Somos um movimento de cidadania em defesa do Tejo denominado "Movimento Pelo Tejo" (abreviadamente proTEJO) que congrega todos os cidadãos e organizações da bacia do TEJO em Portugal, trocando experiências e informação, para que se consolidem e amplifiquem as distintas actuações de organização e mobilização social.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

NOTICIAS - V JORNADAS POR UM TEJO VIVO

Región Digital. La Red Ciudadana por una Nueva Cultura del Tajo/Tejo celebra una bajada reivindicativa por el Tajo el 13 de mayo. (12-5-2011)
Cunoticias. La Red Ciudadana por una Nueva Cultura del Tajo/Tejo celebra una bajada reivindicativa por el Tajo el 13 de mayo. (12-5-2011)
Digital Extremadura. La Red Ciudadana del Tajo celebra las V Jornadas por un Tajo Vivo (12-5-2011).
Extremadura al día. Adenex participa este fin de semana en las V Jornadas por un Tajo Vivo (13-5-2011).
Radio Interior. La Plataforma por la Bandera Azul participa en las V Jornadas por un Tajo Vivo (12-5-2011).
Radio Navalmoral. Agua limpia de la cabecera del Tajo será vertida este viernes en la zona de los Mármoles (12-5-2011).
ABC. Red Ciudadana del Tajo organiza un acto reivindicativo en Navalmoral. (12-5.2011)
ABC. Candidatos PSOE, PP, IU reivindican con Red del Tajo agua limpia para el río. (13-5-2011).
La Voz del Tajo. Un brindis por el Tajo (13-5-2011)
Global Castilla La Mancha. Red del Tajo Vivo y PSOE, PP e IU reivindican devolver la salud al río (13-5-2011).
Noticiero diario. Plataforma del Tajo dice que Murcia quiere el agua de Gredos (13-5-2011).
Vive en Navalmoral. Plataforma talaverana asegura que Murcia quiere el agua de la sierra de Gredos con la complicidad del Gobierno autonómico (13-5-2011).
Diario de Castilla La Mancha: Nuria Hernández Mora: “Murcia quiere el agua de Gredos”. (13-5-2011).
Hoy Digital. Plataforma en Defensa del Tajo dice que Murcia quiere el agua de Gredos (13-5-2011).
ABC. La suciedad de hoy en el Tajo sorprende en la presentación de las jornadas por un Tajo Vivo. (13-5-2011)
La Tribuna de Toledo. Los toledanos podrán visitar el inicio del trasvase el día 29. (14-5-2011)
El Día Digital. La plataforma “bautiza” el Tajo con agua cristalina del trasvase. (14-5-2011).
La Tribuna de Talavera. Las Jornadas por un Tajo Vivo analizarán previsiones del nuevo plan de cuenca (13-5-2011)
ABC. PSOE, PP e IU unidos por el Tajo (14-5-2011)
O Mirante - Azambuja recebe Jornadas Ibéricas “Por Um Tejo Vivo” (6-5-2011).
O Mirante - Azambuja recebe Jornadas Ibéricas “Por Um Tejo Vivo” no fim-de-semana (13-5-2011)
Radio Kapa - Jornadas Ibéricas querem avaliar problemas e apresentar propostas alternativas de gesto (13-5-2011).
Jornal Alpiarcense - Tejo: Jornadas Ibéricas querem avaliar problemas e apresentar propostas alternativas de gestão (13-5-2011).
Diário Digital - Tejo: Jornadas Ibéricas querem avaliar problemas (13-5-2011).
RTP - Jornadas Ibéricas querem avaliar problemas e apresentar propostas alternativas de gestão (13-5-2011).
Confagri - Tejo: Jornadas Ibéricas para avaliar problemas (13-5-2011).
SIC Noticias - Tejo: Movimento cívico reclama Plano de Gestão da Bacia Hidrográfica conjunto entre Portugal e Espanha (14-5-2011).
Rádio Pernes - Tejo: Escassez de informação, défice de participação pública e ausência de uma gestão partilhada preocupam ambientalistas (14-5-2011).
O Mirante - Tejo: Escassez de informação, défice de participação pública e ausência de uma gestão partilhada preocupam ambientalistas (14-5-2011)
Voz Ribatejana - Azambuja: Jornadas Ibéricas com criticas a políticas ambientais (15-5-2011)
Lusa - Tejo: Movimentos cívicos querem mais intervenção das forças políticas (15-5-2011)
SIC Noticias - Tejo: Movimentos cívicos querem mais intervenção das forças políticas
Lusa - Eleições/Santarém: Movimentos advertem para importância ambiental e económica do Tejo (17-5-2011)
Lusa - Eleições/Santarém: Navegabilidade do Tejo divide partidos com deputados eleitos pelo distrito (17-5-2011)
SIC Noticias - Eleições: Movimento proTEJO quer que candidatos assinem compromisso sobre caudais ecológicos (17-5-2011)
Lusa - Eleições: Movimento proTEJO quer que candidatos assinem compromisso sobre caudais ecológicos (17-5-2011)
Agroportal - Eleições: Movimento proTEJO quer que candidatos assinem compromisso sobre caudais ecológicos (17-5-2011)
Confagri - Eleições: Movimento proTEJO quer que candidatos assinem compromisso sobre caudais ecológicos (17-5-2011)

segunda-feira, 16 de maio de 2011

CIDADÃOS DO TEJO LEVARAM ÁGUA LIMPA DA CABECEIRA ATÉ PORTUGAL


“Hoje, a água da cabeceira do Tejo
chegou finalmente a Lisboa"
Esta foi a mensagem dos membros da Rede de Cidadania para uma Nova Cultura da Água no Tejo e seus afluentes ao verterem água limpa da cabeceira nos vários actos de protesto em Aranjuez, Toledo, Talavera de la Reina, Valdecañas e Azambuja (Portugal), onde se realizaram as V Jornadas Ibéricas “Por Um Tejo Vivo”: Em defesa do Tejo e seus afluentes.
Numa viagem cheia de emoção e simbolismo, os representantes da Rede de Cidadania para uma Nova Cultura da Água no Tejo e seus afluentes, que representa mais de cem grupos no rio Tejo em Espanha e Portugal, foram despejando água limpa da cabeceira do rio Tejo, nos troços do rio em diferentes povoações ribeirinhas. Com este acto de protesto, os grupos de cidadãos chamam a atenção para o estado lastimável do rio Tejo e de muitos dos seus afluentes, reivindicando para os mesmos água limpa e caudais suficientes.
"Uma vez que os interesses económicos e políticos não permitem que a água limpa corra pelo Tejo até Portugal, nós, cidadãos desta bacia, com nossas próprias mãos, devolveremos água limpa ao Tejo em Aranjuez, Toledo, Talavera de la Reina, Valdecañas e Azambuja em Portugal", declararam os representantes da Rede do Tejo/ Red del Tajo.
A Associação de Municípios Ribeirinhos de Entrepeñas e Buendia foi responsável pela recolha de água limpa da cabeceira e entregá-la aos membros da Rede do Tejo, para que a fizessem chegar, em várias etapas, a Portugal. A entrega de água limpa foi especialmente emotiva na Ponte Romana de Talavera de la Reina onde estiveram presentes os representantes dos diferentes partidos políticos, onde três gerações de talaveranos devolveram, simbolicamente, a água limpa ao rio. Entre elas estava a pessoa que geriu o último quiosque junto ao rio Tejo em Talavera.
Estes actos foram o preâmbulo das V Jornadas Ibéricas “Por Um Tejo Vivo : Em defesa do Tejo e seus afluentes realizadas no passado fim-de-semana na vila de Azambuja em Portugal, organizado pela Rede de Cidadania para uma Nova Cultura do Tejo/Tajo e seus afluentes e o proTEJO - Movimento pelo Tejo.
Nestas jornadas, os cidadãos do Tejo, em conjunto, sem distinção de regiões e países, reivindicaram um Tejo como uma unidade e que os governos dos dois países velem para que os planos de gestão da bacia do Tejo em Portugal e Espanha, que devem ser publicados este ano e colocados à participação pública, devolvam a vida ao Tejo e aos seus afluentes, regulando adequadamente as questões-chave, tais como regime de caudais ambientais ou os objectivos do estado ecológico das águas.

terça-feira, 10 de maio de 2011

FRASES MARCANTES NA JORNADA DE DEBATE “OS CAUDAIS AMBIENTAIS NA BACIA HIDROGRÁFICA DO TEJO”

Fernando Magdaleno Mas. CEDEX
 Não existe apenas um caudal ambiental. Há muitos e é necessário falar de tipologias
 Não se deve radicalizar o debate, temos que chegar a acordos sobre caudais
 O caudal ambiental é um instrumento, não um fim em si mesmo.
Pedro Brufau. Universidade da Estremadura
 A primeira lei de águas de 1866 e a alteração de 1879 não são cumpridas. A lei de 1985 alarga as concessões até 2061.
 A gestão da água está condicionada por concessões dos séculos XIX e XX. Tem que se rever as concessões às hidroeléctricas e aos regantes. Não são sustentáveis no século XXI
 As sentenças do Supremo Tribunal em 2005 contra as concessões, NÃO SÃO APLICADAS. As sentenças contra os poderosos neste país NÃO SE CUMPREM, penduram-se como um quadro e não acontece nada.
 Ir contra a administração ajuda a administrar melhor. Ir contra a administração não é ser antipatriota ou radical.
 As Leis da pesca de 1907, 1920, 1946 não são cumpridas. A pesca continental, como actividade económica, que pretendíamos proteger desapareceu.
Isabel Caro Patón. Universidade de Valladolid
 As concessões têm direitos e não se podem abster de negociar
 O problema de Espanha é ter sempre uns objectivos máximos na legislação e depois não aplicar NADA na prática.
 A D.Q.A não impõe nada, apenas diz que as DECISÕES DEVEM ESTAR JUSTIFICADAS.
Domingo Baeza. Departamento Ecologia UAM
 “A prova da pedra” Quanto é que os “regimes de caudais ecológicos planificados” afectam uma pequena pedra do rio? NADA. Quanto é que afectam a flora, fauna, morfología…?
 Para uma CONCERTAÇÃO DE CAUDAIS HIDROLÓGICOS são necessárias três premissas de todos os participantes: serem flexíveis, terem margem de manobra, ter a mesma capacidade de influência.
Diego García de Jalón. ETS Engenheiros de Montes. UPM
 Caudais ecológicos = Caudais mortais.
 O cálculo de caudais ecológicos não serve. A pergunta chave é: Quanto caudal se pode retirar a um rio? 10%, 30%, 50%...? Se extrairmos 80 ou mesmo 90% não vamos ter NADA de rio ou praticamente nada.
 Os Directores e Subdirectores do Ministério responsáveis pela aplicação da DQA deveriam ter-se demitido. É UMA VERGONHA o atraso e como se estão a elaborar os planos de bacia.
Patricia Gómez. Iberdrola
 A energia hidroeléctrica, pela sua extrema flexibilidade, é uma GARANTIA e uma SEGURANÇA para o sistema de geração espanhol. Afecta a reposição, a regulação secundária e a regulação terciária. É de vital importância.
 Os caudais ambientais supõem uma perda de flexibilidade e de capacidade de gestão.
Juan Valero de Palma. FENACORE (Regantes)
 Os regantes têm 70% das concessões de água.
 Os regantes nas comissões de descarga das barragens estão a aceitar a descarga de caudais ambientais aceitando a perda nas suas concessões, sem pedirem indemnizações. Estão a colaborar com o meio ambiente.
 Os Comissários e os Presidentes das Confederações nas comissões de descarga de barragens pressionam e estão a favor da libertação de caudais ambientais.

DESCIDA DE PROTESTO EM DEFESA DO TEJO ORGANIZADA PELA REDE DO TEJO/ TAJO

NOTA DE IMPRENSA
A Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo organiza uma descida de protesto
em defesa do Tejo no dia 13 de Maio
A Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo realiza as V Jornadas por um Tejo Vivo, nos dias 14 e 15 de Maio na Azambuja (Portugal). Os membros da Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes recolherão água limpa da cabeceira do Tejo e na sexta-feira, 13 de Maio organizarão actos de protesto na sua passagem pelas localidades de Aranjuez, Toledo, Talavera e Navalmoral
A Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes e o proTEJO – Movimento Pelo Tejo, com o apoio do Município da Azambuja, organizam nos dias 14 e 15 de Maio na localidade portuguesa de Azambuja as V Jornadas por um Tejo Vivo: Em defesa do Tejo e seus afluentes. Está previsto que estejam presentes na Azambuja representantes de mais de cinquenta associações de cidadãos e ecologistas de Espanha e Portugal.
Previamente, os representantes Rede de Cidadania por uma Nova Cultura da Água do Tejo/Tajo e seus afluentes recolherão água limpa da cabeceira do Tejo e durante a viajem até Portugal irão vertê-la no Tejo na sua passagem pelas localidades de Aranjuez, Toledo, Talavera e Navalmoral de la Mata. Os actos de protesto organizados para sexta-feira, 13 de Maio são:
10:00 Acto em Aranjuez. Puente Barcas.
         (Organizado pelos Ecologistas em Acção de Aranjuez).
11:30 Acto em Toledo. Puente de Alcántara (Paseo de la Rosa).
         (Organizado pela Plataforma de Toledo em Defesa do Tejo).
13:30 Acto em Talavera. Puente Romano (margem sul).
        (Organizado pela Plataforma em Defesa dos rios Tejo e Alberche de Talavera de la Reina).
17:00 Acto em Los Mármoles de Augustobriga (entre Peraleda de la Mata e Bohonal).
         (Organizado pelos Ecologistas em Acção da Estremadura).
No sábado, 14 de Maio realiza-se a abertura das V Jornadas por um Tejo Vivo às 9.30 no Centro Cultural Páteo Valverde de Azambuja.
A importância destas Jornadas resulta do ano de 2001 ser aquele em que se prevê a publicação dos Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo, em Portugal e em Espanha. Estes documentos deverão conter as orientações de gestão e utilização da bacia do Tejo até 2015, incluindo temas chave como o regime de caudais ambientais ou os objectivos quanto ao estado ecológico das águas.
Por tudo isto as V Jornadas Por Um Tejo Vivo apresentam-se como uma oportunidade única para que os cidadãos do Tejo / Tajo analisem conjuntamente os novos Planos de Gestão da Região Hidrográfica avaliando a forma como abordam os problemas que existem no rio Tejo/ Tajo e seus afluentes e elaborem propostas sólidas de alternativas de gestão que permitam a recuperação do rio e dos seus territórios.
Durante este encontro na Azambuja serão discutidas as pressões existentes para a manutenção dos transvases da bacia do Tejo para a bacia do Segura e Guadiana, assim como o estudo da viabilidade de novos transvases a realizar desde a Estremadura no Médio Tejo espanhol, que condicionam a gestão do rio.

V JORNADAS IBÉRICAS “POR UM TEJO VIVO”

V JORNADAS IBÉRICAS “POR UM TEJO VIVO”
Em defesa do Tejo e seus afluentes
14 e 15 de Maio de 2011
As V Jornadas “Por Um Tejo Vivo” serão realizadas em Portugal pela primeira vez, de 14 a 15 de Maio de 2011 com o apoio do município de Azambuja, acolhendo como participantes os representantes de mais de 100 organizações de cidadãos e ecologistas de Espanha e Portugal, reunidas na Rede de Cidadania por Uma Nova Cultura da Água no Tejo/Tajo.
Será um momento crucial para o Tejo/ Tajo e seus afluentes. Em Junho de 2011 serão publicados os Planos de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo, em Portugal e em Espanha, que contêm as orientações de gestão e utilização da bacia do Tejo até 2015.
Estes planos incluem temas chave como o regime de caudais ambientais, os objectivos quanto ao estado ecológico das águas, as procuras em cada subsistem da bacia em função dos usos identificados, as medidas para alcançar os objectivos estabelecidos, etc.
Os processos de participação pública no novo plano da bacia têm sido insuficientes e importa destacar as pressões existentes para a manutenção dos transvases da bacia do Tejo para a bacia do Segura e Guadiana, assim como o estudo da viabilidade de novos transvases a realizar desde a Estremadura no Médio Tejo espanhol, que condicionam a gestão do rio.
Por tudo isto as V Jornadas Por Um Tejo Vivo apresentam-se como uma oportunidade única para que os cidadãos do Tejo / Tajo analisem conjuntamente os novos Planos de Gestão da Região Hidrográfica avaliando a forma como abordam os problemas que existem no rio Tejo/ Tajo e seus afluentes e elaborem propostas sólidas de alternativas de gestão que permitam a recuperação do rio e dos seus territórios.

Folheto (português e espanhol)
Convite (português e espanhol)
Cartaz (português e espanhol)

sábado, 7 de maio de 2011

A ÚNICA PRAIA FLUVIAL DO RIO TEJO GALARDOADA - QUINTA DO ALAMAL - PERDEU A BANDEIRA AZUL EM 2011

Depois de uma ampla divulgação na comunicação social da atribuição da Bandeira Azul de 2010 à praia fluvial da Quinta do Alamal, cuja beleza e problemas evidenciámos aquiaqui, a perda deste galardão em 2011 passa hoje completamente despercebida.
Infelizmente, aquela que era a única praia fluvial do rio Tejo perdeu mais uma vez a qualidade da água, mantendo-se em número de 3 as praias fluviais com bandeira azul nos afluentes do Tejo - Aldeia do Mato (Abrantes), Carvoeiro (Mação), Valhelhas (Guarda) apesar deste rio percorrer 1.000 km e a sua bacia hidrográfica ser de 80.600 km² (55.750 km² em Espanha e 24.850 km² em Portugal), a segunda mais importante da Península Ibérica.
Não foi atribuída bandeira azul a nenhuma das 4 novas praias fluviais candidatas e identificadas para a época balnear de 2011 na bacia hidrográfica do Tejo: Bostelim em Vila de Rei, Relva da Reboleira em Manteigas, Albufeira da Meimoa em Penamacor e Troviscal na Sertã.
A Administração Hidrográfica do Tejo deverá agora esclarecer os motivos que levam a esta descontinuidade do bom estado ecológico das águas no Alto Tejo português e integrar no Plano de Gestão da Bacia do Tejo as medidas necessárias a que esse bom estado seja recuperado até 2015, em condições de sustentabilidade.
A população ribeirinha do Gavião e o turismo no Alto Tejo agradeceriam por certo a eliminação dos factores que geram a variabilidade da qualidade da água e que não permitem assegurar a continuidade do seu bom estado.

sábado, 30 de abril de 2011

FESTA DE NOSSA SENHORA DA BOA VIAGEM - CONSTÂNCIA

"RENOVAR A TRADIÇÃO" 
Já não são os marítimos que sobem e descem o Tejo até Constância para pedir a bênção a Nossa Senhora da Boa Viagem, mas na segunda-feira de Páscoa o cais da vila poema vai encher-se de embarcações.
Os primeiros registos da festa da Senhora da Boa Viagem de Constância remontam ao século XVIII, mais exactamente a 1788. Pelo Tejo navegavam barcos de grande porte fazendo a ligação entre Lisboa e as zonas mais interiores do país.
A tradição manteve-se ao longo dos séculos. Os homens desciam e subiam o grande rio a bordo dos varinos, barcos que chegavam a atingir 20 e 30 toneladas. Vida dura que só conhecia descanso por altura da Páscoa.
"Vinham na quarta-feira da Semana Santa, assistiam às cerimónias religiosas e voltavam a partir na quarta-feira da semana seguinte. Era o único período de descanso que conheciam”, afirma António Matias Coelho, historiador e assessor da câmara de Constância.
Matias Coelho começou a colaborar com o município de Constância, quando o actual presidente, António Mendes, foi eleito. Nos finais da década de 80 a actividade marítima já tinha acabado, a festa só se mantinha graças à paróquia.
“A primeira festa a que assisti foi em 1990 e tive a nítida sensação que ela iria desaparecer se nada se fizesse. Nesse ano, apenas três barcos chegaram a Constância”, recorda o historiador.
No ano seguinte, a autarquia chamou a si a organização da festa e, sem marítimos no activo, os festejos adquiriram os actuais moldes. O último dos marítimos de Constância, Hermínio Bento, faleceu recentemente.
A Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem “sempre foi feita pelos marítimos, pelos homens dos barcos de transporte”, sublinha Matias Coelho, desfazendo a confusão que por vezes se estabelece com barqueiros e pescadores.
“A pesca nunca foi uma actividade económica muito relevante em Constância. Claro que havia pescadores, mas poucos, e também barqueiros que faziam a travessia entre as margens, mas a festa era dos marítimos, profissão que gozava de certo poder económico e social na vila”, continua.
Embora o seu trabalho fosse no rio - de Abrantes aos portos da grande Lisboa – apelidavam-se de marítimos.
“Ao Atlântico nunca chegavam, andavam no mar da Palha e a designação vem daí”. A este propósito Matias Coelho conta a história de um decreto régio que dispensava os marítimos de cumprirem o serviço militar. Os marítimos de Constância quiseram saber se a legislação se lhes aplicava, mas a resposta foi negativa: marítimos são os que trabalham no mar ou nas praias do mar. Apesar disso continuaram a considerar-se “marítimos”.
A actividade de transporte no Tejo conheceu a primeira grande quebra com a criação do caminho de ferro, mas foi a abertura das rodovias que lhes pôs termo. Mesmo assim, a Festa da Senhora da Boa Viagem foi organizada e custeada pelos marítimos até à década de 60 do século passado. Até que não foi possível entregar a bandeira azul a ninguém. Era este o símbolo que identificava o festeiro, o homem responsável pela festa no ano seguinte.
“A festa tinha acabado nessa altura, se a paróquia não continuasse a manter a procissão e a bênção dos barcos”, sublinha MaTias Coelho. E porque entende que “a tradição é um filme a que cada geração deve acrescentar alguma coisa”, os concelhos ribeirinhos são convidados a participar nestes festejos com os seus barcos engalanados."
EMBARCAÇÕES ENGALANADAS SUBIDA DO TEJO TANCOS - CONSTÂNCIA
(Fotos proTEJO)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

OS CAUDAIS AMBIENTAIS NA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO TEJO

Antes da Páscoa a Confederação Hidrográfica do Tejo foi forçada a cancelar o debate que tinha organizado sobre caudais ambientais na bacia hidrográfica do Tejo. Isto, como tudo o que se refere ao novo plano de bacia hidrográfica, é um debate ainda pendente na nossa bacia. As jornadas foram canceladas por ordem do Ministério do Ambiente, Assuntos Rurais e Marinhos, sob a pressão do Sindicato de Regantes do Aqueduto Tejo Segura (SCRATS), tendo bastado a publicação de um artigo no Jornal La Verdad que contestava a ousadia da CHT para organizar estas jornadas de participação pública para que, em menos de 24 horas, o Ministério ordenasse o seu cancelamento.
A Universidade e a Fundação Nova Cultura da Água acreditam que as pressões políticas e interesses económicos não devem retirar aos cidadãos e utilizadores da água da bacia do Tejo a oportunidade de discutir, de identificar problemas e em conjunto encontrarem soluções para os muitos desafios que a recuperação do bom estado ecológico dos rios da bacia do Tejo. A definição dos caudais ambientais é apenas uma parte deste complexo debate, mas uma parte importante.
Assim, a Fundação Nova Cultura da Água, a Universidade Politécnica de Madrid e a Universidade Autónoma de Madrid conjugaram esforços e organizam o primeiro debate público sobre caudais ambientais na bacia do Tejo, na mesmas data das jornadas originalmente previstas, dia 5 de Maio, e com os mesmos oradores.
“OS CAUDAIS AMBIENTAIS NA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO TEJO”
Jornadas de Debate Universitário

sábado, 16 de abril de 2011

RESULTADOS DA ASSEMBLEIA GERAL DO proTEJO - MOVIMENTO PELO TEJO - 16 DE ABRIL DE 2011

A ASSEMBLEIA GERAL realizada no dia 16 de Abril de 2011 (sábado) pelas 14:30 horas, no Auditório do Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, teve os seguintes resultados:
a) Apresentação do relatório de actividades do 1º trimestre de 2011 – Doc. n.º 1;
b) Constituição de um grupo de trabalho para preparar a participação nas V Jornadas Ibéricas "Por Um Tejo Vivo", bem como a análise da Avaliação Ambiental Estratégica e as alegações a apresentar na participação pública do projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo;
b) Definição da intervenção do proTEJO na participação pública do projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo e respectiva calendarização - ver apresentação;
c) Apoio à Associação Ambiente em Zonas Uraníferas e ao Movimento Urânio em Nisa Não, aderentes do proTEJO, quanto ao pedido de encerramento da central nuclear de Almaraz por já ter excedido o período de funcionamento previsto e representar um risco de contaminação das águas do rio Tejo;
d) A Associação proTEJO será constituída até Novembro de 2011 e estatuída da sua forma legal apresentará as alegações ao projecto de Plano de Gestão da Região Hidrográfica do Tejo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

POR UM TEJO VIVO E NÃO RADIOACTIVO - CRÓNICA "CÁ POR CAUSAS" - JORNAL A BARCA - 24 DE MARÇO DE 2011

Na Europa encontram-se em funcionamento um terço das centrais nucleares do mundo (149 - 34%), que produzem uma equivalente proporção da geração da energia eléctrica neste continente (38%) e da produção de energia nuclear mundial (38%), predominantemente localizadas na França, Reino Unido e Alemanha.
O acidente de Fukushima, Japão, veio relembrar que os perigos da energia nuclear na Europa e na península ibérica com diversas organizações portuguesas e espanholas a reclamarem mais uma vez o encerramento de todas as centrais nucleares em Espanha (10 reactores nucleares), que foram construídas apesar das fortes mobilizações antinucleares.
A 15 de Março de 1976, Portugal disse não ao Nuclear em Ferrel, no concelho de Peniche, localidade situada numa zona de sismicidade elevada, graças à população que se insurgiu contra a construção de uma central nuclear na sua terra.
As águas do rio Tejo servem os sistemas de refrigeração das centrais nucleares espanholas de Trillo, através da barragem de La Ermita, e de Almaraz, na albufeira de Arrocampo.
A central nuclear José Cabrera até 2006 também se refrigerava com as suas águas na barragem de Zorita, tendo sido encerrada após 38 anos de actividade.
A central nuclear de Almaraz descarrega as águas de refrigeração dos seus dois reactores no rio Tejo, aumentando a radioactividade artificial do seu leito de acordo com o Instituto Tecnológico e Nuclear, apenas a sete quilómetros do Parque Nacional de Monfrague e a cento e dez quilómetros do Parque Nacional do Tejo Internacional, em território português, locais onde se alimentam as cegonhas negras, as águias imperiais e os abutres negros.
Em Outubro de 2010, realizou-se uma Conferência Internacional de Risco Tecnológico Nuclear que incidiu sobre um cenário de terramoto na zona de Almaraz aportando riscos de acidente nuclear e de inundação que adviria do rebentamento da barragem de Vadecañas e do consequente galgamento da Barragem de Cedilho, provocando inundações desde Vila Velha de Rodão até à Barragem do Fratel, tendo ficado por saber se as barragens de Fratel e Belver aguentariam tais cargas.
Um eventual acidente nuclear levaria a um aumento da contaminação radiológica do rio Tejo entre as barragens do Alto Tejo português cujos efeitos se estenderiam até Lisboa visto que a água e o ar são os melhores condutores de radiação e o rio corre sempre na mesma direcção, para a foz.
Apenas seria possível garantir as medidas de protecção básicas à população como permanecer dentro dos edifícios, fechar todas as portas e janelas, desligar ventilações e lavar com água e sabão as vítimas contaminadas com radioactividade visto que o exército apenas dispunha de material de descontaminação para os seus elementos, motivo pelo qual o simulacro realizado em Novembro apenas testou a resposta da protecção civil aos riscos de inundação.
A inquietação que provoca esta insuficiência de meios de intervenção aumenta devido a outras lacunas, desde a ausência de planos de emergência para as várias cidades e regiões afectadas, apenas elaborados para a região de Castelo Branco, a escassa coordenação entre os organismos responsáveis e até à falta de informação dos cidadãos sobre estes riscos.
A Central de Almaraz iniciou o seu funcionamento em Outubro de 1981 tendo a mesma antiguidade que as centrais recentemente encerradas na Alemanha para avaliar a sua segurança e ponderar a sua continuidade em funcionamento.
Ao invés, o governo espanhol afirmou de forma peremptória que "as centrais em Espanha são seguras" mas "anunciou que vai ser realizada uma revisão dos sistemas em vigor, especialmente para lidar com cenários de catástrofes naturais".
O governo português afirmou que "Portugal estará, pelo menos, tão preparado como o Japão", enquanto o responsável do Comando Distrital de Operações de Socorro de Portalegre afirmou que "uma eventual explosão na central nuclear de Almaraz obrigaria à “progressiva” retirada da população da zona de Portalegre" e que outro passo “seria desenvolver um plano de descontaminação junto das pessoas e das águas do rio Tejo".
Afinal as centrais nucleares espanholas são ou não são seguras?
Existem ou não existem planos de emergência e meios de descontaminação?
Será este o momento de investir seriamente na investigação de energia alternativas e sem riscos para o bem-estar ambiental e humano?
Será que a lamentável tragédia do Japão é suficiente para a consciência de que a energia nuclear não é solução?
A única forma de garantir a segurança das populações é dizer não ao nuclear e optar por energias verdadeiramente limpas e seguras.
Por um Tejo sem radioactividade!
Paulo Constantino