONSTÂNCIA - ALMOUROL - VILA NOVA DA BARQUINHA - 24 DE SETEMBRO DE 2011

Nota de Imprensa
Julho de 2011
Vogar Contra a Indiferença
3ª Mobilização Ibérica de Cidadãos em Defesa do Tejo
24 de Setembro de 2011
Realizam-se no dia 24 de Setembro de 2011, um conjunto de acções de mobilização dos cidadãos em defesa do Tejo e do património natural e cultural associado, manifestando igualmente os protestos contra a sobre exploração a que o Tejo se encontra submetido em resultado do aumento dos transvases.
A iniciativa consiste numa descida em canoa que terá o seu início na praia fluvial de Constância, com paragem no Castelo de Almourol, e cuja expedição tem como destino o cais fluvial no Parque Ribeirinho de Vila Nova da Barquinha, realçando a beleza deste património natural e cultural associado ao rio, onde culminará num almoço convívio.
Neste momento de convívio irá proceder-se à leitura da Carta Contra a Indiferença onde se evidencia a necessidade de defender o rio Tejo da sobre exploração da água devido aos transvases da água do Tejo para a agricultura intensiva no sul de Espanha, e a importância do regresso de modos de vida ligados à água e ao rio que as actividades de educação e turismo de natureza, cultural e ambiental permitirão sustentar.
Esta actividade pretende consciencializar as populações ribeirinhas para a conservação do rio Tejo focando a necessidade de uma regulamentação da gestão de barragens e açudes que garanta um regime fluvial adequado à prática de actividades náuticas e à migração e reprodução das espécies piscícolas, que integre verdadeiros caudais ecológicos e uma continuidade fluvial proporcionada por passagens para peixes eficazes.
Está prevista uma mobilização significativa de grupos de cidadãos de ambos os lados da fronteira, provando-se que a defesa dos rios ibéricos ultrapassa as fronteiras administrativas e une os cidadãos com os mesmos problemas, independentemente da sua nacionalidade.
Esta actividade é organizada pelo proTEJO – Movimento Pelo Tejo e conta com o apoio dos Municípios de Constância e de Vila Nova da Barquinha, da Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes, da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova da Barquinha, da Aventur – Aventura e Lazer e de Passos Design.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

TEJO MEIO CHEIO, MEIO VAZIO - CRÓNICA "CÁ POR CAUSAS" - JORNAL A BARCA - 21 DE JULHO DE 2011

O projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica, apresentado no passado dia 13 de Julho, representa um passo positivo na afirmação de um planeamento e gestão da água que passa a focar-se na adopção de medidas para alcançar um bom estado ecológico das massas de água dos rios e afluentes do Tejo.
“Bom estado” das águas? E ainda por cima, “ecológico”?
Apesar dos serviços sociais e económicos da água (uso doméstico, irrigação, energia, transporte, lazer e turismo, identidade cultural) serem mais perceptíveis pelo utilizador, os serviços ecológicos (manutenção da qualidade da água, controlo do caudal, estabilização do clima, biodiversidade, protecção dos campos de cultivo) são mais críticos para a sustentabilidade global.
Esta nova abordagem, alicerçada na política europeia da água com a aplicação na Directiva Quadro da Água, afirma que a sustentabilidade da provisão das funções ecológicas, sociais e económicas da água depende da capacidade de assegurar um bom estado ecológico, ou seja, um bom estado de conservação das massas de água e dos ecossistemas aquáticos.
Os novos planos significam uma brisa de esperança na desoladora “secura” a que o Tejo tem sido votado pela primazia absoluta dos interesses políticos, económicos e financeiros em detrimento dos objectivos ambientais.
Uma brisa soprada num apelo de realismo que, não se limitando a ver o copo meio cheio ou meio vazio, pretende encher um pouco mais o copo com as medidas possíveis num contexto de escassez de recursos financeiros.
Antes de tudo, a primeira medida para encher o copo será impedir que o Tejo seja bebido de um trago num qualquer bar aberto do Levante espanhol.
A verdade é que olhamos pela janela e vemos o rio Tejo cada vez com menor caudal após um ciclo de dois anos de precipitações abundantes que permitiram um armazenamento de água na bacia do Tejo em Espanha muito superior ao registado na última década.
O mau estado do rio Tejo, regulado por barragens desde a cabeceira até Abrantes, é atestado pela classificação de 7º rio europeu com maior nível de sobre exploração (índice WISE da Agência Europeia do Ambiente), fundamentalmente em resultado das pressões exercidas pela exploração agrícola e hidroeléctrica.
Este diagnóstico agrava-se quando o índice que avalia as pressões provocadas pelos usos domésticos, industriais e agrícolas sobre os recursos hídricos derivados do subsolo, dos rios e da precipitação anual coloca Portugal como o terceiro país europeu em situação mais vulnerável, com um maior risco para a região de Lisboa e Vale do Tejo, e ocupando a 45ª posição a nível internacional.
É ainda previsível que estas pressões venham a ser acentuadas pelas alterações climáticas e pelo aumento do risco de secas e inundações, tendo o Comité das Regiões apontado a necessidade da governação a vários níveis para a gestão das regiões hidrográficas, envolvendo os poderes europeus, nacionais, regionais e locais, bem como uma perspectiva transfronteiriça, a definição de objectivos precisos de eficiência ao nível das regiões hidrográficas por sector de actividade, a utilização eficiente da água e o alargamento do Pacto de Autarcas de modo a incluir a utilização sustentável da água.
Estes conselhos e o facto das perdas de água ascenderem a 35% do consumo de água deveriam ser motivação suficiente para as autarquias promoverem o uso eficiente da água, quer divulgando as boas práticas de utilização, de que é exemplo o Município de Arcos de Valdevez (http://uea.cmav.pt), quer implementando sistemas de gestão eficiente da água de que é pioneiro o Município de Sousel.
Lago das Tágides 4
Se todos contribuirmos talvez as belas Tágides regressem ao Tejo cavalgando as suas águas nos dorsos dos golfinhos, voltando a inspirar as odes dos nossos poetas.
O Tejo merece!
Paulo Constantino

domingo, 10 de julho de 2011

O TEJO E A POESIA - ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DO TEJO - 24 DE SETEMBRO DE 2011

Na "Vila Poema" de Constância, "O TEJO E A POESIA" vão dar alma às II Jornadas de 2011 da Associação dos Amigos do Tejo, no próximo dia 24 de Setembro, inspiradas por Luís de Camões e Alves Redol através do “Cancioneiro do Ribatejo”.
“E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mi um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mi vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloco e corrente,
Porque de vossas águas Febo ordene
Que não tenham enveja às de Hipocrene.

Dai-me ua fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa
Que o peito acende a cor o gesto muda.
(…)” (Luís de Camões, I, 4 e 5)
O Tejo é um rio cheio de poesia!      
O rio Tejo inspirou muitos artistas, nomeadamente os poetas. A poesia do Tejo reflecte vivências de actividades de várias épocas que se desenvolveram associadas ao rio. Foram muitos os autores de poemas que se inspiraram no Tejo: arrais, carpinteiros de machado, calafates, valadores, pescadores, moleiros, agricultores da borda de água, escritores…
A fertilidade do Tejo está nos campos que banha e rega e na criatividade que promoveu ao longo da história.
Esta Jornada, que se realiza em Constância, pretende chamar à atenção para a obra poética inspirada na paisagem tagana e, ao mesmo tempo, celebrar o “Património e a Paisagem” tema das Jornadas Europeias do Património.
Luís de Camões e Alves Redol através do “Cancioneiro do Ribatejo” inspiraram-nos para a organização desta Jornada.

PROGRAMA
10H00 – Recepção dos participantes
10H30 -  Sessão de abertura – Presidente da Câmara Municipal de Constância e Presidente da Assembleia Geral da AAT
11H00 – Apresentação do tema – António J. Maia Nabais (Presidente da AAT e museólogo).
11H30 – Mesa Redonda – Jorge Maximino (Professor do I. Piaget), Ana Maria Dias (Casa - Memória de Camões em Constância) João Cúcio Frada (Professor Universitário e autor de poesias), Armando Fernandes (escritor), Fernando Peralta (Director do Museu do Campo), Arménio Vasconcelos (Mestre em Museologia e autor de poesias), Carlos Vicente (Vila Nova da Barquinha). 
12H30 – Debate
13H00 – Almoço livre
14H30 – Luís de Camões e o Tejo –Ana Maria Dias (Casa - Memória de Camões em Constância)

15H00 – Miguel Torga e o Tejo – Arménio Vasconcelos (Mestre em Museologia e autor de poesias).

15H30 – Poesia do quotidiano – Fernando Peralta (Director do Museu do Campo) e …..
16H00 - Intervalo
17H15 - Leitura de poesia, nacional e estrangeira, sobre o Tejo
17H30 - Debate
18H00 – Encerramento.
LOCAL: Constância: Casa - Memória de Camões em Constância

segunda-feira, 4 de julho de 2011

GOVERNO ESPANHOL DEIXA O CASTELO DE ALMOUROL NOVAMENTE A "SECO" E SEM CAUDAL

Hoje, o rio Tejo "secou" novamente na ilha do Castelo de Almourol, tal como aconteceu no ano anterior, como denunciámos aqui, e se pronuncia que continuará a acontecer nos anos vindouros, facto que destrói a paisagem natural e as infraestruturas de apoio às actividades fluviais, e coloca em causa a conservação dos ecossistemas aquáticos, factos dos quais juntamos registo fotográfico.
Ano após ano verifica-se uma maior diminuição do caudal do rio Tejo nos meses de Julho a Setembro apesar dos anos de 2010 e 2011 terem sido fartos em água no inverno e terem permitido um armazenamento de água na bacia do Tejo em Espanha muito superior ao registado na última década, sendo inaceitável e indecorosa qualquer argumentação relacionada com a falta de água, nem o apelo às excepções de indicadores de seca ou de precipitação incluídas na Convenção de Albufeira.
O armazenamento de água em Espanha encontra-se a 79% da sua capacidade total, sendo na bacia do Tejo de 71% e do Segura de 69%, estando respectivamente a 10% e 42% acima do volume de armazenamento médio dos últimos 10 anos.
Apesar desta “fartura”, tendo como referência a última década, o rio Tejo em Portugal continua a apresentar diariamente caudais manifestamente insuficientes em termos ambientais, económicos e sociais, enquanto são diariamente transvasados para a Bacia do Segura 16 m3 de água por segundo.
Reafirmamos que a ausência em Portugal de medição automática (online) de caudais em tempo real, bem como no Médio e Baixo Tejo em Espanha, obriga ao recurso à sua medição em tempo real no Sistema Automático de Informação Hidrológica da Bacia do Tejo (SAHI), mas que apenas disponibiliza dados na Cabeceira e Alto Tejo em Espanha.
Esta situação é ainda mais gravosa pela indisponibilidade de dados em tempo real e online na barragem de Cedilho que serve de referência para controlo do cumprimento dos caudais ecológicos semanais, trimestrais e anuais previstos na Convenção de Albufeira.
O Tejo está assim entregue à exploração económica das actividades agrícolas e hidroeléctricas que não se preocupam com a conservação do ambiente, a vivência social e cultural do rio, mas sim unicamente com a maximização do lucro facto que colocou o rio Tejo como o 7º rio europeu com maior nível de sobre exploração como apurado pelo indicador WISE da Agência Europeia do Ambiente.
A responsabilidade desta situação repassa os governos que ao longo dos tempos têm gerido a bacia do Tejo em conjunto com Espanha e a inadequação da Convenção de Albufeira que deixa a gestão da região hidrográfica do Tejo completamente à discricionariedade do Governo espanhol e, portanto, não serve Portugal.
Assim, continuaremos a requerer ao Governo português:
1. Uma adequada repartição da água disponível na Bacia do Tejo e que seja assegurada informação em tempo real e online sobre o volume de circulação de caudais ambientais semanais e trimestrais;
2. O exercício do direito a recursos hídricos partilhados e a oposição à gestão unilateral do Governo espanhol, contrária ao princípio da unidade da gestão da bacia hidrográfica estabelecido na Directiva Quadro da Água;
3. Que defenda uma definição de caudais ambientais integrados nos planos de gestão da região hidrográfica do Tejo ao longo de toda a sua bacia em Portugal e Espanha.